Podemos dizer que as chamadas Quatro Nobres Verdades são “o coração do Ensinamento do Buddha” e entendê-las corretamente é a chave para a Iluminação. Muitas vezes ocorre que, quando nós monges ensinamos sobre este tema, pessoas que seguem o Buddhismo há muito tempo reclamam ou torcem o nariz dizendo: “Ah, não! Quatro Nobres Verdades é um tema mais do que conhecido! Isso é coisa de principiante, não para um veterano como eu!” Esta é talvez a maior tolice que alguém pode dizer e o maior erro que se pode cometer! Embora pareçam simples, as Nobres Verdades são dificílimas de serem assimiladas na vida diária, caso contrário, o mundo estaria cheio de Iluminados, o que, infelizmente, não é verdade. Portanto, quanto mais estudamos as Quatro Nobres Verdades, mas chance teremos de as entender corretamente e evoluir em nosso cultivo mental.

O Buddha resumiu todo a sua doutrina de forma brilhante e objetiva. Como excelente Mestre que sempre foi, ele conseguiu definir todo o seu plano de ação em apenas um Discurso, mostrando à Humanidade e aos Dêvas (deuses) o Caminho para o Nibbána. No entanto, temos que manter em mente que ele estava se dirigindo aos Cinco Ascetas, que já vinham praticando com ele durante muitos anos e, portanto, não eram iniciantes ou despreparados. A maioria das pessoas que estudam o Buddhismo não tem o alto nível de compreensão que aqueles cinco homens já possuíam, e é exatamente aí que incorremos no erro de achar que este tema é simples e “coisa para iniciante”.

Vamos primeiramente entender que o termo NOBRE, nada tem a ver com elitismo ou classe social superior. No Buddhismo, algo Nobre significa VERDADEIRO, puro,  superior por não ser vulgar ou mundano e acima de tudo, tem o sentido de ser válido em todas as partes do Universo, como é o caso das Verdades que veremos a seguir.

O Buddha observou o seguinte: Nascer, crescer, envelhecer, adoecer e morrer… Todas essas etapas nos causam desconforto, ansiedades, preocupações dos mais diversos níveis e intensidade. A isto tudo, a este processo infindável, ele definiu como DUKKHA. É uma palavra que vem sendo traduzida de várias formas e, por mais que tentemos, não achamos uma tradução adequada, por isso, em vez de tentarmos traduzir, é melhor que apenas a entendamos e a consideremos como DUKKHA… Tudo aquilo que perturba nossa mente é DUKKHA… Desde uma simples unha encravada ou uma dor de cabeça, até um Tsunami, um genocídio ou a morte da pessoa amada – tudo isso é IGUALMENTE Dukkha e é mais que suficiente que entendamos isso em toda a sua profundidade. Esta é portanto a Primeira Nobre Verdade – DUKKHA.

O Buddha é chamado “O Médico da Mente”, porque ele foi o único capaz de diagnosticar nossa doença, verificar a causa, descobrir que há cura e prescrever o tratamento! Ele descobriu que tudo neste mundo FOI, É OU SERÁ DUKKHA… Também observou qual a causa de Dukkha e essa é a Segunda Nobre Verdade – o que causa, o que origina Dukkha: Ignorância, Apego e Raiva são os 3 fatores que causam e alimentam Dukkha, fazendo com que nos incomode!

Por ignorância, entendamos que ela ocorre toda vez que não vemos o mundo como ele realmente é, quando não vemos as coisas como elas são na realidade e sim com a visão distorcida de COMO QUEREMOS QUE ELAS SEJAM… Em nossa mente, geramos ansiedades, expectativas, certezas sobre coisas que talvez nunca aconteçam. Quando as coisas não saem exatamente como imaginamos, nos decepcionamos, nos angustiamos, sofremos – Está aí Dukkha, totalmente nos atacando!

Daí, nos apegamos às coisas: toda experiência boa, toda coisa agradável, prazerosa, gostosa, queremos mais e mais, queremos que nunca termine, queremos repetir até nos fartarmos. Quando isso acontece, daí nos chateamos, nos aborrecemos, aquilo se torna monótono e a mente quer algo novo! Nos apegamos a algo que vai se esgotar, como tudo na vida… Dukkha!!!

