A todos, Namaste!

Nós monges buddhistas, principalmente da Tradição Theravada, vivemos unicamente da doação, da generosidade dos leigos que recebem nosso Ensinamento e entendem a necessidade de manter viva a herança que o Buddha nos deixou. Assim sendo, toda vez que recebemos uma doação, QUALQUER QUE SEJA, não devemos pensar: “Esses leigos doam coisas porque sou superior a eles e é obrigação deles me sustentar!” Quem assim pensa, está errado, não entende a missão de um monge, não vê que abandonamos a vida de leigos para seguirmos uma vida de humildade, na qual dependemos da generosidade de todos para sobrevivermos.
Quando um leigo nos oferece honrarias, nos pagando hospedagem em hotéis de luxo ou nos servindo refeições deliciosas em restaurantes finos, não devemos pensar: “Esses leigos nos devem honrarias e obrigações!” Quem pensar desse modo, não entende a verdadeira razão de usarmos o manto que recebemos do Buddha, numa linhagem constante que se mantém há quase 3000 anos. Ao receber doações e honrarias, o pensamento correto de um monge sempre deve ser: “Esses leigos compartilham comigo seus ganhos e méritos, porque confiam na sinceridade de minha vida monástica, na veracidade dos Ensinamentos que transmito e na humildade de meu coração e mente. Se assim confiam, é ainda maior a minha obrigação de continuar transmitindo Ensinamentos, sendo tolerante, grato e paciente, porque só assim eu continuarei sendo digno da generosidade de cada um deles. É mantendo este pensamento sempre vivo na mente que um monge leva adiante sua missão, com determinação e segurança, rumo ao Nirvána.
Fiquem todos em Paz e protegidos, com minha gratidão por toda ajuda que recebo!

सुनन्थो भिक्षु
Reverendo SUNANTHÔ BHIIKSHÚ

Bálissa Sutra
O Sutra do Anzol

(Reescrito em linguagem simples pelo Rev. Sunanthô Bhikshú)

 

“Assim me foi transmitido oralmente.” Em Shrávatthi. “Bhikshús, terríveis são o ganho, a honraria e o elogio, amargos, cruéis, obstruem a realização da insuperável segurança contra o cativeiro (obstruem o Estado Mental do Nirvána). Suponham que um pescador lançasse um anzol com uma isca num lago profundo e um peixe em busca de comida engolisse o anzol com a isca. Aquele peixe, ao engolir o anzol do pescador deu de encontro com a calamidade e o desastre, e o pescador poderá fazer o que quiser com ele.

“’Pescador,’ bhikshús, é uma designação para Mara, o Senhor do Mal (a representação de todos os obstáculos mentais). ‘Anzol com isca’, é uma designação para o ganho, honraria e elogio. Qualquer bhikshu que saboreie e desfrute do ganho, honraria e elogio é chamado o bhikshú que engoliu o anzol com a isca, que deu de encontro com a calamidade e o desastre, e o Senhor do Mal poderá fazer o que quiser com ele. Tão terríveis, bhikshús, são o ganho, a honraria e o elogio, amargos, cruéis, obstruem a realização da insuperável segurança contra o cativeiro. Portanto, bhikshús, vocês devem praticar da seguinte forma: ‘Nós abandonaremos o ganho, a honraria e o elogio que já surgiram e não permitiremos que o ganho, a honraria e o elogio que já surgiram persistam obcecando as nossas mentes.’ Assim vocês deveriam praticar.”