A tradução mais comum para SHÍLA PARAMITA é Perfeição da Moralidade. O objetivo é se aprofundar ainda mais na Purificação Mental. Com Dána Paramita, praticamos o desapego, em SHÍLA nos dedicamos a erradicar o mal e praticar somente boas ações, dentro da ética e moral.

Não só no Budismo Theravada, mas em todas as Tradições, consideramos que nossas más ações, cometidas nesta e em vidas anteriores, são chamadas de MAU KARMA e têm um efeito que, cedo ou tarde vai se manifestar. O objetivo de SHÍLA é, através de uma postura moral, diminuirmos o mau karma nesta vida e, ao mesmo tempo amenizarmos o impacto do mau karma que já cometemos no passado. Qual seria então o melhor meio de praticarmos SHÍLA? A orientação básica que o Buddha nos deixou é o que chamamos de PÁNTCHA SHÍLA, Cinco Moralidades, mas conhecidas como Cinco Preceitos de Um Leigo Buddhista. Qualquer pessoa que se proponha a seguir os Ensinamentos do Buddha, deve aceitar uma vida guiada por esses 5 Preceitos, a saber:

1 – Assumir o compromisso de não tirar INTENCIONALMENTE a vida de nenhum ser vivo, por ter consciência de que todos os seres do Universo têm igual direito de tentar ser felizes.

2 – Assumir o compromisso de NÃO TOMAR PARA SI algo que não lhe tenha sido dado pelo legítimo dono, por ter consciência de que toda vez que nos apoderamos de algo que não nos pertence, cedo ou tarde causaremos sofrimento a alguém.

3 – Assumir o compromisso de não praticar NENHUM ATO SEXUAL com outra pessoa sem o total consentimento da pessoa com quem se tem um compromisso de fidelidade, por ter consciência de que a deslealdade, a infidelidade, causam sofrimento à pessoa com quem se compartilha uma vida sexual a dois.

4 – Assumir o compromisso de NÃO FAZER MAU USO DAS PALAVRAS, evitando a linguagem vulgar, xingamentos, intrigas, fofocas, linguagem inútil, ilusiva, excessiva e tantas outras formas de linguagem, por ter consciência de que todas essas práticas causam sofrimento às outras pessoas, além do que nosso tempo é precioso e não deve ser desperdiçado com conversas inúteis, que nada beneficiam o cultivo mental.

5 – Assumir o compromisso de NÃO FAZER USO DE NENHUMA SUBSTÂNCIA QUE ALTERE O ESTADO PURO E NATURAL DA MENTE, seja líquida, injetável, comestível ou inalável, por ter consciência de que somente quando preservamos nossa mente lúcida temos a visão real das coisas e assim evitamos brigas, confusões, tumulto e discórdia. A mente em seu estado puro e natural não tem distorções de ponto de vista e só ela é capaz de se desenvolver e atingir a Iluminação.

Os Cinco Preceitos são o caminho ideal para a prática de SHÍLA PARAMITA. O Buddha enfatizava que, se fosse possível que todos os seres humanos praticassem os Cinco Preceitos, todos os problemas do mundo seriam resolvidos.

Esta é a SHÍLA PARAMITA, a Perfeição da Moralidade no Buddhismo.

भन्ते सुनन्थो

NEKHAMMA PARAMITA é  o firme compromisso de deixar de lado as coisas mundanas, renunciando ao modo de vida que a maioria das pessoas leva. O mundo é cheio de prazeres ilusórios, consumismo, fantasias e coisas atraentes. Na busca de alcançar a felicidade, as pessoas cada vez mais se envolvem com o mundo. A palavra NEKHAMMA significa RENÚNCIA, por ser justamente a conscientização de que só se afastando de tudo que é vulgar, mundano e baixo podemos realmente purificar a mente.

Para algumas pessoas isso não é uma tarefa difícil. Por efeito da prática em vidas passadas, sentem naturalmente uma aversão a tudo o que é vulgar e impuro e procuram viver uma vida de elevação mental. Entretanto, a maioria das pessoas sente um enorme fascínio por tudo aquilo que é baixo, vulgar e imoral, agindo como insetos que se deixam atrair por aquelas armadilhas com a luz azul e uma tela eletrificada que os matam ao primeiro toque.

Não há como pensar em Purificação Mental e continuar se enchendo de substâncias tóxicas como cerveja, vinho, uísque e outras bebidas, isto sem falar das drogas – tanto as leves como o cigarro, até as mais pesadas, que parecem ser cada vez mais consumidas. É uma simples questão de escolha: o vultar e prazeroso ou o Superior e equilibrado. Ficar oscilando entre um e outro, tentando se enganar de que há um real interesse pelo Treinamento Buddhista e continuar se entregando aos prazeres sensuais, é tão perda de tempo quanto se banhar e perfumar e em seguida mergulhar na lama ou num depósito de lixo!

