setembro 2010


नमस्ते!

Um dos Preceitos para quem quer seguir os Ensinamentos do Buda diz que não devemos ingerir qualquer substância que possa alterar o estado puro e natural de nossa mente. Na verdade, é uma recomendação que deveria ser seguida por todos, não só por Budistas.
Algo que não concordo é a famosa definição que a maioria das pessoas usa para justificar o consumo de bebidas alcóolicas: “Eu bebo SOCIALMENTE”… Ora, ora, caros leitores… Acho isso uma grande tolice! Há milhares de anos o ser humano, em todos os cantos do mundo, vem usando substâncias intoxicantes, principalmente o álcool e bebidas fermentadas para alterar o funcionamento da mente e fazer todo tipo de coisas erradas: euforia, orgias, infidelidade sexual, acidentes, violência urbana e doméstica, atos inconsequentes, crimes passionais e até assassinatos. A isto se chama “beber socialmente”?? Será mesmo que a Sociedade precisa do álcool, isso sem mencionar os tantos outros tipos de drogas?
As pessoas acham que têm que beber para relaxar, para descontrair, para aliviar a tensão após um dia cansativo ou uma semana de trabalho. Também acham que não tem graça assistir uma partida de futebol sem tomar cerveja. O consumo de álcool se torna quase que inseparável de qualquer comemoração. TODO evento social tem que ter bebidas alcóolicas, e, mesmo que o organizador do evento não beba, por medo de desagradar os convidados, acaba servindo álcool… Triste isso!
Antes de conhecer o Budismo e começar a praticá-lo eu costumava beber e não foram poucas as vezes que me excedi, passei em muito do limite. Também não foram poucas as tolices que fiz por causa das bebidas, portanto, não pensem que falo como um puritano moralista que nunca bebeu e não sabe nada do assunto!
O fato é que nunca conheci alguém que enchesse o primeiro copo com a intenção específica de ficar bêbado! Todo mundo bebe “SÓ PARA”… só para relaxar, só para criar coragem, só para comemorar… E é justamente aí que se perde o limite, que se perdem a pureza da mente e o controle das atitudes.
Quem permanece sóbrio não acha graça nenhuma nas tolices e inconveniências de quem bebe. Não tem nada de divertido em levar um amigo bêbado para casa, nem em ver alguém vomitar no assento do carro. Só quem é acordado no meio da noite para tirar um filho da delegacia ou para receber a notícia de que ele está no hospital sabe que beber “socialmente” é uma grande tolice, uma “desculpa esfarrapada” para justificar uma fraqueza desnecessária.
É fim de ano e época do aumento do consumo de álcool e de drogas. Meu apêlo é para que as pessoas reflitam sobre esta matéria e tentem celebrar as Festas de Fim de Ano em paz e harmonia, sem álcool, sem intoxicantes. Sem alterarem a pureza do estado mental, com certeza, tanto o Natal quanto o Ano Novo serão muito mais felizes!

Namaste!

सुनन्थो भिक्षु
REV. SUNANTHÔ BHIKSHÚ

“Se você, leitor, gosta dos Ensinamentos contidos neste Blog e acha que lhe são úteis no cultivo mental, considere fazer uma doação, mesmo que seja pequena, para ajudar na divulgação do Buddhismo Theravada Brasileiro. Os dados da conta se encontram no Blog.”

NAMASTÊ!

