SOBRE NOSSAS COMPANHIAS

O Buddha sempre nos alertou sobre a importância de escolhermos, selecionarmos bem nossas companhias. Na verdade, ele deu tanta importância a este assunto que nos aconselhou: Se for para andar na companhia de um tolo, é melhor seguir sozinho, porque, de um tolo nada de útil se pode esperar!

Há pessoas com as quais gostaríamos de nos relacionar e elas, muitas vezes, nem notam nossa existência! Pessoas que admiramos, que queríamos ter como amigos… Há também aquelas que não conseguimos entender, não conseguimos ver razão alguma para ter tantos admiradores, tanta gente em volta! Embora a pessoa pareça ser arrogante e sem nada de especial, a vemos sempre cercada de amigos, enquanto que outras, boas, simpáticas, generosas, parecem estar sempre à margem de qualquer grupo social.

Devemos levar em consideração nosso KAMMA, o efeito de nossas ações nas nossas vidas anteriores. O que fizemos de bom, as virtudes que plantamos nas vidas que vivemos antes da presente, também determina que tipo de amigos vamos ter atualmente. Nossos amigos são, em parte, o resultado das bençãos que acumulamos, das virtudes que cultivamos.

Bons amigos, boas companhias, são um grande presente! Na verdade, são o melhor presente que podemos ter na vida… Mas, o fato é que, nem sempre sabemos selecionar nossas amizades e diversas pessoas parecem cruzar nosso caminho, assumir o papel de amigo, nos prejudicar e sumir nos caminhos da vida, sem deixar rastro! Parece que elas surgem do nada, especialmente para nos fazer mal e sumir… Isto também se deve ao efeito do KAMMA, mas, se formos firmes, seguros do que queremos, sempre seremos capazes de evitar o prejuízo causado pelas falsas amizades… Temos que ser sábios o suficiente para nos afastarmos de quem, disfarçado de amigo, está nos prejudicando, nos destruindo aos poucos.

Também temos que levar em consideração a formação, o caráter e a bagagem de vida das pessoas que chamamos de amigos… Nem todas são intencionalmente más, e isso é um aspecto que devemos analisar. Se alguém vem de uma família desestruturada, de uma classe social desprestigiada, sem boas oportunidades na vida… Todos esses fatores e muitos outros, vão influenciar diretamente na formação do caráter de quem se aproxima de nós.

Numa sociedade onde alguém rouba, violenta, mata, agride por achar que tem motivos justos para isso – necessidade financeira, fome, desemprego – os valores morais da pessoa estão corrompidos e, para ela, o errado é considerado certo. Dentro de seus valores sociais, a pessoa está agindo corretamente quando rouba ou mata!

Cabe a nós ter compaixão dessa pessoa, mas nos afastarmos dela o quanto antes! Nem sempre é possível ajudar, nem sempre é tarefa fácil ensinar o Buddhismo, tentar corrigir…

Muitas vezes as pessoas que nos chamam de amigo, ou aquelas que realmente consideramos como amigos, na verdade nos fazem mal, mas com a intenção de nos ajudar!! Dentro dos valores errados dessa pessoa, ela está fazendo o melhor que pode para nos ver felizes… Parece impossível entender o que estou dizendo, mas vejamos bem: Um amigo que usa drogas ou que costuma consumir álcool… Toda vez que ele tem um problema, uma angústia qualquer, vai cheirar cocaína, ou usar crack ou qualquer outra droga, com a simples finalidade de relaxar, esquecer o problema… Ninguém começa a usar drogas com o objetivo de se tornar um viciado! É sempre “só de vez em quando”, “só para relaxar, descontrair”… Assim, o “amigo” que costuma fazer isso e acha que funciona, vai nos oferecer o mesmo método de “relaxamento”… Achando que está nos ajudando, vai nos oferecer a melhor droga que puder conseguir, sempre que notar que estamos com algum problema!

No conceito dele, no ponto de vista dele, está só tentando nos ajudar, do modo errado como vê as coisas. Não tem a intenção de nos causar dano, de nos tornar viciados! Ele mesmo não é capaz de ver que está se destruíndo, por isso, tenta “ajudar” do único modo que sabe – nos oferecendo a mesma droga que consome!

Cabe a nós e não a esse tipo de amigo tomar uma atitude! Não precisamos ser agressivos, não precisamos nem mesmo tentar “salvar” essa pessoa, caso ela não se mostre pronta a mudar… Mas, o que precisamos é entender que, se continuarmos na companhia de pessoas assim, vamos afundar junto com elas, porque é algo doentio, não é amizade!

Amizade é algo saudável, é ajuda mútua para crescer, não para se auto-destruir. Nossos amigos devem ser capazes de conviver conosco dentro de padrões de moral, de virtudes, de boas qualidades que nos façam crescer e desenvolver nossa mente para sermos bem aceitos na sociedade.

É muito importante sabermos com quem convivemos. Isto não deve fazer com que nos tornemos elitistas, nos achando superiores a tudo e a todos. Podemos e devemos tratar bem a todas as pessoas, sem discriminação, mas isto não quer dizer que temos que conviver com elas ou assimilar seus maus hábitos.

