fevereiro 2011


COMO FAÇO PARA SER UM MONGE BUDISTA?

A todos, Namaste!

Muita gente quer, ou pelo menos PENSA que quer, seguir a vida monástica, tornando-se monge ou monja buddhista… Antes de largar pai e mãe, família, apartamento, universidade e emprego para embarcar numa canoa furada, é bom pensar em uma série de fatores!
Tornar-se um monge não é coisa de filme de Kung-Fu nem de documentário sobre o Tibet. É uma decisão sobre a vida REAL, uma decisão pessoal extremamente séria! Considere que vivemos todos numa sociedade cada vez mais globalizada, vorazmente competitiva onde achar um lugar no mercado de trabalho é cada vez mais difícil. Pior ainda é sair desse mercado e depois de passar anos ausente, tentar retornar a ele! Passar alguns anos sem trabalhar e retornar ao Brasil “com uma mão na frente e outra atrás” é algo sério e bastante arriscado.
Um treinamento monástico, não importa que tipo de Tradição Buddhista o postulante escoha, é rígido, disciplinado, exigente e, acima de tudo CARO! É bom que fique claro que, para se tornar monge, o candidato deve ter dinheiro suficiente para uma viagem à Ásia, onde terá que se manter financeiramente, com despesas a cada três meses (ou menos!) para ir de trem ou avião a outro país a fim de renovar seu visto de permanência, isto, considerando que o país para o qual seja enviado tenha relações diplomáticas com o Brasil e o aceite como morador temporário… Todas as despesas, incluindo com eventuais emergências, correm unicamente por conta do postulante a monge e a maioria dos mosteiros não demonstra o menor interesse por esses problemas pessoais.
Realisticamente falando, o lado financeiro é um ponto muito importante a ser considerado. Tanto ou mais que a questão da VOCAÇÃO para a vida monástica. Se alguém pensa que, ao se tornar monge, nunca mais vai se preocupar com problemas financeiros, este alguém está muito enganado.
Uma grande dificuldade no Brasil (e em outros países ocidentais) é a falta de mosteiros e monges onde e por quem um(a) candidato(a) possa receber o treinamento. Isto torna necessário que a pessoa interessada seja enviada para a Ásia. Na verdade, mesmo que houvesse no Brasil algum lugar e monges/monjas aptos a treinar noviços e noviças, eu considero fundamental uma vivência de alguns anos na Ásia para um processo de imersão na realidade asiática como fortalecimento da vida monástica.
A situação é, COM CERTEZA, muito mais difícil para o caso de mulheres que querem ser monjas. O machismo das sociedades asiáticas é marcante e muito forte. Há um grande preconceito, dentro dos próprios mosteiros e tudo torna a vida de uma monja ainda mais difícil que a dos monges.
Uma vez alertado para essas dificuldades iniciais, o candidato que queira ser monge ou monja budista deve estar ciente de que existem várias Tradições ou Escolas de Budismo e, embora todas venham da mesma raíz dos Ensinamentos do Buddha, têm diferenças culturais tão diversificadas quanto o Catolicismo e o Candomblé, por exemplo! Assim sendo, considero muito interessante que a pessoa interessada em ser monge procure conhecer ao máximo cada Tradição – lendo, estudando, pesquisando e, principalmente, visitando grupos e templos budistas para saber se realmente se identifica ou não com o modo de vida monástica de cada Tradição, antes de mergulhar numa empreitada, do outro lado do mundo e, em pouco tempo se decepcionar, frustrar e acabar culpando o Budismo como um todo, por causa de uma experiência fracassada.
