नमस्ते! (Namaste!)

Compaixão e pena são sentimentos diferentes e não devem ser confundidos. Sentir pena de alguém é colocar-se num patamar superior ao do outro e, do alto, olhar para baixo com a sensação interior: “Coitado, está sofrendo…” Já a COMPAIXÃO, é nobre porque é resultado de inúmeros exercícios praticados em vidas anteriores, num trabalho de interiorização e controle de sentimentos, portanto, a COMPAIXÃO é desenvolvida aos poucos – não se adquire de imediato. Quem cultivou a compaixão, é capaz de SEM ENVOLVIMENTO EMOCIONAL, se colocar na posição do outro, na exata situação que o outro está vivendo e ajudar ao máximo, superando obstáculos até que a situação esteja totalmente resolvida. Isto porque a pessoa com compaixão SE TORNA O OUTRO mas com as forças que já faltam a ele para resolver o problema que está vivendo. A COMPAIXÃO é altruísta, dinâmica, sincera, pura e ilimitada. É ela que vemos quando pessoas que tem pouco ou quase nada compartilhando comida e bens com outras pessoas. Nesta semana, por causa das inundações em Alagoas e Pernambuco, vi no noticiário uma dona de casa que abriu as portas de casa para abrigar 3 famílias que perderam tudo. Ela está cozinhando e cuidando de mais de 20 pessoas. O que mais me chamou a atenção é o fato de que a dona da casa está dormindo NO CHÃO, porque cedeu sua cama a uma senhora com problemas cardíacos, que ela nunca tinha visto antes. Isto é a COMPAIXÃO a que me referi acima… Ela poderia pensar:”Já estou fazendo o bastante, pondo essa gente toda dentro de casa… Pelo menos tenho direito de continuar na minha cama!” Mas, como é a COMPAIXÃO que a leva a ser tão generosa, ela abre mão também de sua cama até que o problema de todos esteja resolvido da melhor maneira possível. Um Centro Buddhista tem que ser uma “Central de Desenvolvimento da Compaixão” uma USINA PRODUTORA de COMPAIXÃO. O Ensinamento Buddhista é baseado nesse sentimento tão nobre e importante, por isso, a Vihara tem o dever de ser um local onde quem já alcançou o grau de desenvolvimento mental para se tornar compassivo, pode ter a chance de praticar, usando o local para fazer o bem a quem necessita. Para os que ainda estão menos desenvolvidos no cultivo da COMPAIXÃO, também a Vihara é um local perfeito para que, através do exemplo dos outros e num ambiente puro e favorável esse sentimento possa se desenvolver mais, com maior rapidez na mente do praticante. De uma forma ou de outra, é através da generosidade, renúncia, desapego e doação – tanto de tempo quanto de bens materiais – que a COMPAIXÃO é exercitada e desenvolvida. Quem não tem tempo para doar e não pode nunca fazer uma doação – por menor que seja, dificilmente desenvolverá em si a COMPAIXÃO e ficará limitado ao sentimento isolacionista da PENA, porque sentir pena é manter-se isolado, lamentando à distancia a situação de quem necessita de ajuda. Quanto maior a dedicação e o envolvimento do praticante com a Vihara, quanto mais presente e atuante a pessoa estiver, mais fácil será o cultivo da COMPAIXÃO e portanto, maior será o desenvolvimento mental dentro do Buddhismo, como Caminho seguro, infalível, rumo ao fim de tudo aquilo que nos causa instabilidade, ansiedade, angústia e tantas outras aflições ao longo de cada existência. Fiquem em Paz e protegidos!

भन्तो सुनन्थो

Bhantê Sunanthô