O mesmo apego acontece em relação às coisas que NÃO queremos… Toda vez que acontecem em nossa vida, nos apegamos à idéia de tê-las bem longe de nós! Tudo aquilo que nos causa distúrbio na mente, torcemos sempre para que nunca mais se repita… E, em vez de vermos as dificuldades como parte natural da vida, estamos sempre sofrendo toda vez que elas aparecem. É o APEGO ao que não gostamos! O que temos, então?? DUKKHA!!

Em ambas as situações, ficamos com RAIVA, a terceira causa de Dukkha. Temos raiva quando perdemos algo que amamos, temos raiva quando algo desagradável nos acontece. Essa Segunda Nobre Verdade é chamada em Páli de SAMÚDAYA, que significa Origem, Princípio – ignorância, apego e raiva são Samúdaya, a origem de Dukkha.

Para quem nunca leu sobre Buddhismo, esta matéria parece extremamente pessimista… Sofrimento, ignorância, decepção… Tudo coisas que nenhum de nós quer ler numa manhã de sol ou após um dia cansativo no trabalho ou na escola! Mas… Calma! O Buddhismo não é pessimista, nem otimista em excesso – apenas REALISTA. Como já foi dito, o Buddha nos indicou a cura para Dukkha e prescreveu o tratamento. É exatamente isto que ele especificou na chamada Terceira Nobre Verdade – O FIM DEFINITIVO DE DUKKHA! A palavra em Páli para isso é NIRÔDHA, que significa EXTINÇÃO definitiva, aniquilação (de Dukkha). Na Terceira Nobre Verdade, o Buddha simplesmente nos alerta para a possibilidade de acabar de vez com Dukkha em todos os seus tipos e modalidades. Portanto, se tudo parecia perdido,  Nirôdha, a Terceira Nobre Verdade, enche de esperança e tranquilidade a mente de quem segue o Caminho ensinado pelo Buddha!

A Quarta Nobre Verdade é justamente a “prescrição do Dr. Buddha” para acabarmos com Dukkha. Ela é chamada de MÁGGA (significa Caminho), ou, complicando um pouco, Áriya Atthángika Mágga, que significa Nobre Óctuplo Caminho, porque é um método formado de Oito Etapas interligadas, que nos conduz ao fim total e definitivo de Dukkha.

A primeira das Oito Etapas é a VISÃO CORRETA. Não se trata de enxergar bem e não precisar de óculos, mas sim de ver de modo correto as Quatro Nobres Verdades. Visão, aqui, se refere a ponto de vista correto sobre como o mundo e suas coisas realmente são! Quem entende a profundidade das coisas que estou tentando transmitir nesta matéria, está apto a se fortalecer e acabar com Dukkha. Portanto, o correto entendimento, a correta compreensão das Quatro Nobres Verdades é a primeira etapa de MÁGGA, o Caminho para o Nibbána.

A Segunda Etapa é o PENSAMENTO CORRETO. Quando passamos a ver as coisas como elas são, começamos a desenvolver o modo correto de pensar sobre o mundo, diminuindo nossas ilusões, deixando de lado os pensamentos errados que tínhamos sobre os fatos da vida. Portanto, pensar corretamente é a segunda etapa do Caminho para o fim de Dukkha.

As palavras não nascem na nossa boca! O aparelho vocal é simplesmente o instrumento utilizado para emitir o som, porque na verdade as palavras surgem em nossa mente. Quem vê as coisas da vida como elas são, passa a formular pensamentos corretos e a se expressar corretamente. Não mais fala besteiras, não mais perde tempo com falatório inútil e fútil. Não mais xinga ou agride verbalmente! A FALA CORRETA, como modo de purificar a mente e harmonizar-se com o mundo em torno de nós é a Terceira Etapa do Caminho que conduz ao Nibbána.