Uma vez feita a opção, o candidato ou candidata à vida monástica deve procurar o grupo ou templo da Tradição na qual quer se ordenar e procurar saber se eles dão esse tipo de orientação. Aqui também é preciso esclarecer que a GRANDE MAIORIA dos grupos de estudo de Budismo é formada e dirigida por leigos que não são capazes de dar orientação alguma sobre ordenação monástica, já que seus monges orientadores nem vivem no Brasil e só aparecem por aqui raramente. Poucos são os templos budistas e, menos ainda os que têm condições de orientar interessados em ser monges ou monjas.
Consideremos, então, que o(a) candidato(a) à vida monástica tenha dinheiro suficiente para se manter na Ásia, possa pagar a passagem e tenha encontrado um mosteiro onde iniciar o treinamento. É bom que saiba que o treinamento não será em Inglês e, para falar a verdade, o conhecimento desse idioma vai ajudar muito pouco ou NADA na maior parte dos países asiáticos (com raras exceções, como a Índia, Sri Lanka, Malásia e o Nepal). Em países como Taiwan, Tailândia, Camboja e China é raríssimo encontrar alguém que consiga entender alguma palavra em inglês. Portanto, antes de pensar em estudar Escrituras Budistas, é importantíssimo ter conhecimento do idioma falado no templo – tailandês, tibetano, chinês ou qualquer outro, dependendo da Tradição escolhida. Isto é algo a ser pensado antes de deixar o Brasil. Pode ser uma boa idéia ter pelo menos uma noção básica do idioma a ser usado, com o uso da internet (auto-didata) ou, melhor ainda, com aulas particulares com um professor nativo.
Com tudo pronto para o embarque, a pessoa que quer ser monge ou monja budista não deve pensar que em poucos meses estará de volta ao Brasil usando o manto monástico! O processo normal deve incluir alguns meses (variando de uma Tradição para outra) na condição de postulante; a pessoa fica no templo, geralmente vestindo apenas roupas brancas ou um uniforme… Faz serviços de faxina, trabalha na cozinha, estuda o idioma, participa de rituais e vai tentando se adaptar à rotina da vida no templo… É o período de passar por dificuldades iniciais que darão à pessoa a certeza (ou não!) de que serve para a vida monástica. Espere passar PELO MENOS, seis meses nessa situação – recebendo ordens, trabalhando muito, fazendo todo tipo de serviço em troca de um lugar para dormir e comida, apenas!
Sempre dependendo de cada Tradição, o período seguinte é a ordenação inicial, como noviço ou noviça. A pessoa que quer ser monge ou monja terá que se preparar, decorar recitações e fazer ensaios para a Cerimônia de Ordenação Inicial. Ficará aos cuidados de um(a) PRECEPTOR(A), a quem deverá obedecer e passar a maior parte do tempo juntos. Noviços e noviças trabalham muito, são testados constantemente, levam broncas e aprendem a ouvir em silêncio, sem xingar nem revidar. Dependendo da Tradição Cultural, PODE HAVER (vejam bem: PODE HAVER, não obrigatoriamente!!) castigos físicos, como ficar ajoelhado no pátio, puxões no nariz ou até uma bofetada…
Os horários dos templos são bastante rígidos, com a hora de acordar em torno das 04:30 da madrugada, tarefas e aulas o dia todo, nada de TV ou confortos! Muitos templos não têm água quente e os dormitórios coletivos são desconfortáveis… Tenha sempre em mente que um templo budista não é um Spa nem hotel cinco estrelas e a vida monástica é REAL, não é como nos filmes e novelas.
Após um período longo (dois anos ou mais) na condição de noviço ou noviça , o Preceptor decidirá quando a pessoa que quer ser monge budista está em condições de receber a Ordenação Superior. Daí, novos preparativos serão feitos para a cerimônia e, somente então a pessoa se tornará monge ou monja budista.