É bastante natural que todos nós tenhamos expectativas e planos para o futuro. Na verdade, estamos constantemente querendo algo ou deixando de querer coisas. O que temos e não nos agrada, queremos que se afaste de nós o quanto antes – queremos nos ver livres, se possível definitivamente. Já as coisas que queremos e ainda não temos, mal podemos aguardar para que passem a ser nossas. Quanto ao que gostamos, fazemos de tudo para que nunca se acabe e isto chega a incluir nossa aparência física – o que achamos bonito e invejável em nosso corpo, deve permanecer assim “para sempre”, não importa o quanto gastemos para isso. Assim, desde pequenos somos treinados a esperar, ansiosamente, por algo que vai nos recompensar, trazer felicidade. “Criança que se comporta bem, Papai Noel traz presente! Mas só no fim do ano!” “Se comer a salada, ganha sorvete! Mas tem que comer tudo!” “Se ganhar o campeonato, ganha medalha de ouro!” “Se passar no vestibular, ganha um carro!” “Se for o melhor empregado da firma, ganha uma promoção!” Essas “FELICIDADES MOMENTÂNEAS” estão sempre projetadas no futuro e sempre se acabando. O sorvete só vem após a salada e, depois de comido, a criança nem se lembra mais dele… A medalha de ouro, se realmente conquistada, vai pro fundo de uma gaveta e vira recordação do passado. O carro “do ano” perde esse título tão logo o calendário traga um novo ano, juntamente com um modelo mais avançado e, tanto esforço para ser o melhor empregado da firma tem como recompensa um aumento de salário que, logo logo você percebe que não foi tão grande para comprar tudo o que esperava. O fato é que, sempre procurando uma felicidade que ainda virá, nunca estamos satisfeitos, nunca o que temos nos basta. Quando, perdidos em memórias, nos prendemos a um passado que jamais vai voltar, não nos lembramos que também reclamávamos e nos lamentávamos sobre milhões de coisas e esperávamos a vinda da felicidade no futuro – que nada mais é que o momento atual, o presente! E foi exatamente nesse ponto que o Buddha descobriu sua felicidade! Ele, após uma juventude inteira onde não era feliz, mesmo cercado de todos os bens materiais e transitórios, praticou durante seis anos todo tipo de tentativa de ser feliz e, finalmente chegando a um estado de sofrimento físico e mental que, também não o tornou feliz e quase o levou à morte, entendeu que nem no excesso tampouco na falta total de bens materiais encontraria a tão sonhada felicidade. Só quando parou de se projetar no futuro em busca de ser feliz e, com clareza viu o MOMENTO PRESENTE, Siddhartha Gautama viu que a felicidade estava e sempre esteve ali mesmo, dentro dele, esperando pelo momento de ser descoberta. Isto porque a felicidade está na calma mental e é encontrada quando somos capazes de aquietar nossa mente, silenciando nossas ansiedades e desejos descontrolados. Quando esse “milagre buddhista” acontece, nos tornamos buddhas e nossas mentes transbordam de uma felicidade que em nosso estado atual de evolução, não somos capazes de entender, mas rotulamos como NIRVÁNA, a mente iluminada, que superou todas as dificuldades e obstáculos, por isso, não mais vai renascer porque não é mais prisioneira do constante ciclo de renascimentos (Samsara) no qual estamos prisioneiros. O Caminho para o Nirvana é o CONTENTAMENTO. Não quero dizer com isto que devamos ser passivos, alienados, desmotivados ou indolentes – muito pelo contrário! Aliás, é mais do que tempo de acabar com esse conceito errado de que buddhistas, a começar por nós monges, não fazem nada e passam o dia inteiro meditando, como se fôssemos drogados ou abobalhados diante da vida. Um verdadeiro buddhista é dinâmico, consciente de seus deveres, sábio ao utilizar seu tempo, pois sabe que ele não deve ser desperdiçado! Ter planos para o futuro, metas a serem atingidas, objetivos na vida, tudo isso é Buddhismo, mas o erro está quando, ingenuamente, depositamos todas as nossas expectativas e probabilidade de sermos felizes na falsa certeza de que tudo sairá como planejamos ou quando nos tornamos gananciosos. A ambição é uma virtude, uma qualidade do ser humano que nos dá forças para prosseguir, sem desanimar. Não deve ser confundida com a ganância que é o sentimento de querer mais e mais, custe o que custar, prejudicando aos outros para atingir objetivos sejam eles bons ou ruins. É a ganância e não a ambição que afirma a tolice de que “O fim justifica os meios”. A ambição cumpre sua missão quando chega o CONTENTAMENTO. Atingimos um objetivo, ficamos felizes – contentes. Daí, podemos ambicionar outras metas e novamente nos empenhamos em seguir adiante, na certeza de que a vida é feita unicamente de momentos alegres e tristes que se intercalam. Assim, levamos uma vida saudável na qual temos tempo de aproveitar a plenitude dos momentos de felicidade, refletir sobre a tristeza que nos acompanha e, com Sabedoria, planejarmos nossas próximas ações. Portanto, quem passa a vida procurando a felicidade no momento seguinte, nunca no presente, age como um cachorro tentando pegar o próprio rabo e está sempre culpando a tudo e a todos, se frustrando e consumindo a si próprio na amargura. O Buddhismo é a arte de viver bem o momento presente. Afinal, do passado só trazemos conosco lembranças inúteis e o futuro, por mais rápido que possa chegar, é totalmente especulativo e incerto, portanto, só nos resta ser felizes com o que temos no aqui e agora! É unicamente aí que está nossa FELICIDADE.

