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A todos, Namastê!

Uma das grandes preocupações que sempre tive no período que morei na Ásia é o modo como grande parte da população, inclusive monástica, encara a figura do Buddha… Muita gente crê, cegamente, que ele realmente tinha as chamadas 32 Marcas de um Ser Grandioso, totalmente imaginárias, e, portanto, todos podiam ver suas orelhas que tocavam os ombros, seus braços longos, com os cotovelos alinhados aos joelhos, sua pele dourada com manchas nas costas, seus dentes – todos do mesmo tamanho e o famoso calombo no alto da cabeça, com cabelos azuis enchacheados e o tal tufo de pelos brancos, em espiral, no meio da testa… Assim descrito, o Mestre mais parece um alienígena que um deus, mas, mesmo assim as pessoas acreditam em seu caráter divino!

O Buddha SEMPRE AFIRMOU NÃO SER UM DEUS, nem mensageiro de deus algum, nem profeta… Sempre insistiu em deixar claro o fato de ser APENAS UM SER HUMANO que, por esforço próprio, descobriu o Caminho para o fim de todas as inquietações que afligem os seres vivos. Aliás, foi exatamente este ponto que me chamou a atenção, quando, há quinze anos, descobri o Buddhismo e, fascinado, resolvi seguí-lo! Na época eu estava totalmente desiludido com qualquer tipo de religião, afastado de todas as crenças, decepcionado com a imposição dos dogmas de fé! Se tivessem me dito que o Buddha é um deus e que eu devia adorá-lo, eu não teria aceito me tornar buddhista, pois estaria “trocando seis por meia-dúzia”. Se fosse para adorar um deus inatingível, eu teria ficado com qualquer uma das religiões que já havia pesquisado e praticado!

Muito bem… Então o Buddha era um ser humano! Mas, agora, mais uma vez, é preciso examinar com o devido CUIDADO e atenção até onde vai a humanidade do Buddha… Se erramos ao divinizar o Mestre, também estaremos errados se o colocarmos no mesmo nível de QUALQUER outro ser humano, pois isso negaria o caráter ILUMINADO do Buddha, limitando-o a ser como qualquer um, seria negar a Iluminação, o Estado Mental de NIRVÁNA, o que, inevitavelmente, nos levaria à conclusão de que o Buddha poderia cometer erros, ter distorções de visão, ser falível e sujeito às diversas armadilhas dos prazeres sensuais, inclusive sujeito a ter apegos! Então, muito cuidado com a figura do Buddha! O que torna o Buddhismo diferente das demais crenças é justamente o fato de todos e cada um de nós ter em si o potencial inerente de nos tornarmos buddhas, exatamente como aconteceu com Siddharth Gáutam e, TEORICAMENTE, vejam bem, apenas na TEORIA, isto pode ser atingido AQUI e AGORA, nesta mesma vida, sem ser algo pós-morte, só dependendo do grau de cultivo das virtudes, entendimento correto do Dharma e do quão elevado for o nosso processo de purificação da mente…

Mas, vejamos, se fosse um processo tão simples, fácil e rápido, pessoas que já praticam o Buddhismo há 20, 30 ou até 50 anos já seriam iluminadas, buddhas completos, andando pelo mundo. Se isto não ocorre, ou, pelo menos não temos notícias de que há um buddha entre nós, é porque a coisa não é tão simples quanto parece – por isso eu disse que na TEORIA é simples! O que aconteceu com o ex-Príncipe Siddharth Gáutam não acontece toda hora, nem todo dia! Ele realmente era um ser humano, mas não um ser humano qualquer, como eu e você! Sem deixar de ser uma pessoa, que dormia, andava, falava, comia e ia ao banheiro, Siddharth foi alguém que, vida após vida, durante milênios, praticou virtudes, se dedicou a um profundo cultivo mental, se esforçou muito e, finalmente, em seu renascimento, 3000 anos atrás, chegou ao final do longo processo de se tornar um Buddha, atingindo a ILUMINAÇÃO, fazendo assim com que aquele fosse seu último renascimento.

Não podemos exagerar nosso conceito sobre o Buddha, dando a ele qualquer característica divina, poque, se o considerarmos um deus, estaremos não só afastando-o de nós, mas, principalmente, pondo a tarefa humanamente realizá-vel de alcançar a Iluminação como algo possível apenas para um deus, o que invalidaria toda a Verdade do Buddhismo! Ao mesmo tempo, não podemos minimizar o fato de ele ter sido humano a ponto de achar que era apenas uma pessoa “inteligente”! O Mestre foi O BUDDHA, com todas as letras maiúsculas e o significado real da palavra: SER TOTALMENTE ILUMINADO! Em língua Páli ele também é chamado de SAMMASAMBUDDHASSA, que significa: Aquele que se tornou totalmente iluminado, por esforço próprio! Assim, toda vez que pensarmos a respeito do Buddha, devemos vê-lo como realmente foi – alguém que trabalhou intensamente para chegar aonde chegou – se tornar infalível, totalmente liberto de conceitos e distorções de opinião sobre todos as coisas existentes no Universo. Só quando o vemos deste modo estaremos aptos a seguir seu exemplo e, também nós, atingirmos o Estado Mental de Nirvána.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Reverendo SUNANTHÔ BHIKSHÚ