O correto é que, mesmo após se tornar monge ou monja, a pessoa continue servindo e convivendo com o Preceptor e, só após 5 anos de convivência, finalmente, possa seguir sozinho, tomando suas próprias decisões.
Esta matéria não tem a pretensão de ser um “manual de como ser monge budista”, mas apenas visa orientar possíveis candidatos, com base em minha própria experiência, dificuldades e frustrações.
Quem quiser maiores informações, orientação e até mesmo um treinamento inicial, fique à vontade para estabelecer contato comigo e ajudarei no que estiver ao meu alcance!
Boa sorte em sua busca! Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु
Rev. SUNANTHÔ BHIKSHÚ

A todos, Namastê!

O Buddhismo estabelece Preceitos, não Mandamentos, como nas religiões em geral… A diferença entre um e outro é que o Mandamento, como o próprio nome diz, é algo que tem que ser obedecido porque alguém está MANDANDO, sujeito o infrator a algum tipo de punição, castigo.

No caso do Preceito, é algo que foi PREVIAMENTE ACEITO, portanto, confirmadamente válido e, se descumprido ou quebrado, não há castigo algum, apenas consequências desagradáveis para quem não o cumpriu.

Qualquer pessoa que queira, sincera e expontaneamente, seguir os Ensinamentos do Buddha, tornando-se “oficialmente” buddhista, assume, em um Ritual especial, o compromisso de seguir CINCO PRECEITOS (PÁÑTCHA SHÍLA), também chamados de Cinco Treinamentos Mentais, que eu já expliquei algumas vezes e podem ser encontrados com explicação em meu Blog (https://theravadaforall.wordpress.com).
Em ocasiões especiais, entretanto, os seguidores do Buddhismo se comprometem a seguir OITO PRECEITOS (ATTHA SHÍLA), ou seja, os Cinco Treinamentos Mentais, mais três que, principalmente durante os Retiros de Meditação, dias da noite de Lua Cheia e Lua Nova (Upôssatha) devem ser seguidos. Assim, como ficam os Preceitos do Leigo Buddhista de acordo com o Buddhismo Theravada Brasileiro? Eles permanecem exatamente iguais à Tradição Theravada original ou, por alguma razão foram alterados?
Vamos analisar aqui cada um deles e ver como devem ser seguidos:

1 – EU ASSUMO O TREINAMENTO MENTAL DE NÃO TIRAR INTENCIONALMENTE A VIDA DE NENHUM SER VIVO.
Este Preceito permanece inalterado, completamente aceito pelo Buddhismo Theravada Brasileiro.

2 – EU ASSUMO O TREINAMENTO MENTAL DE NÃO PEGAR PARA MIM ALGO QUE NÃO TENHA SIDO DADO PELO LEGÍTIMO DONO.
Este Preceito permanece inalterado, completamente aceito pelo Buddhismo Theravada Brasileiro.

3 – 1 – EU ASSUMO O TREINAMENTO MENTAL DE NÃO PRATICAR SEXO COM OUTRA PESSOA, SEM QUE HAJA O TOTAL CONHECIMENTO E CONSENTIMENTO DA PESSOA COM QUEM ASSUMI UM COMPROMISSO DE VIDA A DOIS.
Este Preceito permanece inalterado, completamente aceito pelo Buddhismo Theravada Brasileiro.

4 – 1 – EU ASSUMO O TREINAMENTO MENTAL DE NÃO FAZER USO INDEVIDO DAS PALAVRAS, ESCRITAS, FALADAS OU PENSADAS, EVITANDO INTRIGAS, LINGUAGEM ILUSIVA, IMORAL, OFENSIVA, SUJA, FÚTIL OU INÚTIL ETC.
Este Preceito permanece inalterado, completamente aceito pelo Buddhismo Theravada Brasileiro.

5 – 1 – EU ASSUMO O TREINAMENTO MENTAL DE NÃO FAZER USO DE QUALQUER SUBSTÂNCIA QUE POSSA ALTERAR O ESTADO PURO E NATURAL DA MINHA MENTE.
Este Preceito permanece inalterado, completamente aceito pelo Buddhismo Theravada Brasileiro.