Fiquem em Paz e protegidos!

Rev. SUNANTHÔ

(Desde que me identificando como autor e acrescentando meu endereço para contato, todas as matérias que envio podem e devem ser passadas a mais e mais pessoas, para que o Buddhismo seja divulgado. Aos que o fizerem, meu sincero agradecimento!)

A todos, Namastê!

Uma frase buddhista que costuma causar controvérsia e curiosidade nas pessoas diz o seguinte: “Quaisquer que sejam os seus hábitos, tanto os bons quanto os maus – diminua-os!” A maioria das pessoas entende com facilidade que, assim como nas religiões, o Buddhismo também aconselhe que os maus hábitos sejam diminuídos, mas, o que pouca gente consegue perceber é a necessidade de diminuir também as boas coisas que temos o hábito de fazer! Tendemos a achar que, se é bom, deve continuar para a vida toda… Na verdade, a mente humana quer sempre manter “por uma eternidade” tudo aquilo que a agrada e se apega a essas coisas que, infelizmente (será?) nunca poderão durar para sempre. Daí, é inevitável que surjam frustração, nostalgia, mágoa, ressentimento, saudade e tantas outras inquietudes mentais, às quais chamamos tecnicamente de DÚKKHA – toda e qualquer alteração no estado puro e tranquilo da mente.
Um exemplo que sempre menciono é o de um bom aluno que tive, num dos primeiros Grupos que orientei pela internet quando eu ainda morava na Ásia. Ele era de Sorocaba, ainda jovem, casado e professor de Aikido. As aulas eram de manhã na Tailândia e, por causa do fuso horário, aqui eram 21:00h. quando eu começava a transmitir Ensinamentos… Naquela época, havia muitos alunos e a maioria deles participava das aulas com bastante interesse, incluindo esse do qual estou falando. Em dado momento das aulas, ele sempre demonstrava uma certa ansiedade em encurtar o assunto, acelerando o fim da aula. Por vezes me interrompia no meio de uma explicação e isso chegava a assustar os demais alunos. Um dia, resolvi perguntar a ele, em particular, se ele realmente tinha pressa em terminar a aula ou se seria impressão minha. Ele me explicou que, desde que se casou, tinha o saudável hábito de, junto com a esposa, acordar bem cedo para verem da varanda o Sol nascendo. Assim, como as aulas eram no domingo à noite, ele tinha pressa em ir dormir para não deixar de ver o Sol nascer.
Eu elogiei o comprometimento dele com a esposa e disse que é muito bom ver um casal que, após alguns anos juntos ainda mantêm um hábito romântico e bonito… Porém, lembrei a ele o quanto é rara a oportunidade de ouvir e estudar o Dharma, mais ainda quando falado em Português, dentro de casa e gratuitamente. Perguntei a ele se não seria possível, uma única vez por semana, que eles deixassem de ver o nascer do Sol e, juntos, pudessem aproveitar mais tempo da minha aula.
Embora aparentemente ele concordou comigo, nunca mais entrou online para assistir as aulas. É a esta diminuição dos bons hábitos que a frase acima se refere. Se nos tornarmos APEGADOS a algo de bom, a ponto de passarmos a ser escravos de um horário, de um hábito, de uma prática qualquer, por melhor e mais proveitoso que o hábito seja, ele passará a ser nocivo e deverá ser diminuído!
Todos nós temos a tendência de dizer: “Eu sou ASSIM e pronto!” “Já estou muito velho para mudar meu jeito, eu sou ASSIM!” “Meu modo de ser é ASSIM mesmo, quem não estiver satisfeito que se afaste!” Toda vez que pensamos deste modo, estamos nutrindo a mente com um conceito tolo e infantil. O Buddhismo é a arte de cultivar a mente, numa evolução constante que só termina quando atingimos a Iluminação, que é justamente a ausência total e definitiva de qualquer conceito! Portanto, se SER ASSIM (ou assado!) fosse algo definitivo e absoluto, ninguém jamais alcançaria a Iluminação.
É por isso que inventei a palavra título desta matéria: “DESASSINZAR-SE”, que seria o empenho constante e gradativo para DEIXAR DE SER ASSIM e, saindo da estagnação, progredir continuamente, rumo ao Nirvána, o estado mental de se tornar um buddha.
Há muitas situações que a vida nos leva a ser de um ou de outro modo e nos parece impossível mudar isto. Através da prática do Buddhismo, vemos que, na maioria das vezes é por comodismo, preguiça ou medo de mudar que temos tantas manias, apegos, intolerâncias, preconceitos e muitos outros obstáculos. À medida que passamos a conhecer a nós mesmos, sem medo de nos encararmos frente a frente como realmente somos, passamos a nos “desassinzar”, mudando tantos “assim” que carregamos ao longo da vida.
Todos nós temos muito ainda para “desassinzar”. O importante é não ter medo da mudança e nunca, mas nunca mesmo, achar que é muito tarde para mudar. Quando nos limitamos, bloqueamos nossas metas e nos tornamos lentos e obstruídos. Nossa mente é capaz de milhões de coisas que nem ao menos podemos imaginar! Só quando estamos realmente dispostos a vencer o obstáculo do “ser assim e ponto final!” é que realmente podemos aceitar as mudanças que o Buddha nos propôs, afinal, se ele não tivesse “se desassinzado”, provavelmente continuaria na vidinha cômoda, segura e confortável do palácio de seu pai e o mundo nunca teria descoberto as verdades iluminadoras do Buddhismo!
Fiquem todos em Paz e protegidos!

