A todos, Namastê!

No meu convívio diário, logo que as pessoas me identificam como monge buddhista, se aproximam e tentam conversar. Muitas se apresentam como seguidoras do Buddhismo e, mesmo me tratando por “cara”, “merrrmão” ou “bicho”, puxam uma conversa sobre este tema.
Munido de uma dose extra de paciência, vou ouvindo o que elas têm a dizer e não é difícil perceber a superficialidade do conhecimento sobre Buddhismo… A maioria das pessoas nem sabe onde o Buddha nasceu. Há quem pense que foi no Japão (!!!), no Tibet ou até mesmo em Taiwan! Bem, consideremos que isto é um detalhe, afinal, se a pessoa não soubesse isto, mas seguisse direitinho os Ensinamentos do Buddha, seria uma grande coisa… Então, após ouvir todo tipo de devaneios, passo para uma certificação básica da falta de conhecimento do interlocutor “buddhista”. Conduzindo a conversa, falo sobre algo simples, elementar, que todo e qualquer buddhista sério deveria saber – Os Cinco Preceitos, As Quatro Nobres Verdades ou Os Seis Planos do Renascimento… Logo fica fácil perceber que a pessoa não tem a menor noção sobre o que estou dizendo! É triste constatar isso…
Somos o maior país Católico do mundo, onde as pessoas não seriam capazes de enumerar os Dez Mandamentos, nem os Sacramentos da Igreja, muito menos os Sete Pecados Capitais… Tampouco saberiam rezar um simples Pai Nosso, muito menos aquele texto enorme do Creio em Deus Pai… O famoso chavão “Sou Católico mas não sou praticante” é o que define a população do Brasil. Mera estatística, mera contagem… Agora, enquanto a mídia dá um maior destaque ao Buddhismo, quer por curiosidade, quer por modismo, vejo os Ensinamentos do Buddha – preciosos, valiosos, sábios e capazes de eliminar todo e qualquer vestígio de sofrimento, serem transmitidos de forma irresponsável, tola, vulgar e inconsistente!
Fala-se de coisas coloridas, visualizações de entidades, rituais mágicos, recitações de palavras que ninguém sabe o que são nem para que servem… Tudo em nome do Buddhismo… Será???
Ouço falar de centros e mais centros, pipocando por todos os cantos do Brasil. Muitos já têm filiais se espalhando em várias cidades. Mas, onde fica a consistência? Onde fica a veracidade do que está sendo ensinado?
Sinceramente, não quero que o Buddhismo seja um número estatístico do IBGE. Na verdade, prefiro que seja absolutamente minoritário, porém verdadeiro, sólido, consciente e SALVADOR. Se é só para dizer que está crescendo no Brasil, prefiro que ENCOLHA!
Meus caros, uma planta só existe se tiver raízes… Elas precisam ser nutridas, para se tornarem fortes, firmes, enterradas no solo de forma a absorverem dele o alimento… Assim como uma árvore que pode crescer, com um grande tronco, frondosa e frutífera, também o Buddhismo precisa ter raízes. A elas chamamos de Quatro Nobres Verdades, o fundamento do que o Buddha nos ensinou. Se alquém não as sabe, nunca ouviu falar delas, não é possível se entitular buddhista! Sem o entendimento profundo e correto da base do Buddhismo, não adianta sair por aí querendo visualizar entidades coloridas e recitar mantras, por mais milagrosos que se proponham a ser…
Buddhismo é seguir o que o Buddha disse, do mesmo modo que Cristianismo vem de Jesus Cristo. Fora disso, é distorção, confusão mental, tolice, perda de tempo.
Está na hora de nós buddhistas revermos o que está acontecendo por aí em nome dos Ensinamentos do Buddha. Agora é o momento, antes que a coisa fuja de nosso controle e as pessoas comecem a criar o Tarô do Buddha, a bebida milagrosa do Buddha e sabe-se mais o quê! Cabe a nós protegermos o Dharma (Ensinamento do Buddha), mantê-lo intacto para as gerações futuras, para que não se perca na ignorância dos que se chamam buddhistas sem conhecimento do que estão falando… Pensem nisto! Interiorizem isto…
Fiquem em Paz e protegidos!

Rev. SUNANTHO BHIKSHÚ

“Se você, leitor, gosta dos Ensinamentos contidos neste Blog e acha que lhe são úteis no cultivo mental, considere fazer uma doação, mesmo que seja pequena, para ajudar na divulgação do Buddhismo Theravada Brasileiro. Os dados da conta se encontram no Blog.”