A todos, Namaste!

A Sociedade de todos os povos se formou a partir da união de um homem com uma mulher para gerarem filhos. O tal “Crescei-vos e multiplicai-vos!” famosa frase bíblica foi a alavanca da expansão da raça humana… É inegável o fato de que somente a união de um esperma masculino com um óvulo feminino podem gerar um ser humano e, até que a ciência desenvolva outro tipo de fecundação ou inicie a clonagem humana, este é o único método de formação de nossa espécie. Porém, através dos tempos, o que antes caracterizava uma família – Pai, Mãe e seus filhos –  vem passando por várias modificações… Aos poucos, essa equação imutável e tão estável de um homem, sua esposa e seus descendentes está sendo alterada e cada vez mais aceita pela Sociedade.

Hoje em dia é possível para um homem ou mulher solteiros adotar uma ou mais crianças. Também a chamada “produção independente” permite a uma mulher escolher um parceiro, fazer sexo com ele, engravidar e criar sozinha o bebê. Se não quiser nem mesmo a relação sexual, pode engravidar de modo artificial!

Mais recentemente, vamos acompanhando as leis que autorizam homossexuais, com ou sem parceiros a adotarem crianças com iguais direitos aos de qualquer casal heterossexual. Com tudo isso, é preciso repensar o conceito tradicional de família e entender bem que tipo de comportamento tais alterações podem causar na Sociedade em que vivemos.

Em vez de, preconceituosamente, nos prendermos ao conceito tradicional de que somente um homem, uma mulher e os filhos gerados por ele são uma família verdadeira, devemos analisar a importância fundamental da família, o papel que ela desempenha para a formação de indivíduos com valores éticos e morais, aptos a viverem em Sociedade.

A família é a primeira escola onde se aprende tudo o que necessitaremos para uma vida normal e equilibrada ao longo da vida: como interagir com os outros, como ter disciplina, solidariedade, afeto, hábitos de higiene, etiqueta no convívio social, compartilhamento de valores materiais e sentimentais, confiança mútua e auto-confiança, segurança mental e integridade física e muitos outros valores. A família é o sempre-presente-porto-seguro onde renovamos nossas energias e pedimos proteção nas horas de dúvida e insegurança.

Cientes disso, podemos então admitir que qualquer pessoa ou pessoas que nos transmitam esses valores, desde a infância até o decorrer da vida adulta pode ser chamado de FAMÍLIA. Se é alguém solteiro, homossexual (masculino ou feminino), casal, jovem, idoso ou qualquer outra situação, tudo isso é apenas especulação, normalmente vinda de algum tipo de preconceito.

Na ótica Buddhista, não há impecílio algum para que uma pessoa de valores éticos e um real sentimento de amor por uma criança se torne FAMÍLIA. Ainda de acordo com o Buddhismo, o importante é que haja a intenção real de cultivar a mente, dentro da ética e moralidade, amor, segurança e proteção e isto, como todos nós sabemos, não é encontrado unicamente no padrão tradicional de família que vimos acima. Portanto, família, no conceito moderno, pode também ser algo inovador sem deixar de lado sua importância fundamental na formação de qualquer tipo sadio e harmonioso de Sociedade.

Rev. Sunanthô