Reverendo Sunanthô
Monge Buddhista, Fundador do
Buddhismo Theravada Brasileiro

Namaste!

Parece impossível para a mentalidade ocidental e, talvez ainda mais para o brasileiro, entender a forma como o Buddhismo é estruturado! Tão diferente da mentalidade de nosso povo, o conceito de DÁNA é algo que custa muito para o brasileiro assimilar.
DÁNA é uma das 10 Perfeições do cultivo mental e, portanto, uma prática indispensável para quem quer alcançar o fim dos obstáculos mentais. Não se trata de esmola ou caridade no conceito cristão destas palavras, mas sim de uma poderosa prática de DESAPEGO, gradativo e constante, dos bens materiais que temos em excesso ou que podemos nos desfazer.
Numa sociedade capitalista e vorazmente competitiva, somos, desde pequenos, ensinados e estimulados a acumular posses. Somos instruídos de que as coisas podem nos faltar e, portanto, devemos guardar, colecionar, ter fartura e excesso como garantia de que teremos tudo a todo momento. Quem de nós nunca se admirou ao encontrar no fundo do guarda-roupa ou numa gaveta algo que nem nos lembrávamos que existia? É sobre isto que o Buddhismo fala – não acumular coisas simplesmente por apego a elas!
Está enganado quem pensa que o Buddhismo prega a POBREZA e é contra a riqueza. Na verdade, o Buddha teve seguidores de todas as classes sociais, muitos deles eram reis, joalheiros, ricos comerciantes e milionários. Todas as vezes que eles fizeram doações ao Buddha e à sua Comunidade de Monges, elas foram aceitas do mesmo modo que o que foi doado por seguidores pobres, sem qualquer diferenciação. Isto porque DÁNA não é uma questão de valor, não é uma demonstração de poder ou de estatus social mas sim um exercício de desapego, no qual o DOADOR GANHA através do cultivo mental, da purificação da mente em, com compaixão e desapego, doar para alguém que necessita algo que tinha acumulado.
Ao mesmo tempo, o monge pratica a equanimidade e a humildade ao aceitar a doação. Ao recebê-la, o monge mantém em mente que está ajudando o doador no cultivo mental e renova seu sério compromisso de ser forte para viver unicamente do que lhe é doado. Isto não é fácil num país onde as pessoas não entendem este estrutura única do Buddhismo e não fazem doações.
É preciso entender DÁNA como uma troca de benefícios. O monge recebe algo que necessita e, humildemente, mantém sua condição de depender totalmente da generosidade alheia para sobreviver. O leigo, por sua vez, se engrandece através da nobreza do ato de doar, cultivando o desapego, gerando bom karma e a certeza de que está favorecendo a divulgação do Buddhismo, e, consequentemente, a harmonia, paz, tolerância, entendimento entre os povos e tantos outros benefícios que os Ensinamentos do Buddha trazem ao mundo.
A prática de DÁNA é a base do Buddhismo, é o alicerce sobre o qual a estrutura Buddhista vem se mantendo há quase 3 mil anos. Na Ásia esta cultura sempre foi assimilada e em países como os Estados Unidos, Austrália e várias nações européias, com maior ou menor dificuldade, DÁNA vem sendo aceita e praticada porque as pessoas entendem que é assim que as coisas devem continuar, para que o Buddhismo continue existindo. Quanto ao Brasil, a relutância em entender que quanto mais doamos mais recebemos em retorno é o grande obstáculo para que os Ensinamentos do Buddha se consolidem definitivamente em nosso país e possam ser úteis à Sociedade.
Me custa crer que as pessoas que trabalham não tenham quantia alguma disponível que possa ser doada em prol do Buddhismo. Não posso crer que alguém não disponha de absolutamente nada que possa ser útil se compartilhado ou doado ao Templo Buddhista. O fato é que, infelizmente, as pessoas ainda não acordaram para a imensa realidade salvadora ensinada pelo Buddhismo. Se isto vai acontecer algum dia, só o tempo poderá mostrar, mas, como disse no título desta matéria, SEM DÁNA NÃO HÁ BUDDHISMO.
Fiquem todos em Paz e protegidos!

