PROJETO UNIVERSAL DHAMMA VIHARA

A todos, Namaste!

Desde 2003, quando já era noviço do Buddhismo Terra Pura Chinês e fui comunicado que eu seria mandado para estudar em Taiwan, já era uma decisão minha voltar ao Brasil e aqui prosseguir minha missão, já iniciada com um antigo Grupo de Prática, fundado por mim e chamado de “Luz do Lótus Branco”, quando ainda era apenas um noviço inexperiente. Durante os seis anos de andanças, entre ilusões, desilusões e aprendizado por conta própria, sempre mantive firme em minha mente o objetivo de retornar ao Brasil e aqui divulgar o Dharma para meu povo.
Estando isto claro, ao chegar em Leopoldina, me apressei em registrar, com os mesmos direitos e deveres das igrejas cristãs, o CNPJ de minha “instituição religiosa” – UNIVERSAL DHAMMA VIHARA, que tem em seu nome o significado exato do que eu pretendo, a saber:
A escolha do nome UNIVERSAL, a meu ver, é a característica fundamental das VERDADES do Buddhismo: são universais, válidas em qualquer ponto do universo onde haja qualquer tipo de inquietação mental (Dukkha) e o entendimento das Quatro Nobres Verdades como Caminho para o Estado Mental de Nirvána.
DHAMMA, em sua grafia original do Pali, mantém a Tradição Theravada como orientação para a transmissão do Ensinamento do Buddha.
VIHARA, é o termo exato para definir a grandeza do espaço físico que sempre tive em mente. O termo se refere a qualquer cabana, choupana feita de galhos e folhas ou qualquer espaço com capacidade para abrigar no máximo dois monges, permitindo que pernoitem em segurança e abrigo antes de continuarem sua vida de andarilhos. Portanto, nunca foi minha intenção ter no Brasil um templo suntuoso e gigantesco, mas sim um local simples, discreto e o menos caro possível para ser mantido, o que condiz com a realidade de um monge solitário, tentando iniciar algo num país com tantas adversidades para a prática do Buddhismo. Assim, UNIVERSAL DHAMMA VIHARA é o termo para definir um local pequeno, simples, viável e acessível, onde as verdades deixadas pelo Buddha possam ser ensinadas dentro da Tradição Theravada, de modo que nosso povo as compreenda e pratique.
Ao contrário de alguns praticantes sonhadores do Buddhismo Theravada no Brasil que, em vez de propagar o Buddhismo, mantém a utopia de criar em nosso país uma “Sangha de Floresta” onde monges “importados” ficariam isolados, meditando no ostracismo, minha proposta envolve diretamente uma Sangha dinâmica, sintonizada com o mundo atual e, principalmente com a realidade da sociedade brasileira. Uma Vihara, se deseja realmente sobreviver, deve ser ativa, disposta a ajudar, capaz de beneficiar pessoas, mostrando o Dharma como um instrumento que modifica para melhor a condição de vida de seus frequentadores, sejam eles mantenedores financeiros ou não.
Assim, uma Vihara deve atuar nos vários campos de carência da nossa sociedade, para que as pessoas se sintam motivadas a, em retorno, doarem o suficiente para a subexistência do local. Se assim não for, nunca haverá motivação para manter um ou mais monges que nada fazem em benefício das pessoas e passam a vida isolados.
Nos moldes do templo Theravada do Sri Lanka, onde morei em Kuala Lumpur – Malásia, a Universal Dhamma Vihara deve oferecer atividades como Escola para Jovens e Adultos (alfabetização), Doação de Alimentos e Roupas para necessitados e desabrigados, Cursos Profissionalizantes, Biblioteca Pública, Clínica Médica e outras prestações de serviço. Além disto, tem que ser capaz de preencher as necessidades especificamente buddhistas, como Meditação, Estudo de Sutras, Rituais, Festivais e Treinamento Monástico de Monges e Monjas…
Para que tal projeto não se torne tão utópico quanto um Templo de Floresta, é preciso que comecemos, desde já, uma mobilização, uma conscientização da necessidade de angariar fundos, tanto junto à iniciativa privada quanto da empresarial. Tarefa certamente difícil, não deve ser vista como impossível e, justamente por causa da dificuldade, deve ser iniciada o quanto antes.
Devemos usar da Perfeição de VÍRIYA – dinamismo com convicção de estarmos no Caminho certo e SADHÁ – auto-confiança, conforme nos foi explicado pelo próprio Buddha, para levarmos adiante a missão de erguer um local onde o Buddhismo Theravada Brasileiro possa ser praticado, em benefício de todos os seres, sem fantasias, ilusões ou utopia.
Realisticamente falando, a única doação significativa com a qual podíamos contar, pelo menos de dois em dois anos, vinha do Japão, onde a Seita Nembutsu Shu me nomeou Representante do Brasil na Conferência Buddhista Mundial. Infelizmente, algo parece ter acontecido – antes mesmo da atual catástrofe que assolou a nação japonesa. Com isto, ainda falando dentro de uma clara realidade, não vejo chances de que possamos contar com doação alguma vinda do Japão.
Em vez de vermos tal dificuldade com desânimo, devemos pensar que é chegada a hora de caminharmos com nossas próprias pernas e recursos, nos mobilizando para obtenção de fundos, com confiança de estarmos fazendo o que é correto, o que só pode trazer bons resultados, ainda que a longo prazo!
Um importante primeiro passo já está sendo dado, graças à generosidade da seguidora Célia, do RS que está preparando a transferência de um terreno de sua propriedade para a construção da Vihara. Cabe a todos dar continuidade ao projeto, para que o local não se torne um terreno baldio e gerador apenas de despesas com impostos.
Quero ressaltar que a Universal Dhamma Vihara, uma vez erguida, será um polo de concentração de atividades Buddhistas, capaz de abrigar seguidores de outras Tradições, na tentativa de acabar, ou pelo menos minimizar, o partidarismo, inconsequente e infundado, vigente num país onde os chamados “seguidores do Buddha” cada vez mais se subdividem em pequenos e fracos grupos, em vez de se unirem em prol da divulgação do Dharma no Brasil. A Vihara na qual serei abade, estará sempre aberta a receber colegas de manto de qualquer Tradição, sejam eles brasileiros ou visitantes de qualquer outro país. Da mesma forma, todo e qualquer seguidor buddhista, desde que sincero, sempre será bem vindo a entrar e prestar homenagem ao Buddha, Dharma e Sangha, não importa qual seja a Tradição de sua preferência.
Este é, em linhas gerais, o Projeto Universal Dhamma Vihara, que, se bem divulgado e se houver empenho na captação de voluntários e doadores de recursos, tudo terá para dar certo, com a proteção de Dêvas e do bom karma que transmitirmos uns aos outros.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु
Reverendo SUNANTHÔ BHIKSHÚ

