abril 2011


(DEAR READER, IF YOU WANT THIS OR ANY OTHER ARTICLE TRANSLATED INTO ENGLISH, JUST LET ME KNOW AND I´LL BE GLAD TO TRANSLATE IT FOR YOU!)

A todos, Namaste!

Ela é feita apenas de linha trançada… Pode ser de uma única cor – geralmente laranja – ou usando várias cores, como as que têm as cores da bandeira do Buddhismo. Em alguns templos da Ásia os garotos noviços passam horas conversando, sentados no chão, trançando as tais “PULSEIRINHAS BUDDHISTAS”, que os leigos tanto procuram após os Pújas (rituais) no salão do altar e nós monges, após recitarmos alguma benção, amarramos no pulso de cada um, que espera numa longa fila. Mas, afinal, para que serve isso?

Muita gente, por total ignorância, acredita que elas são mágicas, milagrosas, capazes de atender desejos. Por causa disto, as procuram com mais ansiedade na véspera de provas ou em qualquer outra situação de emergência. Também tem gente que acredita que, amarradas no pulso, as pulseirinhas buddhistas podem proteger ou curar doenças! Tolices à parte, vejamos o verdadeiro sentido de usar no pulso essa linhazinha colorida:

Quando eu ainda morava no Laos, pequeno país comunista espremido entre a Tailândia e o Vietnã, houve uma grande festividade no pátio do templo. Bandeiras coloridas, barraquinhas com artezanato, música e tudo no melhor estilo de quermesse de cidade do interior… Nós monges residentes e convidados somávamos mais de 30, sentados sobre a ÁNASSA (um tipo de palanque longo, só para monges sentarem) e, após a recitação das Escrituras, pegamos as pulseirinhas e os leigos começaram a formar longas filas para que as amarrássemos em seus pulsos.

O Laos atrai muitos turistas, de todas as partes do mundo, principalmente mochileiros jovens que aproveitam os preços baixos num país miserável mas simpático e muito lindo… Assim, havia vários jovens que, com suas caras ocidentais se destacavam na multidão local. Dois deles se aproximaram de mim e aguardaram enquanto eu amarrava a pulseirinha em outras pessoas. Chegando a vez deles, eu perguntei de onde eram. Conversamos um pouco em inglês e me explicaram que vinham do Canadá. Assim, antes de amarrar a pulseirinha, expliquei o significado: No momento em que amarro, recito um verso em língua Páli e, mentalmente, transmito para o recebedor minha energia positiva, desejando que nada de mal aconteça à pessoa. Porém, esta energia é passageira, não vai durar para sempre! A pulseirinha em si, é só um pedaço de linha trançada… Não é mágica, não faz milagres nem atende desejos! Mas, se cada vez que vocês olharem para ela, se lembrarem de um compromisso pessoal de não fazerem tolices e cultivarem na mente as virtudes, então a pulseirinha estará cumprindo sua verdadeira missão: ser um lembrete da prática Buddhista!

Os dois jovens ficaram felizes com minha explicação. Receberam suas pulseirinhas e foram embora, bem faceiros! Pouco depois, veio um outro grupo de turistas ocidentais. Eu dei a eles a mesma explicação e, enquanto amarrava as pulseirinhas, notei que havia um outro jovem destacado, observando de longe. Pedi aos outros que o chamassem. Era um jovem escocês, de barba longa e, SEM OS DOIS BRAÇOS, razão obvia pela qual não se aproximou! Após dar a ele a mesma explicação, pedi que ele colocasse seu pé sobre a ánassa. Naquele momento, todos os monges e leigos já estavam paralizados, olhando a cena… Na maioria dos países daquela região, a cabeça é superior e o pé inferior, portanto, uma grande ofensa mostrar a sola do pé para alguém! Imagine alguém por o pé sobre a ánassa, com a sola virada para “a figura sagrada de um monge”?