Rev. Sunanthô Bhikshú

Namastê!

Imaginem um enfermeiro. O amigo trabalha em um hospital onde, muitas e muitas vezes testemunhou casos de uma terrível doença, fatal que, porém tem cura, desde que devidamente tratada. O amigo enfermeiro conhece o tratamento e sabe que no hospital onde trabalha é possível que as pessoas se tratem.
Esse enfermeiro vê que um de seus amigos está com a tal doença, ainda em estado inicial, mas se agravando rapidamente. Como convém a alguém que lida com vidas humanas, ele alerta o amigo, dizendo: “Meu caro, você está com uma doença fatal, que se agrava a cada minuto! Mas, não se preocupe, porque no hospital onde trabalho o médico vem curando muitas pessoas e basta que você vá lá para iniciar o tratamento!” O doente ouve o conselho e concorda em ir até o hospital. Feliz por ter ajudado ao amigo, o enfermeiro espera que o amigo apareça o quanto antes no hospital.
O tempo passa, o enfermeiro continua seu trabalho diário e o amigo ao qual aconselhou não dá notícias, tampouco foi procurar o médico. Assim, após alguns dias o enfermeiro decide procurá-lo e, novamente o alerta quanto à gravidade da doença. Fica surpreso ao ouvir: “Eu vou ao hospital qualquer hora… Tenho estado muito ocupado e sem tempo!” O enfermeiro se limita a lembrar que cada minuto é precioso, pois a situação está se agravando…
O amigo doente, voltando do trabalho, passa em frente ao hospital. Olha o relógio, acha que está tarde e prefere ir para casa, após um dia cansativo. No dia seguinte ele irá ao hospital, afinal, um dia só não pode fazer tanta diferença…
No dia seguinte ele está decidido a ir procurar o médico, mas, a caminho do hospital encontra um velho amigo que há muito não via e, juntos, decidem ir tomar um chopp e pôr em dia as notícias. Assim, quando percebeu, já estava muito tarde para ir ao hospital.
Dois dias depois, novamente a pessoa passa em frente ao hospital mas, por estar de short e camiseta, acha que suas roupas não estão adequadas para visitar o médico e portanto volta direto para casa.
No fim de semana em que decidiu ir ao hospital, alguém ligou convidando para irem à praia e, vendo o lindo dia de sol, o doente preferiu passar o dia à beira mar.
Assim, dia após dia o doente deixou de ir ao hospital, sua doença se agravou e, quando o enfermeiro o encontrou na rua nada mais havia a ser feito – já era tarde demais para salvar o amigo.
Nesta estorinha, de minha autoria, o doente representa todas as pessoas que, com seus problemas, aflições, ansiedades e preocupações do dia a dia, sofrem e se amarguram cada vez mais, acumulando sintomas que as consomem. O enfermeiro é o Monge Buddhista que tem contato direto com os Ensinamentos, a cura da doença. O hospital é o Templo, onde as pessoas que o procuram recebem o tratamento eficaz para curar a doença. Finalmente, o médico que vem curando tantas pessoas é o próprio Buddha, chamado de “O Médico da Mente”, porque, com compaixão nos mostra o Caminho, rápido, seguro e comprovado para acabar com todos os males que afligem os seres vivos.

