नमसते!

O conceito de SAMSARA não é reconhecido apenas no Budismo Theravada ou nas demais Tradições Buddhistas, mas vem do Hinduísmo, de onde o Buddhismo se formou.

Chamamos de SAMSARA o ciclo de renascimentos no qual estamos prisioneiros há bilhões e bilhões de anos, num passado infinitamente longo e que não podemos nem imaginar quando começou. O fato é que,  o Buddha nos explicou que, movidos pela Lei do Karma, a contabilidade de nossas ações positivas e negativas nos leva a um novo renascimento (não necessariamente reencarnação) após completarmos um ciclo de vida.

Em linhas gerais, todos os seres sensientes (seres que têm vida e consciência de sua existência) vêm renascendo, vagando pelos Reinos da Existência ou formas de renascimento sucessivos: Reino dos Demônios, Reino dos Fantasmas Famintos, Reino dos Animais, Reino dos Seres Humanos, Reino dos Semi-Deuses (ou Ashuras) e Reino dos Seres Celestiais (ou Reino dos Deuses, Devas).

Em cada um desses Planos Existenciais, passamos determinada quantidade de tempo, porém, nenhum deles é eterno porque, tão logo o karma que nos conduziu àquele renascimento seja consumado, seremos “transferidos” para outro Reino da Existência e lá permaneceremos, sempre de acordo com a qualidade do karma que produzirmos – toda vez que produzimos bom karma, evoluímos. De forma semelhante, todo mau karma que praticarmos sempre nos conduzirá a formas inferiores e cada vez mais infelizes de renascimento.

As Escrituras Buddhistas mencionam vários tipos de Reinos dos Infernos onde renascemos como Demônios. Isto pode ocorrer quando praticamos crimes hediondos, genocídios, matricídio, patricídio ou quando assassinamos pessoas que se dedicam a praticar somente o bem – monges, sacerdotes etc. O Buddha enfatizou que quem destrói templos e locais sagrados também renascerá como demônio. A energia negativa de quem pratica tais crueldades remete o praticante a uma existência num universo paralelo onde o sofrimento é grande, por tempo equivalente a milhões de anos na nossa contagem terrestre e vários níveis de sofrimento são experimentados por quem tem esse terrível destino.

Igualmente terrível é o sofrimento de pessoas que não compartilham seus bens com ninguém – mesquinhas, avarentas, sempre querem acumular mais e mais coisas materiais e têm medo que algo lhes falte se forem generosas. O mau karma que produzem durante a vida as conduzirá ao renascimento no Reino dos Fantasmas Famintos, conhecido como Pêtas. As Escrituras descrevem essas criaturas infelizes como seres de corpo imenso e lerdo, pescoço muito longo e fino e cabeças pequenas. Mesquinhas, famintas e sempre brigando por migalhas e restos de comida, vagam por locais escuros e desolados. Também passarão nesse lugar milhares e milhares de anos em nossa contagem de tempo, aguardando que o mau karma praticado se expire.

Acima desses dois renascimentos terríveis está o Reino dos Animais, nossos parceiros de existência neste mundo, com uma infinidade de formas de vida. Vivem inseguros, brigando, com medo, num mundo onde uns devoram os outros e tudo é motivo de disputa, quer seja por comida, quer seja para a reprodução. Todos têm o instinto de sobrevivência e, mesmo os animais que chamamos de domésticos, enfrentam dificuldades a vida toda: são atormentados por pragas e parasitas, são aprisionados, executados e vivem à disposição das vontades que nos humanos impomos a eles. Acima de tudo, são totalmente incapazes de assimilar Ensinamentos profundos que os leve ao cultivo mental. Mesmo os animais considerados mais desenvolvidos, como macacos, baleias e golfinhos ainda são incapazes de criar máquinas ou falar diferentes idiomas como nós humanos. Embora convivam conosco, são prisioneiros de um plano inferior de existência.

Pessoas que, durante a vida brigam o tempo todo, se ocupam em criar discórdia – com ou sem motivo, disputam a todo momento, movidos pela inveja, rancor, egoísmo… Sempre achando que podem tomar o que não lhes pertence e que são merecedoras de coisas que pertencem aos outros. A esse tipo de gente a Lei do Karma remete ao Reino dos Semi-Deuses, aos quais as Escrituras buddhistas descrevem como seres gigantescos, de aparência terrível e animalesca. Brigam entre si, vivem do prazer de causar guerras e conflitos armados. Invejam uns aos outros e por isso estão sempre desconfiados e prontos para atacar. Apesar de tanta agressividade, alguns são capazes de evolução mental, ouvindo Ensinamentos e os que têm tal sorte, podem renascer como Humanos após milhares de anos na forma de Ashuras, como também são chamados.

Quem durante a vida como Humano se dedicou a futilidades, numa vida neutra e cheia de prazeres, se ocupando com festas, prazeres sensuais, música, bebida, rodas sociais onde o tempo foi perdido com tolices e muito pouco cultivo da Sabedoria, após esta existência será encaminhado pela Lei do Karma a um dos muitos Reinos dos Seres Celestiais ou Reinos dos Dêvas (deuses).

Aqui, é importante não confundir com algo permanente ou paraíso como o Céu para os cristãos. Muito menos devemos fazer confusão com NIRVANA! Renascer como Dêva ou Deví (feminino) é passar milhões e milhões de anos numa dimensão paralela à nossa, num Universo Paralelo de onde todos os que lá estão, cedo ou tarde sairão, tornando a renascer como humanos, porque essa forma de existência é tão parte do ciclo de renascimentos quanto todos os outros reinos que já expliquei. Os Dêvas, após milhões de anos numa vida de prazeres, com beleza física inigualável, poderes mágicos e porte atlético começam a envelhecer, decair, perder os poderes e atrativos físicos. Só então se apercebem do quanto desperdiçaram tempo. Ridicularizados por Dêvas mais novos, desprezados pelos mais bonitos, percebem a importância de renascer em um mundo onde possam se dedicar ao cultivo mental. Que mundo então seria este? O Reino dos Humanos!

Somente nós Humanos temos a grande oportunidade de avaliar corretamente nossas vidas. É como Humanos que temos a rara oportunidade de evoluir mentalmente a ponto de atingirmos a Iluminação. O ponto chave do Buddhismo, o objetivo da prática Buddhista é nos libertarmos do SAMSARA e o único modo de quebrar esse infinito círculo de contínuos renascimentos é alcançarmos o NIRVANA, a Iluminação. Somente quando nos iluminarmos pararemos de renascer.

O Nirvna é o fim do Samsara.  Significa o rompimento, a queda das barreiras que nos mantêm presos durante tanto tempo. Portanto, não podemos desperdiçar uma chance tão rara e preciosa. Se compararmos o período de vida útil como Humanos ao tempo que passamos quando renascemos num Reino Inferior da Existência ou nos Reinos Celestiais, veremos que realmente não podemos perder tempo e devemos nos ocupar ao máximo com o cultivo mental, pois não sabemos quando teremos outra oportunidade tão preciosa. Praticando o cultivo mental, evitando mau karma, nos dedicando à produção de bom karma, na pior das hipóteses teremos assegurado um novo renascimento como Humanos e nova chance de continuar a evoluir.

Esta é uma breve e simples explicação sobre o Samsara. Espero eu que tenha sido esclarecedora!

भन्ते सुनन्थो