ENGLISH VERSION:

Dear All, Namaste!

Since 2003, when I was already a Chinese Pureland novice and was told that I was going to be sent to study in Taiwan, it was my strong decision to come back to Brazil and keep my mission going further, because I already had a Practice Group named “White Lotus Light”, even as an unexperient novice.

During the six year in which I wandered in Asia, among ilusions, delusions and a lot of learning, through self-teaching method, I always strongly kept in my mind the objective to return to Brazil and spread the Buddhadharma to my people.

Having made that clear, when I first came to Leopoldina city, I hurried to register under the same rights and duties of the Christian churches, my “my religious institution” – UNIVERSAL DHAMMA VIHARA, that holds within its name exactly what I intend to build up, as it follows:

By chosing the name UNIVERSAL, as I understand it, it´s the main characteristic of the Buddhist Truths – they are universal, that means, valid all over the Universe, wherever there is any mental disturbance (Dukkha) and the proper understanding of the Four Noble Truths as The Path to the mental state of Nirvana. Dhamma, with its original Pali spelling, keeps Theravada Tradition as the guiding vehicle to divulge the Buddhadharma. As for VIHARA, it is the proper word to define the size of the place I´ve always wanted to build up. The word Vihara means any cottage, a hut made of branches and leaves or any small space build to offer shelter for one or two monks to spend the night before they go on a journey again. Therefore, it has never been my intention to have a huge and suntuous Temple, but only a humble and simple place, as cheap as possible, that suits much more to the situation of a lonely monk, trying to divulge the Dharma in a country with so many hindrances as Brazil is. So, UNIVERSAL DHAMMA VIHARA is the correct word to define a small, simple, suitable and accessible place where the Truth taught by the Buddha can be divulged, under Theravada Tradition, in such a way that my people could comprehend and practice it.

