A todos, Namaste!

Como Buddhistas, devemos evitar ao máximo as discussões e o apego ferrenho às nossas opiniões e conceitos. Entretanto, é quase inevitável que, no convívio diário com outras pessoas as divergências de opinião causem atritos e discussões.

Abaixo segue o conselho do Buddha sobre como resolver uma discussão. Fiquem todos em Paz e protegidos!

Accaya Sutra

(“atchtcháye)
O Sutra Sobre Ofensa
(Reescrito em linguagem simples pelo Rev. Sunanthô)

“Assim me foi transmitido oralmente”. Em Shrávatthi. Naquela ocasião dois bhikshus (monge buddhista) tiveram uma discussão e um bhikshu cometeu uma ofensa contra o outro. Então, o primeiro bhikshu confessou a sua ofensa para o outro bhikshu, mas este último não quis aceitar as desculpas.
Então, um grande número de bhikshus foi até o Buddha e depois de cumprimentá-lo sentaram a um lado e relataram tudo que havia ocorrido. O Bhagaván disse:
“Bhikshus, há dois tipos de tolos: um que não enxerga uma transgressão como uma transgressão; e um que, quando um outro está confessando uma transgressão, não o perdoa de acordo com o Dharma (o Ensinamento Buddhista). Esses são os dois tipos de tolos.
“Bhikshus, há dois tipos de pessoas sábias: uma que enxerga uma transgressão como uma transgressão; e uma que, quando um outro está confessando uma transgressão, o perdoa de acordo com o Dharma. Esses são os dois tipos de pessoas sábias.
“Certa vez no passado, bhikshus, Sakka (ou Indra), o senhor dos Dêvas (seres que habitam outras dimensões paralelas à nossa), instruindo os Dêvas do Trayastriṃśa (Távatimsa em Páli – um dos muitos universos paralelos) no salão de assembléias Sudharma, recitou este verso:

 “’Tenham a raiva sob seu controle;

não permitam que as suas amizades se deteriorem.
Não critiquem quem é inculpável;
não pronunciem palavras de discórdia.
Como uma avalanche na montanha
a raiva esmaga as pessoas más.”

 Sempre que discutimos, nos desgastamos, causamos constrangimento e sofrimento, não só à pessoa com quem brigamos, mas a muitas outras, num efeito alastrado. Assim, devemos o quanto antes procurar a outra pessoa e, com humildade e sinceridade no coração, nos reconciliarmos evitando que o rancor, mágoa e mal-estar crie raízes de modo muito mais difícil de ser corrigido ou até mesmo irremediável.
A prática que eu aconselho para fazer as pazes com quem brigamos se chama “BANDEJA DE RECONCILIAÇÃO” (veja a foto abaixo) e é feita da seguinte maneira: compre uma pequena bandeja, bonita, pode ser dourada ou prateada – fica a seu critério. Sempre que brigar com alguém, procure a pessoa ou até mesmo faça uma visita, levando na bandeja algumas flores naturais e uma caixinha de incenso.
Com humildade, admita sua parte do erro (nunca há uma pessoa absolutamente certa ao fim de uma discussão!) e se desculpe com toda sinceridade, sem esperar que a outra pessoa faça o mesmo e, não importa qual a reação da pessoa (ela pode ser intransigente ou ter dificuldade em admitir erros), tenha a certeza de que agiu corretamente. Após a oferenda, você pode levar a bandeja de volta para sua casa.