Calmamente eu amarrei a pulseirinha buddhista no tornozelo do jovem escocês, que, com os olhos lacrimejantes, me agradeceu. Ainda confusos e perplexos, meus colegas de manto continuaram o ritual…

Meses depois eu já havia retornado à Tailândia e estava morando em um templo em Bangkok. Nas ruas movimentadas e cheias de turistas, perto do Wat Phrakéaow dois jovens passaram por mim. Sorrindo, vieram me falar: “O Senhor está lembrado de nós?” perguntaram em inglês. Eu não tinha a menor idéia de onde poderia conhecê-los! “No Laos… Uns meses atrás… Num festival em Vintianne…” E, mostrando os pulsos, me deixaram ver as pulseirinhas. “Desde que o Senhor nos colocou estas pulseirinhas, nunca mais fumamos maconha!” Eu me lembrei dos jovens canadenses e, feliz, elogiei a mudança de comportamento deles. Desejei-lhes tudo de bom e eles, sorridentes, sumiram na multidão.

Este é o sentido das pulseirinhas buddhistas. Não podemos esperar nenhum milagre delas, mas, se as usarmos como lembretes de tudo de bom que somos capazes de ser, ela pode se tornar o objeto que nos torna capazes de operar milagres por nós mesmos. Tudo só depende do modo como você vê sua pulseirinha e do que esperar dela!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Rev. SUNANTHÔ BHIKSHÚ

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(DEAR READER, IF YOU WANT THIS OR ANY OTHER ARTICLE TRANSLATED INTO ENGLISH, JUST LET ME KNOW AND I´LL BE GLAD TO TRANSLATE IT FOR YOU!)

A todos, Namaste!

Muita gente me procura porque quer aprender Meditação. Querem acalmar a mente, resolver seus problemas com urgência, “parar de pensar”, “esvaziar a mente” e tantas outras definições que encontram para Meditação, desde que todas sejam IMEDITAS, INSTANTÂNEAS! Angustiadas com suas ansiedades, neuroses e pânicos, querem a meditação como uma cura milagrosa, a curto prazo, afinal – “tempo é dinheiro!” e quem não gosta de dinheiro?? Nas palestras sobre Meditação, sempre verifico que muita gente é “ex-meditador” ou já tentou meditar várias vezes, mas nunca deu continuidade. As pessoas esperam resultados imediatos de algo que é um exercício de paciência e continuidade. Ansiosas por obter tudo de imediato, se decepcionam. Não sabem nem que existe um processo do qual a Meditação é apenas uma parte. Querem ver mudanças drásticas em suas vidas após um fim de semana num workshop qualquer sobre Meditação ou após assistirem algum programa onde ela foi mostrada, afinal, o tema está bastante em moda…

Quando perguntado se poderia definir seu Ensinamento em uma única frase, o Buddha, Sábio como sempre, respondeu com toda naturalidade. Ele não disse “Medite, e pronto!” Sua definição foi bem clara: “Evitar todo o mal, praticar somente o bem e manter pura a própria mente!” Disse mesmo que este é o Ensinamento de TODOS OS BUDDHAS, deixando claro que não se tratava só de uma opinião pessoal sobre o Caminho a ser praticado! Portanto, quem busca resultados imediatos, pensando que praticar Buddhismo é como comer num “fast food”, onde tudo já está pronto e é só engolir e ir embora, vai se decepcionar – Buddhismo é um longo e perseverante treinamento disciplinar para domar a rebeldia e desmandos da mente!

“Evitar todo o mal”, como o Mestre recomendou, significa dar início a um processo de PURIFICAÇÃO DA MENTE. Isto significa a prática dos CINCO PRECEITOS (procure neste Blog quais são eles), o profundo entendimento deles e o início imediato da vivência, no dia a dia. O exemplo que sempre uso em minhas palestras por aí, é o seguinte: Suponhamos que você tenha esquecido uma torneira aberta quando saiu de casa. Ao voltar, sua casa está inundada, com água pela casa toda. Será que a primeira providência é pegar o rodo e um pano e começar a secar a casa? Não! Claro que não! A primeira coisa a ser feita é FECHAR A TORNEIRA, ou sua tentativa de secar o chão será inútil… Uma vez que a torneira esteja fechada, aí sim, poderá se ocupar de puxar a água para o ralo mais próximo.

