Namastê!

Imaginem um enfermeiro. O amigo trabalha em um hospital onde, muitas e muitas vezes testemunhou casos de uma terrível doença, fatal que, porém tem cura, desde que devidamente tratada. O amigo enfermeiro conhece o tratamento e sabe que no hospital onde trabalha é possível que as pessoas se tratem.
Esse enfermeiro vê que um de seus amigos está com a tal doença, ainda em estado inicial, mas se agravando rapidamente. Como convém a alguém que lida com vidas humanas, ele alerta o amigo, dizendo: “Meu caro, você está com uma doença fatal, que se agrava a cada minuto! Mas, não se preocupe, porque no hospital onde trabalho o médico vem curando muitas pessoas e basta que você vá lá para iniciar o tratamento!” O doente ouve o conselho e concorda em ir até o hospital. Feliz por ter ajudado ao amigo, o enfermeiro espera que o amigo apareça o quanto antes no hospital.
O tempo passa, o enfermeiro continua seu trabalho diário e o amigo ao qual aconselhou não dá notícias, tampouco foi procurar o médico. Assim, após alguns dias o enfermeiro decide procurá-lo e, novamente o alerta quanto à gravidade da doença. Fica surpreso ao ouvir: “Eu vou ao hospital qualquer hora… Tenho estado muito ocupado e sem tempo!” O enfermeiro se limita a lembrar que cada minuto é precioso, pois a situação está se agravando…
O amigo doente, voltando do trabalho, passa em frente ao hospital. Olha o relógio, acha que está tarde e prefere ir para casa, após um dia cansativo. No dia seguinte ele irá ao hospital, afinal, um dia só não pode fazer tanta diferença…
No dia seguinte ele está decidido a ir procurar o médico, mas, a caminho do hospital encontra um velho amigo que há muito não via e, juntos, decidem ir tomar um chopp e pôr em dia as notícias. Assim, quando percebeu, já estava muito tarde para ir ao hospital.
Dois dias depois, novamente a pessoa passa em frente ao hospital mas, por estar de short e camiseta, acha que suas roupas não estão adequadas para visitar o médico e portanto volta direto para casa.
No fim de semana em que decidiu ir ao hospital, alguém ligou convidando para irem à praia e, vendo o lindo dia de sol, o doente preferiu passar o dia à beira mar.
Assim, dia após dia o doente deixou de ir ao hospital, sua doença se agravou e, quando o enfermeiro o encontrou na rua nada mais havia a ser feito – já era tarde demais para salvar o amigo.
Nesta estorinha, de minha autoria, o doente representa todas as pessoas que, com seus problemas, aflições, ansiedades e preocupações do dia a dia, sofrem e se amarguram cada vez mais, acumulando sintomas que as consomem. O enfermeiro é o Monge Buddhista que tem contato direto com os Ensinamentos, a cura da doença. O hospital é o Templo, onde as pessoas que o procuram recebem o tratamento eficaz para curar a doença. Finalmente, o médico que vem curando tantas pessoas é o próprio Buddha, chamado de “O Médico da Mente”, porque, com compaixão nos mostra o Caminho, rápido, seguro e comprovado para acabar com todos os males que afligem os seres vivos.

Reverendo SUNANTHÔ BHIKSHÚ