Namaste!

O Buddhismo é a arte de domar a mente… “Apenas” isto! O que na teoria é tão simples de resumir em uma única frase, na prática se torna um longo e sério processo que tem que começar como uma atividade diária, passando a ser horário e tornando-se algo a ser praticado a cada segundo, do contrário, não haverá sucesso.

Claro que este processo é passível de erros, falhas, regressões, porém é muito importante que não haja interrupção nem estagnação! Por mais difícil que o treinamento mental possa parecer, é necessário que seja contínuo. Para tanto, o praticante deve ter confiança em si mesmo. Este sentimento, forte e seguro, no Buddhismo se chama SADHÁ, que não deve ser confundido com fé em alguma força externa, mas sim uma profunda certeza da própria capacidade interna de superar obstáculos e atingir um objetivo.

Se não é fé numa força externa superior a nós, de onde, então, vem SADHÁ? Ele é desenvolvido através da comprovação na prática de tudo o que o Buddha nos ensinou! À medida que estudamos, lemos, nos aprofundamos no Dharma (convencionalmente, o nome do Ensinamento Buddhista) e constatamos a veracidade do que aprendemos em nossa vida diária, mas desenvolvemos SADHÁ e, consequentemente, mais nos fortalecemos e sentimos disposição para seguir adiante na prática.

Nossos obstáculos, na verdade, são fruto de nossa criação mental… Todas as nossas ansiedades, expectativas em excesso, ilusões a respeito das coisas e pessoas e, especialmente – nosso apego a conceitos e pessoas. No Buddhismo, costumamos dizer que “fora de nossa mente, tudo é paz e tranquilidade”. Não é o mundo em si que tem problemas, mas o modo como o encaramos e o grau de importância que damos aos fatos que nos alcançam. O fato é que, como um inseto se debatendo numa teia de aranha, quanto mais nos envolvemos com o mundo, mais nos enrolamos e sofremos.

Nas épocas antigas, o que quer que acontecesse fora da aldeia ou território, só chegaria aos ouvidos do povo muito depois de ter ocorrido. Um mensageiro, uma carta, um boato… Tudo só passava a ser conhecido quando não havia mais nada a ser feito! Aliás, só se tornava conhecido se o fato realmente conseguisse chegar ao local. Por mais dura ou triste que fosse a realidade, já era passado. Isto, imagino, devia diminuir em muito o nível de tristeza, criando um certo conformismo diante da incapacidade de mudar a situação.

Com o tempo, a mente se acostumou a ver tudo acontecendo cada vez mais depressa, até os tempos atuais onde, ao vivo e a cores, o que acontece do outro lado do planeta chega às nossas casas instantaneamente. Este alto grau de envolvimento com o mundo nos traz muitos benefícios e não estou aqui condenando a tecnologia nem pregando um retorno à Era das Trevas, mas, ao mesmo tempo a tecnologia do mundo moderno nos deixa muito mais expostos à ansiedade, angústia, violência, crises econômicas, catástrofes e tantas outras informações que alteram a tranquilidade de nossa mente, como uma enorme pedra jogada nas águas de um lago tranquilo.

Por tudo isto, o Buddhismo é hoje tão ou mais necessário do que jamais foi! Em vez de ser considerado como algo ultrapassado ou esteriotipado como algo somente para quem deseja se afastar da vida real e ficar sentado meditando o dia todo, o Ensinamento do Buddha é prático, objetivo e, acima de tudo: extremamente atual. Isto porque, mais do que nunca, por estar cada vez mais exposta a todo tipo de informação, a mente humana se encontra num desenfreado processo de emoções e sentimentos, cada vez mais enrolada em situações que não consegue solucionar.

O estudo sério e profundo dos Ensinamentos do Buddha é o caminho ideal para desacelerar os conflitos mentais, as formações decorrentes da visão incorreta dos fatos do mundo. Buddhismo não é alienação, não é isolamento nem fuga da realidade, mas sim um perfeito treinamento mental para nos tornarmos aptos e confiantes por esforço próprio, para encarar as dificuldades normais da vida.

Bhante Sunanthô