A TODOS, NAMASTE!

No primeiro Shastra, enviado ao estudante Jorginho, foi explicado o conceito de NIRVANA. Agora, ainda respondendo ao seu dever de casa (TEMA, em bom “gauchês”), Jorginho quer uma resposta para a seguinte pergunta: “Por que no Buddhismo o desejo é a origem da dor?” A resposta a esta pergunta é o segundo SHASTRA para Jorginho…

 DUKKHA SHASTRA

(O CONCEITO FUNDAMENTAL DA INQUIETUDE MENTAL)

Para responder à pergunta, é necessário corrigir o termo nela usado: “dor”. O Buddha nunca se referiu especificamente a palavras como DOR, SOFRIMENTO, ANGÚSTIA etc. Isto porque todos esses termos são relativos, vagos, não expressam necessariamente um sentido verdadeiro. O que é sofrimento?? O que é dor?? O que podemos considerar como sofrimento e dor, pode ser prazer para algumas pessoas! Então, o Buddha preferiu usar um termo que engloba todas as possibilidades de emoção desagradável, de sensação incômoda, de INQUIETUDE MENTAL, ALTERAÇÃO NEGATIVA DO ESTADO PURO E NEUTRO DA MENTE. A tudo isso ele definiu com uma única palavra, que deve ser ENTENDIDA, INTERIORIZADA, mas nunca traduzida: DUKKHA!

DUKKHA é a palavra para definir desde uma simples “unha encravada”, uma “dor de cabeça” ou algo assim, até a morte da pessoa amada, em um sério e inesperado acidente ou assassinato! TUDO ISSO É DUKKHA e, por entendermos que uma dor de cabeça não pode ser comparada à dor da perda do ser amado, não traduzimos DUKKHA, apenas entendemos a profundidade desse termo!

Agora, uma vez que tenhamos entendido profundamente este conceito estabelecido pelo Buddha, vamos ver como isto funciona em nossa vida diária… Se, de repente, ouvimos uma antiga canção de amor e ela nos transporta mentalmente à lembrança da pessoa amada que há mmuito se foi, podemos ficar tristes, nostálgicos etc. Isso pode ser chamado de DUKKHA, porque jamais voltaremos ao passado, jamais reviveremos aquela situação e, não importa o quanto achemos que podemos reconstituir a cena com perfeição, isso não será verdade!

O mesmo é válido para todas as nossas lembranças, memórias, APEGOS AO QUE JÁ SE FOI. Nada, absolutamente nada vai voltar, nada pode ser resgatado do passado! Portanto, nosso apego às lembranças só podem nos causar DUKKHA, nada além disso!

Da mesma forma, se desejarmos que o futuro seja exatamente do modo que queremos e nele depositarmos todas as nossas esperanças, expectativas e ansiedades, infalivelmente seremos vítimas de DUKKHA! Isto porque as coisas não podem ser o tempo todo como queremos! Elas dependem de uma infinidade de CAUSAS E CONDIÇÕES, que podem se combinar OU NÃO. Portanto, apostar todas as nossas esperanças em algo que ainda não aconteceu, é outra fonte segura e inevitável de DUKKHA…

DUKKHA se manifesta quando desejamos o que não temos, quando desejamos nos livrar das coisas que nos incomodam e quando desejamos ter de volta as coisas que, por serem IMPERMANENTES, já não fazem parte de nossa vida.

Não devemos desejar NADA em excesso… Isto não significa que não podemos ter nossos sonhos, projetos e planos para o futuro, mas nunca devemos desejar desmedidamente que eles se realizem, nem pularmos no escuro numa piscina vazia! É com base neste Ensinamento sábio que o Buddhismo afirma que o DESEJO – enquanto desmedido e carente de Sabedoria, é a origem de DUKKHA.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु