A todos, Namastê!

 Alguns de meus seguidores mais antigos já devem ter lido esta fábula, a eles, solicito paciência… Para os que nunca a leram, trata-se de uma fábula que ouvi pela primeira vez em Chinês, contada por uma monja de Taiwan, antes mesmo de minha ida para a Ásia. À medida que a monja a contava, eu ia traduzindo para a audiência de brasileiros e, mais tarde, a adaptei às condições culturais de nosso país. 

 A FÁBULA DO GATO

 

Era apenas um gato vira-lata, como tantos outros que vemos perambular por todas as cidades do mundo… Passou a noite toda rondando pelas ruas e becos à procura de comida e, com pouco sucesso, estava cansado e pronto para dormir no alto do muro de uma casa luxuosa. Assim, com o sol quentinho e convidativo para um bom sono, se acomodou. Foi então que, como um apelo hipnótico, aquele aroma penetrou por suas narinas… Peixe?? Sim! Claro! Peixe assado! Aquele aroma era inconfundível! Logo descobriu de onde vinha aquele perfume dos deuses… Logo ali, pela janela da cozinha da mansão, bem ao alcance de sua boca! Em poucos minutos ele já havia adentrado a cozinha e agora, de volta à segurança do muro, se regalava com o peixe…

Logo em seguida veio uma terrível sensação de remorso! O que ele havia feito? Acabara de roubar! Agora era um ladrão, um marginal, um fora da lei! Logo ele, que fora educado tão bem por sua santa mãezinha que, dizem, tinha até um tal de pedigree! Aquele sentimento permaneceu em sua consciência felina por alguns momentos, mas, de barriga cheia e com um calorzinho tão aconchegante, logo adormeceu…

No dia seguinte, após mais uma ronda frustrada, voltou ao mesmo muro e desta vez um outro aroma foi procurá-lo: Frango assado! Sim! Com certeza! E lá estava aquela visão celestial, sobre a mesa da cozinha, tão pertinho, tão fácil de alcançar… Movido pelo estômago, ele pulou para dentro da cozinha e, em poucos minutos estava saboreando o frango. Não restaram nem os ossos! Mas, logo em seguida aquele terrível sentimento voltou para atormentá-lo! “Ah!” pensou ele, “A culpa é da sociedade, que não me compreende e me deixou nesta situação! Se os humanos tivessem me deixado na casa onde nasci, eu não precisaria roubar nada! Nasci num berço de ouro, tenho direitos! Tenho aqui o que mereço, não há nada de errado no que fiz!” Assim, aquietando sua mente, adormeceu tranquilo.

No dia seguinte teve carne de porco para o cardápio e comeu tudo, mas achando que o tempero não estava muito bom…  O melhor mesmo foi o peixe do primeiro dia… E, depois foi uma bonita carne assada que o atraiu para a cozinha. Como de costume, pulou pela janela, subiu na mesa e, quando estava pronto para abocanhar a iguaria, sentiu um laço apertar forte seu pescoço! Logo se formou a confusão… Vários humanos gritavam e um deles preparava um saco onde ele foi jogado! Nervosa, uma mulher gritava: “Tirem esse gato ladrão da minha cozinha!!”

Numa jaula no carro, a caminho da Sociedade Protetora dos Animais o gato pensava: “Humanos ingratos! Dou a eles a honra de minha visita e é assim que me agradecem! Humpf! Nem ao menos cozinham bem!

 FIM DA FÁBULA DO GATO…

 Fiquem em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Reverendo SUNANTHÔ BHIKSHÚ