6 – 1 – EU ASSUMO O TREINAMENTO MENTAL DE NÃO CONSUMIR QUALQUER ALIMENTO SÓLIDO NO PERÍODO DO MEIO-DIA ATÉ O NASCER DO SOL DO DIA SEGUINTE, EXCETO EM CASOS ESPECIAIS DE DOENÇA.
Este Preceito FOI ALTERADO pelo Buddhismo Theravada Brasileiro e deve ser seguido de acordo com as Tradições Mahayana, da seguinte forma:
EU ASSUMO O TREINAMENTO MENTAL DE NÃO CONSUMIR ALIMENTOS EM EXCESSO, CONSIDERANDO A MODERAÇÃO AO COMER COMO UMA FORMA IMPORTANTE DE CULTIVO MENTAL.

7 – EU ASSUMO O TREINAMENTO MENTAL DE NÃO DANÇAR, OUVIR MÚSICA E ASSISTIR SHOWS NOS DIAS DE UPÔSSATHA E NOS RETIROS DE MEDITAÇÃO.
Este Preceito permanece inalterado, completamente aceito pelo Buddhismo Theravada Brasileiro.

8 – EU ASSUMO O TREINAMENTO MENTAL DE NÃO USAR PERFUMES, JÓIAS E NÃO FAZER EMBELEZAMENTO FÍSICO NOS DIAS DE UPÔSSATHA E NOS RETIROS DE MEDITAÇÃO.
Este Preceito permanece inalterado, completamente aceito pelo Buddhismo Theravada Brasileiro.

Um leigo que se comprometa a seguir, com sinceridade e determinação os Ensinamentos do Buddha, que protegem nossa moral, eliminam as impurezas mentais, ajudam no cultivo da Atenção Plena e, consequentemente, conduzem à libertação do sofrimento e ao estado mental de Nirvána, deve seguir os Cinco Treinamentos Mentais todos os momentos da vida e os Oito Treinamentos nas ocasiões especificadas.
Notem que, NÃO FAZER USO, significa exatamente isto! Fazer uso “de vez em quando” é NÃO SEGUIR O PRECEITO. As pessoas que não se consideram capazes de seguir os Cinco Treinamentos Mentais, não deveriam sair por aí se dizendo Buddhistas… Além de não ser coerente com o que praticam, dão aos buddhistas verdadeiros um mal nome, pois as pessoas tendem a generalizar e, sempre que virem alguém fazendo algo que não está de acordo com o Buddhismo, vão falar mal DO BUDDHISMO como um todo.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु
Rev. SUNANTHÔ BHIKSHÚ

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A todos, Namastê!

