A todos, Namaste!

O Grande Mestre da Tradição da Floresta, AJAHN CHAH (se pronuncia “adján tchá”) nos deixou em 1996, com um legado de inúmeras palestras, livros e imensa Sabedoria que o tornou imortal na história do Buddhismo. Foi o primeiro monge Theravada a acreditar no potencial de nós ocidentais para nos tornarmos monges e, graças a esse crédito, hoje temos excelentes monges Theravada de diversos países ocidentais – desde os precursores Ajahn Sumedho e Ajahn Brahmavamso (americano e inglês, respectivamente), até monges italianos, tchecos e de tantas outras nacionalidades.

No Brasil, embora tenha chegado junto com os primeiros imigrantes japoneses, mais de cem anos atrás, o Buddhismo se manteve por muitos anos limitado às pequenas comunidades desse povo, quase que totalmente desconhecido do brasileiro não-oriental. Pouco ou quase nenhum foi o esforço para divulgar o Ensinamento do Buddha para nosso povo e só agora o Buddhismo vem deixando de ser um “ilustre desconhecido”. Assim sendo, é importantíssimo que a mensagem eterna e imortal do Buddha se espalhe por nosso país de forma consistente, realista, clara e não-distorcida porque só assim será capaz de agir como antídoto para tantos problemas que afligem nosso Brasil.

Temos a experiência de uma nação católica formada por gente que afirma: “Sou Católico mas não praticante!” Temos a visão constante de pessoas que misturam diversas crenças, “saindo da missa do galo para jogar flores ao mar, em oferendas para Yemanjá”. Antes de ser algo bonito de se ver, considero isto uma grande confusão mental, como se correr de um lado para o outro ou pular de galho em galho fosse a atitude correta de quem procura com seriedade o cultivo mental ou desenvolvimento “espiritual”, como querem alguns…

No caso do Buddhismo, me preocupa seriamente ver o que está acontecendo no cenário brasileiro! Tenho ouvido tolices que me fazem questionar que rumos os Ensinamentos Originais de Shakya Muni (O Buddha) estão tomando no Brasil… Acostumadas a misturar tudo quanto é tipo de crença, jogando tudo num liquidificador, as pessoas já estão fazendo isto também com o Dharma!

Em nome de uma falsa idéia de que o Buddhismo é flexível e admite misturar várias doutrinas, tem gente frequentando todo tipo de lugar e, nas horas vagas, acendendo incenso para o Buddha, com isto se achando no direito de se chamar de buddhista. Como ouvem dizer que no Buddhismo não existe pecado, acabam maculando o Dharma com uma libertinagem que nada tem a ver com o que o Buddha ensinou! Vemos então esses tolos bebendo ou até usando drogas, usando todo tipo de linguagem vulgar e suja e batendo no peito ao se chamarem de buddhistas.

É preciso investirmos MUITO e com total seriedade na formação dos seguidores do Buddha no Brasil! Buddhismo é coisa séria, minha gente!! Não existe Buddhismo sem comprometimento, sem treinamento mental, sem disciplina rígida e constante!! A formação de leigos exige deles a seriedade de quem está aprendendo um Ensinamento poderoso, tão atual agora quanto sempre foi no passado. Somente com leigos conscientes poderemos formar FAMÍLIAS BUDDHISTAS, capazes de criar seus filhos à luz do Dharma! Mas, outra coisa que também vem me preocupando é a QUALIDADE DA COMUNIDADE MONÁSTICA que vem se formando no Brasil… Para ensinar leigos buddhistas, há que se formar primeiro MONGES  E MONJAS SÉRIOS E CAPACITADOS, do contrário, a Mahá Sangha (comunidade monástica) e os leigos buddhistas serão como um cego guiando o outro, numa região cheia de abismos, ou seja, uma condenação ao fracasso do Buddhismo no Brasil!

Não precisamos de “Buddhistas não-praticantes”, como vem acontecendo com o Catolicismo! Não precisamos de buddhistas que nada sabem sobre o Dharma e não seguem preceito algum! Se é para sujarmos o nome do Buddha com tolices e devaneios, é melhor que não haja Buddhismo por aqui…

É preciso investir muito num treinamento monástico sério!! É necessário mandar os aspirantes para a Ásia, não importa que Tradição queiram seguir! Um treinamento monástico adequado, com dedicação e seriedade é ESSENCIAL E INDISPENSÁVEL para a formação de uma Comunidade Monástica capaz e forte o suficiente para difundir em nosso país os Ensinamentos do Buddha, o chamado Dharma.

Quanto aos leigos, seria muito bom se passassem a ver o Buddhismo com a seriedade que lhe é devida. Parem de pular de galho em galho!! Acordem para a realidade dos fatos – ser buddhista é para quem quer de verdade – não existe buddhista não-praticante, nem buddhista de fim de semana!! Há muita gente séria e consciente, que se dedica a estudar a fundo o Ensinamento do Buddha para transmití-lo a quem realmente quer e MERECE aprender. Se não por respeito a essas pessoas, pelo menos por respeito a SI PRÓPRIOS, só se entitulem buddhistas se realmente for isso que querem para suas vidas!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Rev. SUNANTHÔ BHIKSHÚ