A todos, Namastê!

No mundo moderno, do qual tanto nos orgulhamos, cada vez mais as pessoas vivem num ritmo frenético onde não há tempo suficiente para nada! É como se as 24 horas do dia nunca fossem suficientes e as pessoas precisassem do dobro da carga horária para tentarem cumpri com todas as suas atribuições. Com isto, a maioria delas engole uma xícara de café enquanto lê o jornal, come sem nem mastigar um sanduíche enquanto olha as notícias na TV, come de pé, ou no ônibus ou tratando de negócios em almoços para executivos. Quando têm um tempo de folga, como nos fins de semana à noite, as pessoas saem para se divertir e, ao se reunírem num restaurante, falam alto, riem, flertam, namoram e, assim que se empanturram de comida de bebida, pagam a conta e voltam para casa…
Agora, imagine uma fatia da mais suculenta e saborosa pizza (se não gostar de pizza, pode imaginar seu prato predileto!) antes de começar a devorar com ansiedade desmedida, observe atentamente, sinta o aroma, tente identificar cada ingrediente. Então, pense em quantas e quantas pessoas foram envolvidas no processo de preparo da comida que agora está diante de você… Não se limite ao pizzaiolo (ou cozinheiro) que preparou a comida… Vamos iniciar um processo regressivo… A pizza é feita de vários ingredientes, que tiveram de ser misturados, nas quantidades certas. Cada um deles teve uma história longa até se tornarem parte integrante da pizza! Farinha, leite, fermento, sal, açúcar etc. etc. etc… A farinha foi comprada e entregue ao restaurante e, para chegar lá, teve que ser carregada por alguém até o caminhão. Quem a carregou, acordou cedo, se arrumou, saiu de casa – talvez atrasado… Essa pessoa dedicou seu dia de trabalho para que a farinha fizesse o percurso do fornecedor até o restaurante. Mas, muito antes disso, alguém também dedicou suas horas para ensacar a farinha. Essa pessoa também acordou cedo, saiu de casa e foi trabalhar no local onde a farinha é ensacada… Porém, a farinha nem sempre foi farinha! Antes ela foi trigo, que, graças ao trabalho de alguém, foi moído até virar farinha… O tirgo, por sua vez, não nasceu no moinho… Ele foi plantado, germinado, tratado, colhido e, por fim, enviado ao moinho para se tornar farinha… Esse longo e cuidadoso processo também mobilizou dezenas de trabalhadores, que araram a terra, dirigiram um trator, espalharam as sementes, enfim, todos dedicaram horas de seus dias, passaram tempo longe de suas famílias, suaram seus rostos, muitos deles ganhando pouco e se esforçando ao máximo para que, finalmente fosse produzida a farinha desta fatia de pizza que agora você está prestes a comer…
Mas, espere um pouco! A pizza não é só feita de farinha! Há muitos outros ingredientes e, cada um deles envolveu mais centenas, talvez milhares de pessoas para serem produzidos… Então, sua pizza, que você pode devorar em apenas alguns minutos, é o resultado FINAL do suor, esforço e dedicação de tanta gente digna de sua gratidão. Após comer a pizza, ninguém mais vai vê-la ou apreciá-la… O que não for aproveitado pelo seu organismo vai virar apenas excremento, portanto, a única pessoa que pode expressar gratidão a todos que se esforçaram para que ela se tornasse pizza é você mesmo! Então, será que é justo que você simplesmente engula a pizza sem expressar gratidão alguma? Talvez se, em vez de simplesmente a engolir, com pressa, sem nem mastigar, você a apreciasse melhor, mastigando com calma e EM SILÊNCIO, fizesse “a meditação da pizza”, tentando identificar cada ingrediente e, mentalmente agradecesse ao responsável por cada aroma, textura e sabor que você está mastigando e cheirando… Este é o “modo buddhista de comer pizza”. Deste modo expressamos nossa gratidão e, ao mesmo tempo nos tornamos mais saudáveis, além de aproveitarmos mais o alimento, valorizando também o dinheiro que pagamos por ele!
Não quero com isto acabar com o prazer de se reunir com amigos para jantar ou festejar… Você não precisa se tornar isolacionista ou anti-sociável. Mas, se for capaz de, pelo menos de vez em quando, usar o modo buddhista, também conseguirá valorizar a si, através da valorização dos que produziram o que está consumindo.
Fiquem todos em Paz e protegidos!

Rev. SUNANTHÔ BHIKSHÚ

“Se você, leitor, gosta dos Ensinamentos contidos neste Blog e acha que lhe são úteis no cultivo mental, considere fazer uma doação, mesmo que seja pequena, para ajudar na divulgação do Buddhismo Theravada Brasileiro. Os dados da conta se encontram no Blog.”