No mundo moderno, do qual tanto nos orgulhamos, cada vez mais as pessoas vivem num ritmo frenético onde não há tempo suficiente para nada! É como se as 24 horas do dia nunca fossem suficientes e as pessoas precisassem do dobro da carga horária para tentarem cumpri com todas as suas atribuições. Com isto, a maioria delas engole uma xícara de café enquanto lê o jornal, come sem nem mastigar um sanduíche enquanto olha as notícias na TV, come de pé, ou no ônibus ou tratando de negócios em almoços para executivos. Quando têm um tempo de folga, como nos fins de semana à noite, as pessoas saem para se divertir e, ao se reunírem num restaurante, falam alto, riem, flertam, namoram e, assim que se empanturram de comida de bebida, pagam a conta e voltam para casa…
Agora, imagine uma fatia da mais suculenta e saborosa pizza (se não gostar de pizza, pode imaginar seu prato predileto!) antes de começar a devorar com ansiedade desmedida, observe atentamente, sinta o aroma, tente identificar cada ingrediente. Então, pense em quantas e quantas pessoas foram envolvidas no processo de preparo da comida que agora está diante de você… Não se limite ao pizzaiolo (ou cozinheiro) que preparou a comida… Vamos iniciar um processo regressivo… A pizza é feita de vários ingredientes, que tiveram de ser misturados, nas quantidades certas. Cada um deles teve uma história longa até se tornarem parte integrante da pizza! Farinha, leite, fermento, sal, açúcar etc. etc. etc… A farinha foi comprada e entregue ao restaurante e, para chegar lá, teve que ser carregada por alguém até o caminhão. Quem a carregou, acordou cedo, se arrumou, saiu de casa – talvez atrasado… Essa pessoa dedicou seu dia de trabalho para que a farinha fizesse o percurso do fornecedor até o restaurante. Mas, muito antes disso, alguém também dedicou suas horas para ensacar a farinha. Essa pessoa também acordou cedo, saiu de casa e foi trabalhar no local onde a farinha é ensacada… Porém, a farinha nem sempre foi farinha! Antes ela foi trigo, que, graças ao trabalho de alguém, foi moído até virar farinha… O tirgo, por sua vez, não nasceu no moinho… Ele foi plantado, germinado, tratado, colhido e, por fim, enviado ao moinho para se tornar farinha… Esse longo e cuidadoso processo também mobilizou dezenas de trabalhadores, que araram a terra, dirigiram um trator, espalharam as sementes, enfim, todos dedicaram horas de seus dias, passaram tempo longe de suas famílias, suaram seus rostos, muitos deles ganhando pouco e se esforçando ao máximo para que, finalmente fosse produzida a farinha desta fatia de pizza que agora você está prestes a comer…
Mas, espere um pouco! A pizza não é só feita de farinha! Há muitos outros ingredientes e, cada um deles envolveu mais centenas, talvez milhares de pessoas para serem produzidos… Então, sua pizza, que você pode devorar em apenas alguns minutos, é o resultado FINAL do suor, esforço e dedicação de tanta gente digna de sua gratidão. Após comer a pizza, ninguém mais vai vê-la ou apreciá-la… O que não for aproveitado pelo seu organismo vai virar apenas excremento, portanto, a única pessoa que pode expressar gratidão a todos que se esforçaram para que ela se tornasse pizza é você mesmo! Então, será que é justo que você simplesmente engula a pizza sem expressar gratidão alguma? Talvez se, em vez de simplesmente a engolir, com pressa, sem nem mastigar, você a apreciasse melhor, mastigando com calma e EM SILÊNCIO, fizesse “a meditação da pizza”, tentando identificar cada ingrediente e, mentalmente agradecesse ao responsável por cada aroma, textura e sabor que você está mastigando e cheirando… Este é o “modo buddhista de comer pizza”. Deste modo expressamos nossa gratidão e, ao mesmo tempo nos tornamos mais saudáveis, além de aproveitarmos mais o alimento, valorizando também o dinheiro que pagamos por ele!
Não quero com isto acabar com o prazer de se reunir com amigos para jantar ou festejar… Você não precisa se tornar isolacionista ou anti-sociável. Mas, se for capaz de, pelo menos de vez em quando, usar o modo buddhista, também conseguirá valorizar a si, através da valorização dos que produziram o que está consumindo.
Fiquem todos em Paz e protegidos!

Rev. SUNANTHÔ BHIKSHÚ

“Se você, leitor, gosta dos Ensinamentos contidos neste Blog e acha que lhe são úteis no cultivo mental, considere fazer uma doação, mesmo que seja pequena, para ajudar na divulgação do Buddhismo Theravada Brasileiro. Os dados da conta se encontram no Blog.”

A todos, Namastê!