Nekhamma Paramita é um auto-comprometimento, uma atitude pessoal e consciente de RENÚNCIA, não é algo passageiro nem para agradar aos outros. Somente assim será realmente um caminho efetivo para a Iluminação.

भन्ते सुनन्थो

PRAJNÁ, significa SABEDORIA. Ser sábio, na ótica do Buddhismo, não quer dizer saber várias coisas, nem ter cultura geral… Muita gente sabe várias coisas, conhece muitos assuntos e fala demais. Nem por isso pode ser chamado de sábio. A PRAJNÁ PARAMITA se refere ao entendimento profundo e correto das Quatro Nobres Verdades, o coração do Ensinamento do Buddha. Quem consegue realmente compreender e vivenciar a cada momento esse Ensinamento tão importante, consegue atingir a Perfeição da Sabedoria.

Tornar-se um Sábio verdadeiro é uma tarefa que exige esforço, paciência, muita perseverança. As Quatro Nobres Verdades, um Ensinamento comum a todas as Tradições Buddhistas, parecem simples, mas devemos sempre ter em mente que elas foram ensinadas por um ser totalmente iluminado (O Buddha), com uma didática absolutamente perfeita e uma incrível capacidade de sintetizar algo extremamente profundo. O que, na teoria, parece simples e até óbvio, na prática se torna tão difícil que o próprio Buddha pensou em guardar para si mesmo o que havia descoberto no momento da Iluminação. Portanto, não devemos subestimar a grandiosidade das Quatro Nobres Verdades e, sem perda de tempo, nos dedicar ao máximo ao entendimento delas.

भन्थे सुनन्थो

VÍRIYA  é a Paramita normalmente traduzida como “ESFORÇO”, mas é preciso termos cuidado com o sentido desta palavra. Muitas vezes podemos associar esforço a algo exaustivo, sacrificante e talvez até doloroso e sofrido. No Budismo Theravada há uma certa tendência a exagerar esta questão de “sofrimento” e isto às vezes dá a esta Tradição um aspecto de negativismo, quase derrotismo! Ora, quando temos a certeza de que vamos conseguir algo grandioso, quando sabemos que nosso esforço não é inútil, não há lugar para negativismo em nossa mente!

O Buddha percorreu o Caminho todo até a Iluminação e conseguiu, ou não seria O BUDDHA, portanto, ele fez a parte mais difícil, que era justamente “desmatar a trilha” para quem viesse em seguida porder percorrê-la com menos dificuldade, pois a garantia de sucesso já existe. Esta é uma ótima razão para que VÍRIYA seja um esforço cheio de alegria, otimismo, confiança de que o resultado será positivo.

É preciso desfazer essa imagem negativa de que o Buddhismo só fala de sofrimento, como se não houvesse nada de bonito ou positivo no fato de estarmos vivos neste mundo! Buddistas devem ser alegres, positivos, otimistas e verdadeiros apreciadores da beleza do mundo (claro que sempre cientes da realidade e impermanência das coisas!!). O Buddhismo trata da CERTEZA DO FIM DO SOFRIMENTO e não pode haver nada mais positivo do que isto, não é mesmo? Portanto, praticar a VÍRIYA PARAMITA é seguir adiante com energia positiva, com disposição a cada dia, sem se mortificar mas, ao mesmo tempo, sem indolência e desânimo. Como um atleta que se prepara com horas de treino diário e embarca para uma competição com a confiança de conquistar uma medalha de ouro, assim também o praticante do Buddhismo deve seguir a cada dia, na certeza de que alcançará a Iluminação!

भन्ते सुनन्थो (Bhantê Sunanthô)

KSHÃNTI em Sânscrito ou KHÃNTI, em Páli, significa PACIÊNCIA, portanto esta é a PARAMITA DA PACIÊNCIA. O Buddhismo está cheio de fatos reais e também lendas onde fica bem exemplificado que a paciência é uma virtude a ser cultivada.

Alguns modos de permitir que KSHÃNTI cresça em nossa mente são a percepção de que os fatos da vida nem sempre acontecem de acordo com nossa vontade e também de que as pessoas não são exatamente do jeito que queremos ou esperamos que sejam. Se compreendermos isto e mantivermos estes dois conceitos sempre em mente, isso já será um grande passo no cultivo de KHANTI PARAMITA.

No mundo em que vivemos, parece que as 24 horas do dia não são suficientes para cumprirmos todas as tarefas do dia a dia. A maioria das pessoas quer resultados imediatos para todas as suas expectativas, compromissos, investimentos, aspirações… Tudo tem que ser atingido dentro de prazos cada vez mais curtos – patrões cobram dos empregados mais e mais eficiência, professores tornam alunos cada vez mais competitivos, donas de casa utilizam cada vez mais aparelhos eletrônicos para diminuir o tempo que levariam para cumprir suas tarefas… Como resultado disso, a ansiedade e a frustração crescem em ritmo acelerado. Ninguém tem paciência de ouvir, ninguém quer perder tempo com “coisas lentas”. No “mundo do google”, basta entrar com uma pergunta e clicar uma tecla para se receber uma informação instantânea, por mais resumida e superficial que possa ser.

