Não é por acaso que DÁNA PARAMITA é a primeira das Dez Perfeições. Desde que formou sua Comunidade de Monges Mendicantes (Bhikshu Sangha) o Buddha sabia da importância de encontrar leigos doadores que sustentassem a ele e seu Grupo. Sem doadores de alimentos e bens materiais, não haveria a menor condição de levar adiante o Ensinamento da Doutrina (Dharma). Até os dias atuais essa necessidade prevalece. Nenhuma Vihara (templo), Monastério, Instituição Buddhista ou Monge que viva individualmente podem sobreviver sem o apoio constante das doações dos seguidores leigos!

É imprescindível que haja uma conscientização de todos os que simpatizam com o Buddhismo ou optam por se tornarem Buddhistas no sentido de apoiar financeiramente e com outros bens materiais a divulgação do Dharma, principalmente em países onde o número de Buddhistas não é grande e o país não é Buddhista, portanto, não há apoio governamental, como nos países asiáticos.

DÁNA PARAMITA não é esmola, nem mesmo caridade. É importante entendermos que se trata de algo muito mais profundo porque, tanto quanto ajudar a financiar a continuidade do Buddhismo em uma Comunidade, DÁNA beneficia ao doador. É um exercício de Purificação Mental, através da prática do desapego. Não somente o Homem mas vários outros seres vivos têm a tendência de acumular bens materiais. Obviamente, nós humanos somos imbatíveis nessa característica. A maioria de nós está sempre preocupada, pensando que algo nos vai faltar amanhã e por isso temos que guardar, guardar e guardar, com medo de não termos no futuro! Com isso, acumulamos bens em excesso e cultivamos em nossa mente o apego a tudo o que temos. A prática de DÁNA PARAMITA nos ajuda a exercitar a generosidade, diminuindo nosso apego, portanto, quem tem por hábito doar, não somente beneficia a um monge e sua missão de divulgar o Dharma, mas também ajuda a si próprio na Purificação Mental.

DÁNA não precisa ser somente para milionários. Você não precisa ter um milhão de reais para fazer uma doação. Toda e qualquer quantia, por menor que seja, sempre é de enorme ajuda para a Comunidade Monástica e um monge consciente de sua missão nunca se sentirá ofendido em receber uma pequena doação, tampouco se tornará arrogante ao receber uma doação de grande quantia. Sendo uma prática de desprendimento e desapego, qualquer quantia que você se comprometa a doar regularmente, passa a ser DÁNA, desde que doada com o coração, com a intenção pura de beneficiar.

Não estou aqui “puxando a braza para minha sardinha”, insistindo que a doação deva ser feita para o Buddhismo. Quem esclareceu que doar para a Bhikshu Sangha (Comunidade Monástica Buddhista) é a maior e melhor das doações foi o próprio Buddha, não eu! Portanto, se agora digo isto é porque é meu dever transmitir o Ensinamento do Mestre a quem sigo. Por favor, pense nisto com atenção e tente praticar ao máximo a Perfeição da Generosidade, este importante exercício de desapego.

Reverendo Sunanthô