O mesmo acontece na prática do Buddhismo. O passo inicial do processo é PARAR DE FAZER COISAS ERRADAS. Deixar de consumir álcool e drogas, parar de usar linguagem suja – palavrões e gírias sujas, vulgaridades, uso inútil do tempo com tagarelice etc.  Seguir à risca os Cinco Preceitos, sem exceções e sem indulgência é o melhor método de Purificação Mental.

Com a “torneira de mau karma” devidamente fechada, o praticante está pronto para a operação “limpeza da casa”, ou seja, da mente. Praticando boas ações (bom karma), o trabalho fica mais fácil e minimiza o impacto de maus karmas praticados em vidas anteriores e que ainda estão por surtir efeito nesta existência. Fazendo isto, estamos seguindo exatamente a definição do Buddha, portanto, o sucesso é infalível.

A etapa seguinte sim, é a Meditação! Após pararmos de produzir mau karma e, com o bom karma nos ajudando a PURIFICAR A MENTE, entra a Meditação, como fortalecedora de nossa prática.  Estaremos então num trabalho cíclico: quanto mais purificamos a mente, mais teremos disposição e vontade para meditar. Quanto mais meditarmos, mais teremos clareza de visão para darmos continuidade à prática de bom karma e estaremos assim evitando as más ações…

A Meditação, por si só, não pode purificar a mente. Ela fortalece e estabelece a clareza obtida através da firme decisão de praticarmos os Ensinamentos do Buddha, o DHARMA. Não é uma questão de pressa, não é algo que se obtém da noite para o dia, nem num workshop de fim de semana, não importa o quanto o monge palestrante seja competente e sério.

A prática do Buddhismo é um firme compromisso pessoal e intransferível. Se seguirem o processo, etapa por etapa, do modo como o Buddha aconselhou, aí sim, a prática da Meditação será válida, poderosa e objetiva. Tudo o que obtivermos dela será um “efeito colateral”, não um objetivo. Pratiquem desta forma e, com certeza atingirão o resultado de uma vida melhor, mais saudável e conduzente à Iluminação.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Rev. SUNANTHÔ BHIKSHÚ

MEU PERSONAL TRAINNER

 A todos, Namastê!

 Como todos sabem, um “personal trainner” é um preparados físico que, mediante pagamento, dá atenção particular a quem precisa ser treinado para entrar em boa forma física.

 Esse profissional orienta, acompanha, corre junto, incentiva, programa a série de exercícios e como executá-los de modo correto. Como monge buddhista, estou até bem gordo e não pensem vocês que esta matéria é para comunicar que me matriculei em alguma academia de ginástica ou que contratei um profissional para me fazer perder peso… Meu personal trainner é monástico, a prática não é física, mas sim de cultivo mental e, ao contrário do treinador físico, que passa apenas algumas horas com o aluno, meu personal passa todos os momentos do dia e da noite comigo – é de meu manto monástico que estou falando!

 Há inúmeras peças de roupa masculina – jeans, camisas, camisetas, suéteres, calças, ternos e todo tipo de acessórios que enchem os olhos das pessoas – tanto nas ruas quanto nas vitrines… Meu manto, ao contrário, não pode ser encontrado em lugar algum, nunca esteve nem vai estar na moda e tampouco será visto em catálogos ou desfiles de moda! Não varia de cor, não muda de formato, não desperta a inveja de ninguém – muito pelo contrário! A maioria das pessoas jamais pensaria em usá-lo…

 Para mim, há seis anos vestindo apenas ele, posso afirmar que é fantástico usar um manto monástico! Nunca mais me preocupei com tamanho, número, moda, estilo… Nunca mais precisei pensar no que vou vestir. Todos os dias, após o banho, já sei que basta me enrolar em meu manto e estou pronto para qualquer ocasião, para qualquer situação! De um simples passeio pela rua até o casamento do Príncipe William (não pensem que estou na lista de convidados…rsrs), o manto é o mesmo e estou pronto para ir!