Com tanto avanço tecnológico, os idosos são descartados por serem lentos, os pais brigam com seus filhos por viverem numa vida que exige deles cada vez mais horas no trabalho e falta paciência quando chegam do escritório. Por sua vez, os filhos perdem a paciência com seus pais, pois têm perguntas cada vez mais acumuladas para as quais os pais não têm resposta ou não têm tempo de ouvir e isto aumenta cada vez mais a distância entre os membros da família…

O mundo precisa de PACIÊNCIA. Paciência com as imperfeições das pessoas, paciência com aqueles que nos cercam, baseados no fato de que a vida é do modo que é, não como a imaginamos ou esperamos ansiosamente que se torne. Quando cobramos menos de nós mesmos e entendemos nossas limitações com compaixão, começamos a ver que a KSHÃNTI pode e deve ser aplicada em nós mesmos. Assim, nos tornamos menos exigentes, menos nervosos, menos ansiosos e podemos, também com uso da compaixão, entender que todos devem ser tratados com a mesma paciência que gostamos tanto de receber. Vendo as limitações e medos das outras pessoas e compreendendo que elas são exatamente como nós, fica bem mais fácil desenvolver a PARAMITA DA PACIÊNCIA.

भन्ते सुनन्थो

SÁTCHA (também com a grafia “SACCA”) é a PARAMITA DA VERDADE, honestidade. É importante explicar aqui o que é considerado como VERDADE na ótica do Buddhismo. Todos nós tendemos a considerar nossos próprios conceitos e opiniões como verdadeiros e muita gente é capaz de voar em cima de alguém e brigar até a morte para defender o que considera como verdade absoluta. Aliás, é em nome de certas “verdades” que tantas guerras e conflitos vêm abalando o mundo ao longo da história – o apego a opiniões erradas gera na mente humana uma irresistível vontade de impor, forçar outras pessoas a pensarem da mesma forma. Toda vez que isso não acontece, surge a raiva e dela o ataque, o impulso de obrigar todos a aceitarem uma “verdade pessoal”. Quanto mais nos desprendemos de conceitos arraigados e tentamos ver as coisas à luz da Sabedoria em vez de sermos radicais e apegados, mais abriremos nossa mente para a realidade do mundo.

O Buddhismo explica como VERDADE aquilo que o Buddha nos deixou como herança, que são as QUATRO NOBRES VERDADES (Dukkha, Samudaya, Nirodha e Magga), o coração do Ensinamento do Buddha e comum a todas as Tradições Buddhistas. SACCA PARAMITA não é a verdade baseada em conceitos pessoais ou distorcidos, mas sim a análise profunda, clara e consciente do que o Buddha nos transmitiu. Quando somos capazes de ver as coisas do mundo de acordo com o Ensinamento Buddhista, então tomamos consciência de uma VERDADE que é válida não somente em nosso pequeno mundo, mas em todos os cantos do Universo. À compreensão desta VERDADE, chamamos de SACCA PARAMITA.

भन्ते सुनन्थो

(Bhantê Sunanthô)

ADITTHÁNA significa DETERMINAÇÃO, COMPROMETIMENTO ou RESOLUÇÃO. Portanto é com esta Paramita que seguimos adiante. Ela difere de Víriya e, ao mesmo tempo estão interligadas. Em Víriya fazemos o esforço, com alegria, para seguirmos adiante. ADITTHÁNA é o comprometimento de que vamos até o fim. Não é como tantas “promessas de fim de ano”, quando as pessoas dizem coisas que realmente não têm intenção de cumprir.

Quando temos a certeza de que algo realmente é bom para nós, é o Caminho certo e uma escolha da qual não vamos nos arrepender, então assumimos para nós mesmos e não para mostrar para os outros, um comprometimento de irmos até o fim. Quando nos estabilizamos nessa determinação, as coisas que antes nos pareciam tão difícieis – como deixar de consumir intoxicantes ou parar de usar linguagem vulgar, por exemplo – deixam naturalmente de ser parte de nosso modo de ser e já não nos fazem falta.

Com a DETERMINAÇÃO, não há maus conselhos que nos desviem do Caminho, não há mais incertezas e, mesmo que cometamos falhas eventuais (afinal, somos humanos) estamos cientes de que elas não nos decepcionarão a ponto de mudarmos de idéia quanto à Prática da Purificação Mental que nos conduz à Iluminação. Assim, seguimos adiante, firmes em nosso propósito. Se relaxarmos um pouco na prática, logo percebemos isto e nos esforçamos mais um pouco! Sem sacrifício, sem obstinação, sem conceitos de culpa nem exigências excessivas de nós mesmos. Porém, é com a PARAMITA DA DETERMINAÇÃO que seguimos adiante!

भन्तो सुनन्थो