A todos, Namaste!

Não há registro histórico preciso de como era o manto que o Buddha usava. Sabe-se, entretanto, que havia muitos tipos de monges, de várias seitas, que eram diferenciados e reconhecíveis pela cor e modo como usavam seus mantos.

Quando o Príncipe Siddhartth Gáutam deixou o palácio de seu pai ele já sabia que deveria cortar a longa trança e a barba, símbolos da realeza e exclusividade da Família Real e usar trajes de mendigo, portanto, já saiu da casa de seu pai levando algum traje que o caracterizasse como monge-mendicante (Bhikshú).

     (Monges Theravada de Mianmar)

O manto da Tradição Theravada é, com certeza, o mais próximo do que o Buddha e seus  seguidores usavam. Afirmo isto porque, todos os demais estilos de manto sofreram influência marcante das culturas dos países onde foram idealizados. Assim, é pouco provável que o manto do Buddha tivesse botões, bolsos, mangas largas, gola e tantos detalhes que se vêem nos mantos chineses, japoneses e coreanos…  Também não devia ter a camiseta que meus colegas tibetanos usam por baixo do manto.

(Monges Chineses)

(Monges Japoneses)

O que sabemos de concreto sobre os mantos daquela época é que eram trapos, muitas vezes mortalhas (aquelas faixas como as das múmias) de enrolar cadáveres e até mesmo um tipo de toalha que era usado como absorvente higiênico da menstruação que as mulheres jogavam na beira das estradas. Os monges catavam esses panos, os lavavam, costuravam e, após isto, os ferviam  com cascas de um tipo de árvore semelhante à jaqueira, o que dava aos panos a coloração alaranjada. Esse processo de ferver e colorir os panos tinha duas finalidades básicas: a tintura tinha um efeito desodorante, o que fazia com que os mantos ficassem MENOS fedorentos, já que o calor da Índia sempre foi intenso e, naquela época, os monges só tinham permissão de tomar banho UMA VEZ A CADA DOIS MESES!

Buddhist Monks      (Monges da Seita Dhammayút – Tailândia)

A outra importância grande da cor laranja era a SINALIZAÇÃO. Se repararmos nas pessoas que trabalham na manutenção de ruas e estradas à noite, veremos que todas usam uniforme de cor laranja. Isto porque essa cor torna fácil a identificação no escuro, evitando atropelamentos e acidentes. Na época do Buddha isso já era sabido e, para monges que perambulavam pelas florestas densas, na escuridão da noite, o risco de serem atingidos por flechas e lanças dos caçadores era grande. A cor laranja dos mantos os mantinha menos vulneráveis.

(Monge Zen Japonês mendigando dinheiro)

Com o tempo, à medida que o Buddhismo se espalhou pelos diversos países asiáticos, os mantos foram mudando, assimilando as características culturais e, somente nos países onde o Budismo Theravada predomina, o estilo mais próximo do original é mantido. Ainda assim, por questõe diversas, foram criadas diferentes seitas buddhistas, mesmo dentro da Tradição Theravada. Na Tailândia, por exemplo, há a Seita Mahanikai e a Dhammayút – a primeira mantém a cor laranja escuro, já a segunda, criada mais tarde, adotou os mantos com uma coloração marrom.

Buddhist Monks Thailand(Monges da Seita Mahanikai – Tailândia)

Qualquer que seja a cor, estilo ou influência cultural, o manto é, para nós monges, um lembrete constante de quem somos e do compromisso que assumimos para nós mesmos de sermos exemplo para todas as pessoas. É motivo de alegria, por termos adotado os Ensinamentos do Buddha para guiar nossas vidas e um modo de nos mantermos cientes de que somos diferentes das demais pessoas, o que nos traz a grande responsabilidade de mantermos a Atenção Plena a cada momento.

      (Monges Tibetanos – chamados de Lamá)

Da Ásia, onde as pessoas têm profundo respeito pelos monges, vem o grande exemplo que bem poderia ser seguido em nosso país – ao ver alguém vestido com o manto monástico, essa pessoa deveria ser respeitada como alguém que se preparou durante anos, estudando a fundo e PRESERVANDO o precioso Ensinamento que o Buddha nos deixou como herança para ser transmitido não só agora mas também para as gerações futuras.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Reverendo SUNANTHÔ BHIKSHÚ