Namaste!

Parece impossível para a mentalidade ocidental e, talvez ainda mais para o brasileiro, entender a forma como o Buddhismo é estruturado! Tão diferente da mentalidade de nosso povo, o conceito de DÁNA é algo que custa muito para o brasileiro assimilar.
DÁNA é uma das 10 Perfeições do cultivo mental e, portanto, uma prática indispensável para quem quer alcançar o fim dos obstáculos mentais. Não se trata de esmola ou caridade no conceito cristão destas palavras, mas sim de uma poderosa prática de DESAPEGO, gradativo e constante, dos bens materiais que temos em excesso ou que podemos nos desfazer.
Numa sociedade capitalista e vorazmente competitiva, somos, desde pequenos, ensinados e estimulados a acumular posses. Somos instruídos de que as coisas podem nos faltar e, portanto, devemos guardar, colecionar, ter fartura e excesso como garantia de que teremos tudo a todo momento. Quem de nós nunca se admirou ao encontrar no fundo do guarda-roupa ou numa gaveta algo que nem nos lembrávamos que existia? É sobre isto que o Buddhismo fala – não acumular coisas simplesmente por apego a elas!
Está enganado quem pensa que o Buddhismo prega a POBREZA e é contra a riqueza. Na verdade, o Buddha teve seguidores de todas as classes sociais, muitos deles eram reis, joalheiros, ricos comerciantes e milionários. Todas as vezes que eles fizeram doações ao Buddha e à sua Comunidade de Monges, elas foram aceitas do mesmo modo que o que foi doado por seguidores pobres, sem qualquer diferenciação. Isto porque DÁNA não é uma questão de valor, não é uma demonstração de poder ou de estatus social mas sim um exercício de desapego, no qual o DOADOR GANHA através do cultivo mental, da purificação da mente em, com compaixão e desapego, doar para alguém que necessita algo que tinha acumulado.
Ao mesmo tempo, o monge pratica a equanimidade e a humildade ao aceitar a doação. Ao recebê-la, o monge mantém em mente que está ajudando o doador no cultivo mental e renova seu sério compromisso de ser forte para viver unicamente do que lhe é doado. Isto não é fácil num país onde as pessoas não entendem este estrutura única do Buddhismo e não fazem doações.
É preciso entender DÁNA como uma troca de benefícios. O monge recebe algo que necessita e, humildemente, mantém sua condição de depender totalmente da generosidade alheia para sobreviver. O leigo, por sua vez, se engrandece através da nobreza do ato de doar, cultivando o desapego, gerando bom karma e a certeza de que está favorecendo a divulgação do Buddhismo, e, consequentemente, a harmonia, paz, tolerância, entendimento entre os povos e tantos outros benefícios que os Ensinamentos do Buddha trazem ao mundo.
A prática de DÁNA é a base do Buddhismo, é o alicerce sobre o qual a estrutura Buddhista vem se mantendo há quase 3 mil anos. Na Ásia esta cultura sempre foi assimilada e em países como os Estados Unidos, Austrália e várias nações européias, com maior ou menor dificuldade, DÁNA vem sendo aceita e praticada porque as pessoas entendem que é assim que as coisas devem continuar, para que o Buddhismo continue existindo. Quanto ao Brasil, a relutância em entender que quanto mais doamos mais recebemos em retorno é o grande obstáculo para que os Ensinamentos do Buddha se consolidem definitivamente em nosso país e possam ser úteis à Sociedade.
Me custa crer que as pessoas que trabalham não tenham quantia alguma disponível que possa ser doada em prol do Buddhismo. Não posso crer que alguém não disponha de absolutamente nada que possa ser útil se compartilhado ou doado ao Templo Buddhista. O fato é que, infelizmente, as pessoas ainda não acordaram para a imensa realidade salvadora ensinada pelo Buddhismo. Se isto vai acontecer algum dia, só o tempo poderá mostrar, mas, como disse no título desta matéria, SEM DÁNA NÃO HÁ BUDDHISMO.
Fiquem todos em Paz e protegidos!

Rev. Sunanthô Bhikshú