Vendo as coisas como elas são, sem ilusões, pensando corretamente, não utilizando mal as palavras, falta agora A AÇÃO CORRETA. Praticar o Buddhismo é um esforço contínuo para a purificação mental, revertendo nossas más ações, que geram energia negativa e praticando ações que criem um bom Kamma (ou Karma), uma energia positiva, que ajude em nosso cultivo mental. Portanto A AÇÃO CORRETA, oportuna, benéfica e pura é a Quarta Etapa do Caminho que conduz ao fim de Dukkha, ao Estado Mental que chamamos de NIBBÁNA (ou Nirvana).

De nada adiantaria tomarmos um bom banho com o melhor dos perfumes e, logo em seguida irmos nos revirar na lama ou no lixo, certo? Da mesma forma, de nada adianta tentarmos praticar as etapas que já vimos caso continuemos em atividades ou profissões que só servem para poluir e sujar nossa mente. O Buddha identificou isso com clareza e chamou de MEIO DE VIDA CORRETO a Quinta Etapa de seu método para acabar com Dukkha.

Quem trabalha em matadouros, em casas de prostituição, em casas noturnas onde as pessoas consomem álcool e drogas… Esse tipo de meio de vida, não importa o quanto seja lucrativo, não pode ajudar em nada a quem está tentando purificar a mente, mudar de vida, fazer coisas Nobres e Puras. Cabe aqui ressaltar que, por erro de visão, é muito comum que pessoas que praticam o Buddhismo acreditem no seguinte: Se o negócio é lucrativo, se estou enriquecendo, é porque não há nada de errado no meu meio de vida. ” Se fosse errado, o Buddha me castigaria e eu ficaria pobre!!” Ora, ora! Há muita coisa errada nesse modo de pensar! Primeiro que o Buddha não recompensa nem castiga ninguém! Ele não é Deus nem juíz de nossas ações. Segundo, quem tem o meio de vida incorreto, está plantando mau kamma nesta vida e, com certeza vai colher exatamente o que cultivou, se não nesta mesma vida, com certeza em algum renascimento futuro! É por isso que vemos tanta gente fazendo todo tipo de crime, barbaridade, violência e, aparentemente, sempre “se saindo muito bem”. No futuro, essas pessoas vão ser cobradas pela Lei do Kamma e pagarão até o fim por tudo de errado que fizeram! Procurar um meio de vida correto, dentro dos Ensinamentos do Buddha é a atitude certa para quem se propõe a seguir o Buddhismo.

Explicando as Nobres Verdades, elas podem parecer até fáceis, mas, o fato é que é necessário muito esforço, paciência, força de vontade e dedicação. Lembrem-se de que no Buddhismo não existe o famoso “Se Deus quiser” nem o tal “Deus é quem sabe!” Tudo depende única e exclusivamente de nosso esforço e, muitas vezes, por um pequeno descuido, podemos por a perder tudo o que conseguimos alcançar no cultivo mental. Sabendo muito bem disso, o Buddha nos alertou, chamando de O ESFORÇO CORRETO a Sexta Etapa de Mágga, o Caminho para a purificação da mente. Não devemos ser exigentes demais, nos recriminando toda vez que falharmos, mas, tampouco devemos ser indulgentes, preguiçosos e “bonzinhos” demais com nós mesmos, sempre achando que já fizemos o bastante e nossa prática pode ser deixada para depois. O esforço na medida certa e constante, é o segredo para praticarmos bem o Buddhismo.

Buddhismo corretamente praticado exige ATENÇÃO CORRETA. Isto significa que temos que domar nossa mente, à qual o Buddha apelidou de “macaco louco”! O macaco louco pula de galho em galho, se coça, grita, dá cambalhotas, provoca os outros animais – não pára! Se mexe tanto que o caçador o vê e, com um tiro, ele cai do galho… A mente Humana é exatamente assim, sempre querendo novidades e nós tendemos a fazer tudo o que ela quer, sem questionamentos, sem treinamento disciplinar algum.

No Buddhismo, usamos a ATENÇÃO CORRETA, plena, como a Sétima Etapa de Mágga. Quanto mais estivermos alertas, a cada minuto, mais fácil será domar a mente. Só quando disciplinada, treinada, domada, a mente pode ser útil para nós, nos libertando da escravidão dos renascimentos, nos conduzindo ao Nibbána (Nirvana).