No meu convívio diário, logo que as pessoas me identificam como monge buddhista, se aproximam e tentam conversar. Muitas se apresentam como seguidoras do Buddhismo e, mesmo me tratando por “cara”, “merrrmão” ou “bicho”, puxam uma conversa sobre este tema.
Munido de uma dose extra de paciência, vou ouvindo o que elas têm a dizer e não é difícil perceber a superficialidade do conhecimento sobre Buddhismo… A maioria das pessoas nem sabe onde o Buddha nasceu. Há quem pense que foi no Japão (!!!), no Tibet ou até mesmo em Taiwan! Bem, consideremos que isto é um detalhe, afinal, se a pessoa não soubesse isto, mas seguisse direitinho os Ensinamentos do Buddha, seria uma grande coisa… Então, após ouvir todo tipo de devaneios, passo para uma certificação básica da falta de conhecimento do interlocutor “buddhista”. Conduzindo a conversa, falo sobre algo simples, elementar, que todo e qualquer buddhista sério deveria saber – Os Cinco Preceitos, As Quatro Nobres Verdades ou Os Seis Planos do Renascimento… Logo fica fácil perceber que a pessoa não tem a menor noção sobre o que estou dizendo! É triste constatar isso…
Somos o maior país Católico do mundo, onde as pessoas não seriam capazes de enumerar os Dez Mandamentos, nem os Sacramentos da Igreja, muito menos os Sete Pecados Capitais… Tampouco saberiam rezar um simples Pai Nosso, muito menos aquele texto enorme do Creio em Deus Pai… O famoso chavão “Sou Católico mas não sou praticante” é o que define a população do Brasil. Mera estatística, mera contagem… Agora, enquanto a mídia dá um maior destaque ao Buddhismo, quer por curiosidade, quer por modismo, vejo os Ensinamentos do Buddha – preciosos, valiosos, sábios e capazes de eliminar todo e qualquer vestígio de sofrimento, serem transmitidos de forma irresponsável, tola, vulgar e inconsistente!
Fala-se de coisas coloridas, visualizações de entidades, rituais mágicos, recitações de palavras que ninguém sabe o que são nem para que servem… Tudo em nome do Buddhismo… Será???
Ouço falar de centros e mais centros, pipocando por todos os cantos do Brasil. Muitos já têm filiais se espalhando em várias cidades. Mas, onde fica a consistência? Onde fica a veracidade do que está sendo ensinado?
Sinceramente, não quero que o Buddhismo seja um número estatístico do IBGE. Na verdade, prefiro que seja absolutamente minoritário, porém verdadeiro, sólido, consciente e SALVADOR. Se é só para dizer que está crescendo no Brasil, prefiro que ENCOLHA!
Meus caros, uma planta só existe se tiver raízes… Elas precisam ser nutridas, para se tornarem fortes, firmes, enterradas no solo de forma a absorverem dele o alimento… Assim como uma árvore que pode crescer, com um grande tronco, frondosa e frutífera, também o Buddhismo precisa ter raízes. A elas chamamos de Quatro Nobres Verdades, o fundamento do que o Buddha nos ensinou. Se alquém não as sabe, nunca ouviu falar delas, não é possível se entitular buddhista! Sem o entendimento profundo e correto da base do Buddhismo, não adianta sair por aí querendo visualizar entidades coloridas e recitar mantras, por mais milagrosos que se proponham a ser…
Buddhismo é seguir o que o Buddha disse, do mesmo modo que Cristianismo vem de Jesus Cristo. Fora disso, é distorção, confusão mental, tolice, perda de tempo.
Está na hora de nós buddhistas revermos o que está acontecendo por aí em nome dos Ensinamentos do Buddha. Agora é o momento, antes que a coisa fuja de nosso controle e as pessoas comecem a criar o Tarô do Buddha, a bebida milagrosa do Buddha e sabe-se mais o quê! Cabe a nós protegermos o Dharma (Ensinamento do Buddha), mantê-lo intacto para as gerações futuras, para que não se perca na ignorância dos que se chamam buddhistas sem conhecimento do que estão falando… Pensem nisto! Interiorizem isto…
Fiquem em Paz e protegidos!

Rev. SUNANTHO BHIKSHÚ

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MANTRA DA COMPAIXÃO UNIVERSAL - UNIVERSAL COMPASSION MANTRA

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