Reverendo SUNANTHÔ BHIKSHÚ

Namastê!

Cada vez mais a Ciência e a tecnologia vêm comprovando o que o Buddha já sabia há quase 3.000 anos: a mente humana tem potencial ilimitado! Sempre evoluindo e, cada vez mais distante do período de estupidez que viveu na Idade das Trevas, a Humanidade se supera a cada dia, com novas descobertas e avanços em todas as áreas.

A nível idividual, no entanto, muitas pessoas se deixam bloquear e parecem até gostar de impedir o próprio cultivo mental. Isto ocorre toda vez que seguimos crenças que impõem dogmas que impedem as pessoas de tomarem decisões por si mesmas. Apavoradas com medo do castigo, da ira de um deus que as vigia como uma câmera de Big Brother, essas pessoas têm medo de transgredir as regras que consideram eternas e imutáveis. Isto as inibe intelectualmente.
Outras não precisam nem mesmo de uma Religião retrógrada! Seus próprios posicionamentos em relação ao mundo já são suficientes para limitá-las. Não se sentem capazes de evoluir e estão sempre achando que só os outros conseguem as coisas boas da vida. Admiram a inteligência alheia e menosprezam a própria capacidade mental.
Ora, o Buddha afirmou que SOMOS AQUILO QUE PENSAMOS. Portanto, se dissermos constantemente para nós mesmos que NÃO SOMOS CAPAZES DE ALGO, nossa mente se convencerá disto de tal forma, que nos tornará incapazes de qualquer coisa. É fácil notar isso no comportamento das pessoas quando as ouvimos dizer: “Como sou burro!” ou “Que idiota que eu sou!” ou ainda “Só mesmo alguém como eu poderia fazer essa besteira!” Ao dizermos frases do gênero, estamos condicionando nossa mente a acreditar em uma incapacidade irreal. A mente humana é capaz de muito mais do que podemos imaginar e, se a incentivarmos e cultivarmos, obteremos, gradativamente, resultados fantásticos que podem mudar nossas vidas.
O Buddhismo nos mostra que o estado mental de Nirvána, quando nos tornamos buddhas é o limite de nosso cultivo e, ao mesmo tempo a ultrapassagem de todo o conhecimento que pudermos imaginar pois a mente de um buddha contém toda a sabedoria do Universo, de modo que nem ao menos podemos sonhar com tamanho potencial.
Nunca devemos dizer tolices do tipo: “Eu já fiz tudo o que podia” ou “Mais do que isso não posso fazer” nem tampouco: “Eu gostaria de ajudar, mas isto está além da minha capacidade!” Ao afirmarmos essas coisas, criamos em nossa mente uma limitação cômoda, que nos deixa tranquilos com uma falsa certeza de que não vamos fazer mais nada. Eu vejo muito isso nas diversas mensagens que recebo, tentando me confortar pelas dificuldades que minha Vihara passa. Muita gente afirma que gostaria muito de me ajudar, mas não tem condições! Outras pessoas lamentam que já tenham feito o possível e o impossível sem que isso mudasse minha situação. Fazento esse tipo de declaração, se sentem aliviadas para não fazerem mais nada, porque convencem as próprias mentes de que já atingiram seus limites máximos.
A mim, como monge, cabe afirmar que a mente humana suporta muito mais do que somos capazes de conceber portanto, peço a todos: NÃO LIMITEM O ILIMITADO porque, ao fazerem isto, é para a própria felicidade de vocês que estarão trancando as portas!
Fiquem todos em Paz e protegidos! Namaste!

Reverendo Sunanthô Bhikshú