Cada vez mais fala-se sobre Meditação… Como modismo, como curiosidade, ou até como pesquisa científica, porque no mundo moderno a Ciência vem comprovando os benefícios de uma técnica que o Buddha já dominava há 3 mil anos. Foi através da prática disciplinada da Meditação que o Príncipe Siddhattha, após seis anos de todo tipo de prática, acabou se iluminando, tornando-se O BUDDHA. Portanto, não há como negar a importância da Meditação na vida de quem pratica o Buddhismo. A essa prática o Buddha chamou de CONCENTRAÇÃO CORRETA, a Oitava Etapa de Mágga, o Caminho para a libertação de todos os apegos, purificação total da mente e consequente fim total de Dukkha, atingindo, ainda neste mundo e nesta vida o Estado Mental de NIBBÁNA (Nirvana).

Este é o NOBRE ÓCTUPLO CAMINHO, a receita do Médico da Mente para todo ser Humano que o quiser praticar. Como já disse, se fosse fácil, teríamos um Buddha a cada esquina… Não se trata de ser fácil, e realmente não é! A questão é ser POSSÍVEL, e isto o Buddha nos provou, por exemplo próprio, que é! A nós, resta começar, tentar, nos esforçar e, a cada falha, toda vez que caírmos, levantar e começar de onde paramos, sem culpa, sem remorso, sem o peso de falsos conceitos como pecado, castigo divino e tantos outros obstáculos que fomos levados a acreditar! Tudo só depende de nós e do quanto realmente queremos fazer para acabar com Dukkha… As Quatro Nobres Verdades estão aqui ensinadas, agora você não tem desculpa para não praticá-las! Fiquem em Paz e Protegidos!

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 O Buddha explicando as 4 Nobres Verdades – The Buddha explaining the 4 Noble Truths

THE FOUR NOBLE TRUTHS

One can say that the so called Four Noble Truths are “the heart of the Buddha´s Teachings” and understanding them correctly is the key of Enlightenment. Many times it happens that, when we monks teach about this subject, long term followers of Buddhism complain and frown, saying: “Oh, no! The Four Noble Truths is a very well known subject” That´s something for beginners, not for a veteran like me!” This is probably the greatest silly thing one can say and certainly the biggest mistake one can make” Although they may sound easy, the Noble Truths are very hard to practice in our daily life, or else, the world would be packed with Enlightened people, what, unfortunately is not true. Therefore, the more we study the Four Noble Truths, the more we have chances to understand them properly and go further with our mental cultivation.

The Buddha resumed all his doctrine in a brilliant and objective way. As the excellent Master he always was, he managed to define all his action plan in only one Discourse, showing Human beings and Devas (deities) the Path to Nibbana (Nirvana). Neverthless, we have to keep in our mind that he was addressing to the Five Ascetics that had been practicing with him during many years and so, were not beginners or misled. Most people that study Buddhism does not have that high understanding level those five men had and that´s exactly why we make the mistake of thinking that this subject is “beginner´s stuff”.

Firstly, let´s understand what NOBLE means, because it has nothing to do with elite or superior social class. In Buddhism, something Noble means TRUE, pure, superior because it´s not vulgar nor worldly and, most of all, it means something valid everywhere in the Universe, like the Truths we are going to see now.

The Buddha observed that: Being born, growing up, getting old, getting sick and dying… All these steps cause discomfort, anxiety, worries of all levels and intensity. All of this, this endless process was defined by him as DUKKHA. It´s a word that has been translated many times and no matter how hard we try, any proper translation was ever found as completely correct, then, instead of trying to translate it, it´s better to understand it and merely consider it as DUKKHA… Whatever may disturb our mind, ranging from a broken nail or a simple headache to a Tsunami or a genocide or losing the beloved person – all this is equally considered as DUKKHA and it is more than enough if we are able to understand it in all its depth. Thus, this is the First Noble Truth – DUKKHA.

The Buddha was called “The Doctor of the Mind” because he was the only one able to diagnose our illness, verifying its cause, finding out the cure and prescribing the treatment! He also found out that everything in this world WAS, IS OR WILL BECOME DUKKHA… Also, he observed what creates Dukkha and this is the Second Noble Truth – the cause, the origin of Dukkha: Ignorance, Attachment and Anger, the 3 factors that feed Dukkha, allowing it to disturb us.