Differently from some day-dreaming practioners of Theravada Buddhism in Brazil, that, instead of divulge Buddhism, keep the utopia of creating in our country a “Forest Sangha” where “imported” monks would live isolated, meditating in ostracism, my objective involves directly a dynamic Sangha, according to the present world and, more over, connected to the reality of Brazilian society. A Vihara, if it really wants to survive, must be active, willing to help, able to benefit people, showing the Dharma as an instrument to modify and to better the lives of those who attend it, no matter if they give financial support or not.

So, a Vihara must be active in many needy fields of our society, so that people feel motivation to, in return, donate enough goods to keep the place working. Otherwise, there will never be motivation to support one or more monks doing nothing to help other people and living in isolation.

Following the pattern of the Sri Lankan Temple in Kuala Lumpur – Malaysia, where I lived, the Universal Dhamma Vihara must offer diferent services, such as School – for youngsters and adults (unliterated), Food and Clothing Donation to the needy and unsheltered, Vocational Courses, Public Library, Medical Service among other services. Apart from that, it must be able to fulfill some specific buddhist fields such as Meditation, Sutra Studies, Rituals, Festivals and Monastic Training for Monks and Nuns.

To avoid the project to become as utopic as a Forest Temple, it is necessary to start developing it right now, urging people to be aware to the need to collect financial support, not only from families but also from enterprises. Certainly a hard task, it should not be seen as impossible and, exactly because it is difficult to accomplish, it must be started as soon as possible. We all should use the Perfection of VIRIYA – dynamic and confident action, sure that we are on the right Way and SADHÁ – self-confidence, as it was explained by the Buddha himself, to keep going ahead the mission and raise up a place where Brazilian Theravada Buddhism can be practiced, to benefit all the beings, without illusion nor utopia.

Reallistically talking, the only significant donation we could count with, used to come from Japan, where the Nembutsu Shu Sect of Japan nominated me as the Brazilian Representative in the World Buddhist Summit. Unfortunately, something went wrong, even before the natural disaster that presently devastated the Japanese nation and, frankly talking, I see no chances to count on any financial support from Japan any more.

Instead of seeing such a hindrance with discouragement, we should think that the time has come to walk with our own legs and financial support, working hard to fundraise, always sure that we are walking on the correct Way and only good results can be reached, no matter how long it may take.

An important step has been taken, thanks to the generous follower, Mrs. Celia, from Rio Grande do Sul southern Brazilian state, that is preparing the transfering of a piece of land where the Vihara will be built. It is now our task to continue the project, so that the area does not become weedy and a source of expenses and taxes.

I have to emphasise that, Universal Dhamma Vihara, once it is built, is going to be a meeting point for Buddhist practice, able to shelter followers of other Buddhist Traditions, aiming to end up or, at least to minimize the contradicting and baseless partisanship present in a country where the so called “Buddha´s followers” more and more often split themselves up into small and weak groups instead of gathering do divulge the Buddhadharma in Brazil. The Vihara in which I am going to be the Abbot, will always be open to fellow monks of any Tradition, no matter if they are Brazilians or visitors from other countries. On the same way, all and every buddhist follower, if sincere in the practice, will always be welcome to come in and worship the Buddha, Dharma and Sangha, no matter what Tradition he or she follows.

These are the guidelines of Universal Dhamma Vihara Project that, if well divulged and with the right effort to gather volunteers and fundraise, will succeed, with the Devas´ protection and the good karma we transfer to each other.

May all of well be in Peace and protected!

 

सुनन्थो भिक्षु

Reverend SUNANTHO BHIKSHU