 Mais do que não me preocupar com o que vestir, meu manto desempenha uma séria atividade de treinador – ele é um lembrete constante de que devo praticar o Buddhismo. Meu manto me lembra de QUEM EU SOU e como devo agir, constantemente!

 Nós monges buddhistas temos que seguir 227 Preceitos (isso mesmo, DUZENTOS E VINTE E SETE) e o manto é excelente para nos manter atentos a isto. Se eu usasse um jeans e camiseta, as pessoas NUNCA saberiam que sou um monge. Com isto, disfarçado na multidão, eu seria um alvo fácil para me perder nos prazeres sensuais do mundo… Por causa do manto, todo mundo me olha na rua e, ao invés de me incomodar, isto me mantém lembrado, alerta, atento, ao meu modo de andar, falar, agir, me comportar – sempre de acordo com os Preceitos determinados pelo próprio Buddha para nossa prática diária.

 Preceitos, ao contrário do que muita gente pensa, não existem para escravizar, e sim para LIBERTAR! Através deles, mantemos em constante ação nosso trabalho de purificação mental e é assim que nos distanciamos cada vez menos da Iluminação – usando da Atenção Plena! Um médico é reconhecido por seu jaleco branco, um policial por sua farda e um bombeiro recebe o reconhecimento do povo por sua bravura no combate ao fogo, com seu uniforme característico. Assim, também um monge, ao identificado por seu manto e cabeça raspada, deveria ser respeitado pela população e procurado pelas pessoas para que recebam Ensinamentos…

 Assim, meu manto é um personal trainner que, constantemente me lembra e me mantém atento à prática da vida monástica. Exatamente por me tornar tão diferente de todas as pessoas à minha volta, meu manto é um aliado poderoso em minha vida monástica e, sinceramente falando, eu já não me veria usando qualquer outro traje! Não abro mão de meu personal trainner monástico. Não o trocaria pelo terno ou jeans mais caro e bem feito do mundo!

 Fiquem todos em Paz e protegidos!

 सुनन्थो भिक्षु

 Rev. SUNANTHÔ BHIKSHÚ

 

PROJETO UNIVERSAL DHAMMA VIHARA – SUA GENEROSA DOAÇÃO É FUNDAMENTAL PARA NOSSO SUCESSO! QUANDO SE TORNAR REALIDADE, O TEMPLO BENEFICIARÁ CENTENAS DE PESSOAS CARENTES!

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A todos, Namastê!

Théo é um jovem de 17 anos, que trabalha aqui onde eu e meu filho fomos acolhidos e vem demonstrando interesse pela Meditação e prática do Buddhismo. Ontem, participando do Púja ele me perguntou: “Reverendo, quem são os Quatro Pares de Homens e Oito tipos de Indivíduos, mencionados no livreto da Recitação do Púja?” Como estávamos no momento de iniciar a Meditação, prometi uma explicação mais detalhada sobre os homens que escolhem seguir o Caminho da Purificação Mental e como isso pode (e deve!) ser feito.

A melhor maneira de explicar quem são os Quatro Pares de Homens e os Oito tipos de Indivíduos, é através das palavras do próprio Buddha, definindo-os num Sutra (Escritura Buddhista) a um dos membros de seu antigo clã, o Shakya Mahánama. Abaixo, segue o Sutra, com minhas explicações entre parênteses.

MAHANAMA SUTRA

O Sutra para Mahanama

(Reescrito em linguagem simples e explicado entre parênteses por Rev. SUNANTHÔ BHIKSHÚ)

ASSIM ME FOI TRANSMITIDO ORALMENTE. . Em certa ocasião o Bhagaván (signfica: Abençoado – O Buddha) estava entre os Shákyas, em Kapilavatthu (o Clã e terra natal do Buddha), no Parque de Nigrôdha. Agora, um grande número de Bhikshus (monges buddhistas) estavam empenhados em fazer um manto para o Bhagaván, pensando: “Com este manto terminado, ao final dos três meses das chuvas (o VANSÁ, Retiro de três meses, durante a estação chuvosa), o Bhagaván recomeçará suas jornadas.”