As ignorance, it should be understood that it happens whenever we do not see the world as it really is, when we do not see things as they are but with a wrong point of view, wanting things to be THE WAY WE WANT THEM TO BE. In our mind we create anxiety, expectation, certainty about uncertain things that may never happen. When things don´t come out exactly the way we expected them to be, we get disappointment, anguish, suffering – Here it is: Dukkha attacking us!

This is how we get attached to things: Every good experience, every agreable thing, pleasurable, tasty, we want it more and more, we want it to last forever, we want to repeat is over and over until we are fed up. Then, when we just can´t get it anymore, we get bored, that thing becomes monotonous and the mind demands something new! We get attached to something that is going to end up, like anything else in this life… Dukkha!!!

The same attachment happens about things we DO NOT want… Every time such things happen in our life we get attached to the idea of having them far from us! Whatever may disturb our mind, we hope it will never come to us again. And, instead of seeing adversity as a natural part of life, we suffer, over and over, whenever we have to face it. This is ATTACHMENT to what we don´t like! What do we have then? DUKKHA!!

In both cases we get angry, we feel ANGER, the third cause of DUKKHA. We get angry when we lose something we love, we get angry when something desagreable happens to us. In Pali, this Second Noble Truth is called SAMUDAYA, meaning Origin, Principle – ignorance, attachment and anger are Samudaya, the origin of Dukkha.

For someone who has never read about Buddhism, this article may sound extremely pessimistic… Suffering, ignorance, delusion… All things that no one wants to read on a sunny morning or after a hard day at work or at school! But… Cool down! Buddhism is neither pessimistic either over excited about life. It´s rather REALISTIC. As it was said before, the Buddha indicated the cure for Dukkha and prescribed the treatment. This is exactly what he meant in the so called Third Noble Truth – the TOTAL AND ABSOLUTE END OF DUKKHA! The Pali word for that is NIRODHA, meaning UPROOTING (of Dukkha). In the Third Noble Truth, the Buddha only warns us to the possibility of finishing each and every kind of Dukkha. Then, if eveything seemed to be chaotic, Nirodha, the Third Noble Truth, fulfils with hope and tranquility the mind of those who follow the Path taught by the Buddha!

The Fourth Noble Truth is exactly the prescription given by “Doctor Buddha” to end up with Dukkha. It is called MAGGA (meaning Path), or, making it a little complicated, Ariya Atthangika Magga, that means the Noble Eightfold Path, because it is a method made up by Eight Interconnected Steps that lead us to the end of Dukkha. The first of them is RIGHT VISION. It´s not about seeing well without wearing spectacles, but about the way one understands correctly the Four Noble Truths. Vision, in this case, refers to a right point of view about the world and the its things as they really are. Whoever understands deeply what I am trying to explain in this article, is able to become strong and finish Dukkha. Therefore, the correct understanding, the comprehension of the Four Noble Truths is the first step of MAGGA, the Way to Nibbana (Nirvana).

The Second Step is THE CORRECT THOUGHT. When we start seeing things as they really are, we begin to develop correct thoughts about the world, diminishing our illusions, giving up wrong thoughts we had about the facts of life. Then, thinking correctly is the second step of the Path that leads to the end of Dukkha.

Words are not originated inside our mouth! The vocal system is merely an instrument used to make sound, because in fact words come from our mind. Whoever sees things are they really are, starts thinking correctly and expressing him/herself correctly as well. No more silly talking, no more wasting of precious time on useless talking. No more scolding nor harsh words! The CORRECT SPEECH as a mean to purify the mind and harmonise with the world around us is the Third Step of the Way that leads to Nibbana (Nirvana).

Seeing things as they really are, without illusion, thinking correctly, not misusing the words, now, we need the RIGHT ACTION. Practicing Buddhism is a continuous struggle for mental purification, reverting our bad deeds that create negative energy, replacing them by good deeds, also called Good Kamma (or Karma), a positive energy that helps us to cultivate our mind. Then, the RIGHT ACTION, at the right time, beneficial and pure is the Fourth Step of the Way that leads to the end of Dukkha, to the Mental State of NIBBANA (or Nirvana).