Entender a problemática social do mundo onde vivemos, não nos obriga a usar drogas ou ter amigos que façam isso. Não devemos deixar que o errado e prejudicial passe a ser o normal, só porque “todo mundo faz”… Isso é uma grande tolice… Todo mundo conhece pessoas que usam drogas, ou que roubam, ou traem o parceiro sexual… Conhecer pessoas e saber que essas coisas existem, não significa que as más ações passaram a ser certas.

Pensem nisso e procurem sempre perguntar a si mesmos perguntas simples:

– Meus pais ficariam felizes se soubessem que estou com essas companhias?

– Dentro das Leis de meu país, estamos fazendo algo que possamos ser punidos?

– Minhas companhias estão de acordo com os valores morais e religiosos que aprendi em minha família?

– Os Grandes Mestres da Humanidade andariam em companhia de pessoas como essas que eu agora chamo de amigos?

Se suas companhias, seu grupo de amigos e as atividades que praticam juntos não se enquadram nessas perguntas simples e óbvias, então, realmente é o caso de voces se afastarem e selecionarem melhor com quem andam!

ABOUT OUR COMPANIONS

The Buddha always warned us about the importance of chosing the right companionship. In fact, he emphasized that so much that even said: “If it is to walk along the Path with a fool, it´s better to walk the way alone. From a fool, there is nothing good one can expect.”

There are people we´d like to associate with and, many times, they not even notice that we exist. People we admire and wish to have as friends… Also there are those that we just can´t understand how they have so many nice people around them. People that look so arrogant and with no particular quality but are always surrounded by real friends while some others that are friendly, generous, genuinely good are always lonely and out of any social group.

We should always consider our Kamma, the effect of our deeds in previous lives. Whatever good deeds we practiced, the virtues we planted in our previous lives and in this one also determine what kind of friends we are going to have now. Our friends are, partly, the result of blessings we accumulated, virtues we cultivated.

Good friends, good company, are a great gift! Actually, they are the best gift we can ever get in a life time… But the fact is that not always we know how to sellect our friends and many people just seem to cross our way to play the roll of a friend, cause us harm and then disappear withou a trace! It seems that they come from nowhere, just to do some bad and disappear. This is also because of our Kamma, but if we are strong, sure about what we want, we are always able to survive the harm caused by fake friends. We must be wise enough to stay away from those who, disguised as friends, are causing us harm and slowly destroying our lives.

We also have to ponder about the character, the cultural baggage of those we call friends. Not everyone is intencionally bad, but that´s something we must analyse. Someone from a corrupt family, not well structured, from a misfortunated social class and without good opportunities in this life… All these factors and many others will directly affect the charachter of those related to us.

In a society where people steals, violates, kills and hurts thinking they have good reasons for that – financial problems, starvation, joblessness – moral values are corrupted and wrong deeds are taken as right. Inside wrong values, the person thinks that is doing something right when steals or even kills!

It´s our duty to feel compassion for such a person but keeping ourselves far as soon as possible! Not always it is possible to help, and it is not easy to teach Buddhism and try to change someone´s behaviour.

Very offtenly the ones who us friends or those we really consider as friends, cause us harm thinking they are helping us. Following their wrong points of view, they are doing the best they can to see us happy.

It seems hard to understand what I am trying to say, but considerer that: A friend that uses drugs or alcohol. Every time he has a problem, something disturbing him, he goes and sniffs cocaine or smokes crack with the only intention to relax and forget about his problems. No one starts using drugs aiming to become addicted to them. It´s always “just this time, for relaxation” Then, the “friend” that usually does that and thinks that it works out, will offer you the same method and he will find the best drug possible to offer you whenever he fells you should forget about your problems.

He is just trying to help you, according to his wrong point of view. He has no intention to cause you harm or to make you become a drug addicted. He, himself, is not able to see he is destroying his own life, his way to “help” you is by offering the same drug he uses!

It must be our decision to do something about that! We do not have to be aggressive, we not even have to try to “save” this kind of person in case s/he doesn´t want to change… But, what we have to understand is that if you keep on walking along with such a person, you are going to drown together because that is something sick, not a friendship!

A friendship is something healthy, it is mutual help leading to growth, not to self-destruction. Our friends should be able to share moments with us according to moral, virtue and good qualities that make us grow and develop our minds to fit inside society.

It is very important that we know with what kind of people we share our lives. That does not mean that we have to become elitist, thinking we are superior to anyone and everything else. We can and should treat people equally, without discrimination, but we are not expected to share our lives with every kind of people, assimilating their bad habits.

Understanding the social problems of the world we live in does not force us to use drugs or having friends that do so. We should never let whatever is wrong to be taken as normal, just because “everyone does that”… That is just foolish! We all know people that use drugs, or steal or are not loyal to the sexual partners… Knowing people like that and acknowledging that thinks like these exist do not turn bad deeds into correct.

Think about that and always try to ask yourself the following simple questions:

  • – Would my parents be happy if they knew I am walking along with this kind of people?

  • – According to the Law of my country are me and my friends doing something we may be punished for?

  • – Do my friends match with the moral and religious values I´ve learnt from my family?

  • – Would the Great Masters of Humanity walk along with people just like the ones I, right now, call them friends?

If your companies, the group of friends and the activities you practice together do not fit into the simple and obvious questions above, then, it is really the case for you to start sellecting betterly the kind of people you walk along with!

Sukhi Hotu!

सनन सन्नथो भीक्खू

Rev. Sunan Sunantho