O Shákya Mahanama ouviu: “Um grande número de Bhikshús, dizem, estão empenhados em fazer um manto para o Bhagaván, pensando que com aquele manto terminado, ao final dos três meses das chuvas , o Bhagaván continuará suas jornadas.

Então, o Shákya Mahanama foi até o Bhagaván e depois de cumprimentá-lo sentou a um lado e disse: “Venerável Senhor, eu ouvi que um grande número de Bhikshús, dizem, estão empenhados em fazer um manto para o Bhagaván, pensando que com aquele manto terminado, ao final dos três meses das chuvas, o Bhagaván sairá perambulando. Para aqueles de nós que temos várias permanências [para a mente], onde deveríamos permanecer?”

“Excelente, Mahanama, excelente! É bom que membros de um clã como você se aproximem do Tathágata (título que o Buddha usava para se referir a si próprio) e perguntem, ‘Para aqueles de nós que temos várias permanências [para a mente], onde deveríamos permanecer?’

“Alguém que possui estímulo para praticar é alguém que tem convicção, não sem convicção. Alguém que possui estímulo para praticar é alguém que tem energia, não preguiça. Alguém que possui estímulo para praticar é alguém que tem a atenção plena estabelecida, não desatenção. Alguém que possui estímulo para praticar é alguém com a concentração, não dispersão. Alguém que possui estímulo para praticar é alguém com Sabedoria, não sem Sabedoria.

“Baseado nessas cinco qualidades, você deveria adicionalmente desenvolver seis qualidades:

 “É o caso em que você se recorda do Tathágata: ‘De fato, o Bhagaván é um Arahant (um Iluminado em vida), perfeitamente iluminado, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um líder insuperável de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de Dêvas e Humanos, desperto, sublime.’ Todos os momentos em que um nobre discípulo esteja se recordando do Tathágata, a sua mente não estará tomada pela cobiça, não estará tomada pela raiva, não estará tomada pela delusão. A sua mente seguirá firme, baseada no Tathágata. E quando a mente segue firme, o nobre discípulo obtém a compreensão do objetivo, obtém a compreensão do Dharma (a Lei Universal e também o Ensinamento do Buddha), obtém satisfação conectada com o Dharma. Naquele que está satisfeito, o êxtase surge. Naquele que está em êxtase, o corpo se acalma. Aquele cujo corpo se acalma, experimenta a tranqüilidade. Naquele que está tranqüilo, a mente se torna concentrada.

“Daquele que faz isto, Mahanama, se diz:: ‘Entre aqueles que estão em desarmonia, o nobre discípulo permanece em harmonia; entre aqueles que são maldosos, ele permanece sem maldade; tendo entrado na correnteza do Dharma, ele desenvolve a contemplação do Buddha.

 “Além disso, é o caso em que você se recorda do Dharma: ‘O Dharma é bem proclamado pelo Bhagaván, visível no aqui e agora, com efeito imediato, que convida ao exame (não é aceito por fé cega), que conduz para adiante, para ser experimentado pelos Sábios por eles mesmos.’ Todos os momentos em que um nobre discípulo esteja se recordando do Dharma, a sua mente não estará tomada pela cobiça, não estará tomada pela raiva, não estará tomada pela delusão. A sua mente seguirá firme, baseada no Dharma. E quando a mente segue firme, o nobre discípulo obtém a compreensão do objetivo, obtém a compreensão do Dharma, obtém satisfação conectada com o Dharma. Naquele que está satisfeito, o êxtase surge. Naquele que está em êxtase, o corpo se acalma. Aquele cujo corpo se acalma, experimenta a tranqüilidade. Naquele que está tranqüilo, a mente se torna concentrada.

“Daquele que faz isto, Mahanama, se diz:: ‘Entre aqueles que estão em desarmonia, o nobre discípulo permanece em harmonia; entre aqueles que são maldosos, ele permanece sem maldade; tendo entrado na correnteza do Dharma, ele desenvolve a contemplação do Dharma.’