It would be useless if we took a nice shower, with the best soap ever and, soon afterwards we would fall into the mud or into a terrain full of stinky garbage, right? The same way, there is no point in practicing the previous steps if we kept on working in activities that only pollute our mind. The Buddha identified that clearly and called THE RIGHT LIVELIHOOD the Fifth Step of his method to finish Dukkha. Whoever works with slaughtering, prostitution, night clubs where people consume alcohol and drugs… This kind of livelihood, no matter how profitable it may be, can not help one to purify the mind, change life, practice Noble and Pure deeds. At this point, it is important to explain that some Buddhists, with a wrong idea, think like this: “If my business is profitable and I am getting richer and richer, it´s because there is nothing wrong about it, otherwise the Buddha would punish me with bankruptcy.” Well, well… There are many wrong things in this way of thinking! First of all, the Buddha does not punish or praises anyone. He is not God or a judge of our actions. Secondly, someone with a wrong livelihood is cultivating bad Kamma in this life and certainly will harvest exactly what was planted, if not in this very same life, surely in a future rebirth! This is why we see so many people commiting crime, barbarism, violence and apparently nothing bad happens to them. In the future these people will be charged by the Law of Kamma and will have to pay for all bad deeds they commited. Looking for a correct livelihood, according to the Teachings of the Buddha is the right thing to be done by those who have decided to follow Buddhism.

When explained, the Four Noble Truths may sound even simple and easy to be practiced but, in fact, they demand effort, patience and commitment and dedication. Remember that in Buddhism there is no such a thing as “God willing” or “God knows!” Everything depends exclusively on our own effort and oftenly it happens that a tiny mistake can spoil many years of practice and hard effort in our mental cultivation. The Buddha knew that very well and warned us about the RIGHT EFFORT, the Sixth Step of Magga, the way to purify the mind. We should not be too demanding to ourselves, feeling guilty whenever we fail. On the other hand, neither should we be too indulgent, laisy or to lose, always thinking that we have done enough and our practice can wait or be postponed. The continuous effort and its right measure is the secret to well practiced Buddhism.

Buddhist practice demands RIGHT MINDFULNESS. That means we must tame the mind, which the Buddha called “crazy monkey”! The monkey jumps from one branch to another, scratches the body, screams, teases the other animals – it does not stop! It moves so much that the hunter easily sees him and, with just one shot the monkey falls down from the tree. The human mind is also like that, always wanting something new and we tend to do whatever the mind demands, no questioning, no training, no discipline at all.

In Buddhism, we use the RIGHT MINDFULNESS as the Seventh Step of Magga. The more mindful we are, each minute, the easier it is for us to tame the mind. Only a mind with discipline, tamed, trained, can be useful, setting us free from rebirth, leading us to Nibbana (Nirvana).

More and more oftenly we have heard about Meditation. Because it is fashionable, out of curiosity or even because of scientific research because in the modern world, science has shown the benefits of a technique the Buddha was skillful 3 thousand years ago. It was through the discipline and skilful practice of Meditation that Prince Siddhattha, after six long years of search, reached Enlightenment and became The Buddha. Therefore, there is no way to deny the importance of Meditation in the life of those who practice Buddhism. This technique was called RIGHT CONCENTRATION, the Eighth Step of Magga, the Way to set us free of all attachment, purifying the mind and so, finishing Dukkha, reaching in this world and in this very same lifespan the Mental State of NIBBANA (Nirvana).

This is the NOBLE EIGHTFOLD PATH, the Doctor of the Mind´s prescription to every Human that wants to practice it. As I said, if it was easy, we would find a Buddha in every corner of the streets… It´s not about being easy, and it´s really not! The question is that it is POSSIBLE, and that was shown by the Buddha, through his own example! To us, the only thing left is to start, trying, struggling, standing up after every fall and restarting from the point we´ve stopped, no remorse, no guilt, without the weight of fake concepts about sin, divine punishment and so many other hindrances we were led to believe in! It all depends on us and on how much we really want to finish Dukkha… The Four Noble Truths are well taugh here, now you have no excuses for not practicing them! May you always be well and protected!