NAMASTÊ!

É bastante natural que todos nós tenhamos expectativas e planos para o futuro. Na verdade, estamos constantemente querendo algo ou deixando de querer coisas. O que temos e não nos agrada, queremos que se afaste de nós o quanto antes – queremos nos ver livres, se possível definitivamente. Já as coisas que queremos e ainda não temos, mal podemos aguardar para que passem a ser nossas. Quanto ao que gostamos, fazemos de tudo para que nunca se acabe e isto chega a incluir nossa aparência física – o que achamos bonito e invejável em nosso corpo, deve permanecer assim “para sempre”, não importa o quanto gastemos para isso. Assim, desde pequenos somos treinados a esperar, ansiosamente, por algo que vai nos recompensar, trazer felicidade. “Criança que se comporta bem, Papai Noel traz presente! Mas só no fim do ano!” “Se comer a salada, ganha sorvete! Mas tem que comer tudo!” “Se ganhar o campeonato, ganha medalha de ouro!” “Se passar no vestibular, ganha um carro!” “Se for o melhor empregado da firma, ganha uma promoção!” Essas “FELICIDADES MOMENTÂNEAS” estão sempre projetadas no futuro e sempre se acabando. O sorvete só vem após a salada e, depois de comido, a criança nem se lembra mais dele… A medalha de ouro, se realmente conquistada, vai pro fundo de uma gaveta e vira recordação do passado. O carro “do ano” perde esse título tão logo o calendário traga um novo ano, juntamente com um modelo mais avançado e, tanto esforço para ser o melhor empregado da firma tem como recompensa um aumento de salário que, logo logo você percebe que não foi tão grande para comprar tudo o que esperava. O fato é que, sempre procurando uma felicidade que ainda virá, nunca estamos satisfeitos, nunca o que temos nos basta. Quando, perdidos em memórias, nos prendemos a um passado que jamais vai voltar, não nos lembramos que também reclamávamos e nos lamentávamos sobre milhões de coisas e esperávamos a vinda da felicidade no futuro – que nada mais é que o momento atual, o presente! E foi exatamente nesse ponto que o Buddha descobriu sua felicidade! Ele, após uma juventude inteira onde não era feliz, mesmo cercado de todos os bens materiais e transitórios, praticou durante seis anos todo tipo de tentativa de ser feliz e, finalmente chegando a um estado de sofrimento físico e mental que, também não o tornou feliz e quase o levou à morte, entendeu que nem no excesso tampouco na falta total de bens materiais encontraria a tão sonhada felicidade. Só quando parou de se projetar no futuro em busca de ser feliz e, com clareza viu o MOMENTO PRESENTE, Siddhartha Gautama viu que a felicidade estava e sempre esteve ali mesmo, dentro dele, esperando pelo momento de ser descoberta. Isto porque a felicidade está na calma mental e é encontrada quando somos capazes de aquietar nossa mente, silenciando nossas ansiedades e desejos descontrolados. Quando esse “milagre buddhista” acontece, nos tornamos buddhas e nossas mentes transbordam de uma felicidade que em nosso estado atual de evolução, não somos capazes de entender, mas rotulamos como NIRVÁNA, a mente iluminada, que superou todas as dificuldades e obstáculos, por isso, não mais vai renascer porque não é mais prisioneira do constante ciclo de renascimentos (Samsara) no qual estamos prisioneiros. O Caminho para o Nirvana é o CONTENTAMENTO. Não quero dizer com isto que devamos ser passivos, alienados, desmotivados ou indolentes – muito pelo contrário! Aliás, é mais do que tempo de acabar com esse conceito errado de que buddhistas, a começar por nós monges, não fazem nada e passam o dia inteiro meditando, como se fôssemos drogados ou abobalhados diante da vida. Um verdadeiro buddhista é dinâmico, consciente de seus deveres, sábio ao utilizar seu tempo, pois sabe que ele não deve ser desperdiçado! Ter planos para o futuro, metas a serem atingidas, objetivos na vida, tudo isso é Buddhismo, mas o erro está quando, ingenuamente, depositamos todas as nossas expectativas e probabilidade de sermos felizes na falsa certeza de que tudo sairá como planejamos ou quando nos tornamos gananciosos. A ambição é uma virtude, uma qualidade do ser humano que nos dá forças para prosseguir, sem desanimar. Não deve ser confundida com a ganância que é o sentimento de querer mais e mais, custe o que custar, prejudicando aos outros para atingir objetivos sejam eles bons ou ruins. É a ganância e não a ambição que afirma a tolice de que “O fim justifica os meios”. A ambição cumpre sua missão quando chega o CONTENTAMENTO. Atingimos um objetivo, ficamos felizes – contentes. Daí, podemos ambicionar outras metas e novamente nos empenhamos em seguir adiante, na certeza de que a vida é feita unicamente de momentos alegres e tristes que se intercalam. Assim, levamos uma vida saudável na qual temos tempo de aproveitar a plenitude dos momentos de felicidade, refletir sobre a tristeza que nos acompanha e, com Sabedoria, planejarmos nossas próximas ações. Portanto, quem passa a vida procurando a felicidade no momento seguinte, nunca no presente, age como um cachorro tentando pegar o próprio rabo e está sempre culpando a tudo e a todos, se frustrando e consumindo a si próprio na amargura. O Buddhismo é a arte de viver bem o momento presente. Afinal, do passado só trazemos conosco lembranças inúteis e o futuro, por mais rápido que possa chegar, é totalmente especulativo e incerto, portanto, só nos resta ser felizes com o que temos no aqui e agora! É unicamente aí que está nossa FELICIDADE.

Fiquem em Paz e protegidos!

Rev. SUNANTHÔ