“Além disso, é o caso em que você se recorda da Sangha (a Comunidade dos Monges do Buddha): ‘A Sangha dos discípulos do Bhagaván pratica o bom Caminho, pratica o Caminho reto, pratica o Caminho verdadeiro, pratica o Caminho adequado, isto é, os quatro pares de pessoas, os oito tipos de indivíduos; esta Sangha dos discípulos do Bhagaván é merecedora de dádivas, merecedora de hospitalidade, merecedora de oferendas, merecedora de saudações com reverência, um campo inigualável de mérito para o mundo.’ Todos os momentos em que um nobre discípulo esteja se recordando da Sangha, a sua mente não estará tomada pela cobiça, não estará tomada pela raiva, não estará tomada pela delusão. A sua mente seguirá firme, baseada na Sangha. E quando a mente segue firme, o nobre discípulo obtém a compreensão do objetivo, obtém a compreensão do Dharma, obtém satisfação conectada com o Dharma. Naquele que está satisfeito, o êxtase surge. Naquele que está em êxtase, o corpo se acalma. Aquele cujo corpo se acalma, experimenta a tranqüilidade. Naquele que está tranqüilo, a mente se torna concentrada.

“Daquele que faz isto, Mahanama, se diz:: ‘Entre aqueles que estão em desarmonia, o nobre discípulo permanece em harmonia; entre aqueles que são maldosos, ele permanece sem maldade; tendo entrado na correnteza do Dharma, ele desenvolve a contemplação da Sangha.’

 “Além disso, é o caso em que você se recorda das suas próprias virtudes: “Elas são intactas, não-danificadas, imaculadas, não-manchadas, libertadoras, elogiadas pelos Sábios, desapegadas, que conduzem à concentração’. Em todos os momentos em que um nobre discípulo esteja se recordando das suas virtudes, a sua mente não estará tomada pela cobiça, não estará tomada pela raiva, não estará tomada pela delusão. A sua mente seguirá firme, baseada nas suas virtudes. E quando a mente segue firme, o nobre discípulo obtém a compreensão do objetivo, obtém a compreensão do Dharma, obtém satisfação conectada com o Dharma. Naquele que está satisfeito, o êxtase surge. Naquele que está em êxtase, o corpo se acalma. Aquele cujo corpo se acalma, experimenta a tranqüilidade. Naquele que está tranqüilo, a mente se torna concentrada.

“Daquele que faz isto, Mahanama, se diz:: ‘Entre aqueles que estão em desarmonia, o nobre discípulo permanece em harmonia; entre aqueles que são maldosos, ele permanece sem maldade; tendo entrado na correnteza do Dharma, ele desenvolve a contemplação da virtude.’

 “Além disso, é o caso em que você se recorda da sua própria generosidade: ‘É um ganho, um grande ganho para mim, que – entre pessoas sujeitas à mancha de serem possessívas – eu permaneça em casa com uma mente desprovida da impureza da avareza, espontaneamente generoso, desapegado, deliciando-me com a renúncia, devotado à caridade, deliciando-me em dar e compartilhar.’ Em todos os momentos em que um nobre discípulo esteja se recordando da sua generosidade, a sua mente não estará tomada pela cobiça, não estará tomada pela raiva, não estará tomada pela delusão. A sua mente seguirá firme, baseada na sua generosidade. E quando a mente segue firme, o nobre discípulo obtém a compreensão do objetivo, obtém a compreensão do Dharma, obtém satisfação conectada com o Dharma. Naquele que está satisfeito, o êxtase surge. Naquele que está em êxtase, o corpo se acalma. Aquele cujo corpo se acalma, experimenta a tranqüilidade. Naquele que está tranqüilo, a mente se torna concentrada.

“Daquele que faz isto, Mahanama, se diz:: ‘Entre aqueles que estão em desarmonia, o nobre discípulo permanece em harmonia; entre aqueles que são maldosos, ele permanece sem maldade; tendo entrado na correnteza do Dharma, ele desenvolve a contemplação da generosidade.’

 “Além disso, é o caso em que você se recorda dos Dêvas (seres que renascem em dimensões paralelas à nossa): ‘Há os Dêvas dos Quatro Grandes Reis, os Dêvas do Trinta e três Reinos, os Dêvas de Yama, os Dêvas de Tushita, os Dêvas que se deliciam com a criação, os Dêvas que exercem poder sobre a criação dos outros, os Dêvas do cortejo de Brahmá (rei dos deuses), os Dêvas que estão além. Seja qual for a convicção com a qual eles estiveram dotados pela qual – ao decair desta vida – eles ressurgiram lá, o mesmo tipo de convicção está presente em mim também. Seja qual for a virtude com a qual eles estiveram dotados pela qual – ao decair desta vida – eles ressurgiram lá, o mesmo tipo de virtude está presente em mim também. Seja qual for o aprendizado com o qual eles estiveram dotados pelo qual – ao decair desta vida – eles ressurgirram lá, o mesmo tipo de aprendizado está presente em mim também. Seja qual for a generosidade com a qual eles estiveram dotados pela qual – ao decair desta vida – eles ressurgiram lá, o mesmo tipo de generosidade está presente em mim também. Seja qual for a sabedoria com o qual eles estiveram dotados pelo qual – ao decair desta vida – eles ressurgiram lá, o mesmo tipo de sabedoria está presente em mim também..’ Em todos os momentos em que um nobre discípulo estiver se recordando da convicção, virtude, aprendizado, generosidade e Sabedoria encontrado tanto nele como nos Dêvas, a sua mente não estará tomada pela cobiça, não estará tomada pela raiva, não estará tomada pela delusão. A sua mente seguirá firme, baseada nas qualidades dos Dêvas. E quando a mente segue firme, o nobre discípulo obtém a compreensão do objetivo, obtém a compreensão do Dharma, obtém satisfação conectada com o Dharma. Naquele que está satisfeito, o êxtase surge. Naquele que está em êxtase, o corpo se acalma. Aquele cujo corpo se acalma, experimenta a tranqüilidade. Naquele que está tranqüilo, a mente se torna concentrada.

“Daquele que faz isto, Mahanama, se diz:: ‘Entre aqueles que estão em desarmonia, o nobre discípulo permanece em harmonia; entre aqueles que são maldosos, ele permanece sem maldade; tendo entrado na correnteza do Dharma, ele desenvolve a contemplação dos Dêvas.'”

FIQUEM TODOS EM PAZ E PROTEGIDOS!

सुनन्थो भिक्षु

 

(DEAR READER, IF YOU WANT THIS OR ANY OTHER ARTICLE TRANSLATED INTO ENGLISH, JUST LET ME KNOW AND I´LL BE GLAD TO TRANSLATE IT FOR YOU!)

A todos, Namastê!

Uma das grandes preocupações que sempre tive no período que morei na Ásia é o modo como grande parte da população, inclusive monástica, encara a figura do Buddha… Muita gente crê, cegamente, que ele realmente tinha as chamadas 32 Marcas de um Ser Grandioso, totalmente imaginárias, e, portanto, todos podiam ver suas orelhas que tocavam os ombros, seus braços longos, com os cotovelos alinhados aos joelhos, sua pele dourada com manchas nas costas, seus dentes – todos do mesmo tamanho e o famoso calombo no alto da cabeça, com cabelos azuis enchacheados e o tal tufo de pelos brancos, em espiral, no meio da testa… Assim descrito, o Mestre mais parece um alienígena que um deus, mas, mesmo assim as pessoas acreditam em seu caráter divino!

O Buddha SEMPRE AFIRMOU NÃO SER UM DEUS, nem mensageiro de deus algum, nem profeta… Sempre insistiu em deixar claro o fato de ser APENAS UM SER HUMANO que, por esforço próprio, descobriu o Caminho para o fim de todas as inquietações que afligem os seres vivos. Aliás, foi exatamente este ponto que me chamou a atenção, quando, há quinze anos, descobri o Buddhismo e, fascinado, resolvi seguí-lo! Na época eu estava totalmente desiludido com qualquer tipo de religião, afastado de todas as crenças, decepcionado com a imposição dos dogmas de fé! Se tivessem me dito que o Buddha é um deus e que eu devia adorá-lo, eu não teria aceito me tornar buddhista, pois estaria “trocando seis por meia-dúzia”. Se fosse para adorar um deus inatingível, eu teria ficado com qualquer uma das religiões que já havia pesquisado e praticado!

Muito bem… Então o Buddha era um ser humano! Mas, agora, mais uma vez, é preciso examinar com o devido CUIDADO e atenção até onde vai a humanidade do Buddha… Se erramos ao divinizar o Mestre, também estaremos errados se o colocarmos no mesmo nível de QUALQUER outro ser humano, pois isso negaria o caráter ILUMINADO do Buddha, limitando-o a ser como qualquer um, seria negar a Iluminação, o Estado Mental de NIRVÁNA, o que, inevitavelmente, nos levaria à conclusão de que o Buddha poderia cometer erros, ter distorções de visão, ser falível e sujeito às diversas armadilhas dos prazeres sensuais, inclusive sujeito a ter apegos! Então, muito cuidado com a figura do Buddha! O que torna o Buddhismo diferente das demais crenças é justamente o fato de todos e cada um de nós ter em si o potencial inerente de nos tornarmos buddhas, exatamente como aconteceu com Siddharth Gáutam e, TEORICAMENTE, vejam bem, apenas na TEORIA, isto pode ser atingido AQUI e AGORA, nesta mesma vida, sem ser algo pós-morte, só dependendo do grau de cultivo das virtudes, entendimento correto do Dharma e do quão elevado for o nosso processo de purificação da mente…

Mas, vejamos, se fosse um processo tão simples, fácil e rápido, pessoas que já praticam o Buddhismo há 20, 30 ou até 50 anos já seriam iluminadas, buddhas completos, andando pelo mundo. Se isto não ocorre, ou, pelo menos não temos notícias de que há um buddha entre nós, é porque a coisa não é tão simples quanto parece – por isso eu disse que na TEORIA é simples! O que aconteceu com o ex-Príncipe Siddharth Gáutam não acontece toda hora, nem todo dia! Ele realmente era um ser humano, mas não um ser humano qualquer, como eu e você! Sem deixar de ser uma pessoa, que dormia, andava, falava, comia e ia ao banheiro, Siddharth foi alguém que, vida após vida, durante milênios, praticou virtudes, se dedicou a um profundo cultivo mental, se esforçou muito e, finalmente, em seu renascimento, 3000 anos atrás, chegou ao final do longo processo de se tornar um Buddha, atingindo a ILUMINAÇÃO, fazendo assim com que aquele fosse seu último renascimento.

Não podemos exagerar nosso conceito sobre o Buddha, dando a ele qualquer característica divina, poque, se o considerarmos um deus, estaremos não só afastando-o de nós, mas, principalmente, pondo a tarefa humanamente realizá-vel de alcançar a Iluminação como algo possível apenas para um deus, o que invalidaria toda a Verdade do Buddhismo! Ao mesmo tempo, não podemos minimizar o fato de ele ter sido humano a ponto de achar que era apenas uma pessoa “inteligente”! O Mestre foi O BUDDHA, com todas as letras maiúsculas e o significado real da palavra: SER TOTALMENTE ILUMINADO! Em língua Páli ele também é chamado de SAMMASAMBUDDHASSA, que significa: Aquele que se tornou totalmente iluminado, por esforço próprio! Assim, toda vez que pensarmos a respeito do Buddha, devemos vê-lo como realmente foi – alguém que trabalhou intensamente para chegar aonde chegou – se tornar infalível, totalmente liberto de conceitos e distorções de opinião sobre todos as coisas existentes no Universo. Só quando o vemos deste modo estaremos aptos a seguir seu exemplo e, também nós, atingirmos o Estado Mental de Nirvána.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Reverendo SUNANTHÔ BHIKSHÚ

बुद्ध पुणॆीमा – १७ वैसख २५५४

VESAK – 17 Maio 2011

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