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A todos, Namaste!

Ela é feita apenas de linha trançada… Pode ser de uma única cor – geralmente laranja – ou usando várias cores, como as que têm as cores da bandeira do Buddhismo. Em alguns templos da Ásia os garotos noviços passam horas conversando, sentados no chão, trançando as tais “PULSEIRINHAS BUDDHISTAS”, que os leigos tanto procuram após os Pújas (rituais) no salão do altar e nós monges, após recitarmos alguma benção, amarramos no pulso de cada um, que espera numa longa fila. Mas, afinal, para que serve isso?

Muita gente, por total ignorância, acredita que elas são mágicas, milagrosas, capazes de atender desejos. Por causa disto, as procuram com mais ansiedade na véspera de provas ou em qualquer outra situação de emergência. Também tem gente que acredita que, amarradas no pulso, as pulseirinhas buddhistas podem proteger ou curar doenças! Tolices à parte, vejamos o verdadeiro sentido de usar no pulso essa linhazinha colorida:

Quando eu ainda morava no Laos, pequeno país comunista espremido entre a Tailândia e o Vietnã, houve uma grande festividade no pátio do templo. Bandeiras coloridas, barraquinhas com artezanato, música e tudo no melhor estilo de quermesse de cidade do interior… Nós monges residentes e convidados somávamos mais de 30, sentados sobre a ÁNASSA (um tipo de palanque longo, só para monges sentarem) e, após a recitação das Escrituras, pegamos as pulseirinhas e os leigos começaram a formar longas filas para que as amarrássemos em seus pulsos.

O Laos atrai muitos turistas, de todas as partes do mundo, principalmente mochileiros jovens que aproveitam os preços baixos num país miserável mas simpático e muito lindo… Assim, havia vários jovens que, com suas caras ocidentais se destacavam na multidão local. Dois deles se aproximaram de mim e aguardaram enquanto eu amarrava a pulseirinha em outras pessoas. Chegando a vez deles, eu perguntei de onde eram. Conversamos um pouco em inglês e me explicaram que vinham do Canadá. Assim, antes de amarrar a pulseirinha, expliquei o significado: No momento em que amarro, recito um verso em língua Páli e, mentalmente, transmito para o recebedor minha energia positiva, desejando que nada de mal aconteça à pessoa. Porém, esta energia é passageira, não vai durar para sempre! A pulseirinha em si, é só um pedaço de linha trançada… Não é mágica, não faz milagres nem atende desejos! Mas, se cada vez que vocês olharem para ela, se lembrarem de um compromisso pessoal de não fazerem tolices e cultivarem na mente as virtudes, então a pulseirinha estará cumprindo sua verdadeira missão: ser um lembrete da prática Buddhista!

Os dois jovens ficaram felizes com minha explicação. Receberam suas pulseirinhas e foram embora, bem faceiros! Pouco depois, veio um outro grupo de turistas ocidentais. Eu dei a eles a mesma explicação e, enquanto amarrava as pulseirinhas, notei que havia um outro jovem destacado, observando de longe. Pedi aos outros que o chamassem. Era um jovem escocês, de barba longa e, SEM OS DOIS BRAÇOS, razão obvia pela qual não se aproximou! Após dar a ele a mesma explicação, pedi que ele colocasse seu pé sobre a ánassa. Naquele momento, todos os monges e leigos já estavam paralizados, olhando a cena… Na maioria dos países daquela região, a cabeça é superior e o pé inferior, portanto, uma grande ofensa mostrar a sola do pé para alguém! Imagine alguém por o pé sobre a ánassa, com a sola virada para “a figura sagrada de um monge”?

Calmamente eu amarrei a pulseirinha buddhista no tornozelo do jovem escocês, que, com os olhos lacrimejantes, me agradeceu. Ainda confusos e perplexos, meus colegas de manto continuaram o ritual…

Meses depois eu já havia retornado à Tailândia e estava morando em um templo em Bangkok. Nas ruas movimentadas e cheias de turistas, perto do Wat Phrakéaow dois jovens passaram por mim. Sorrindo, vieram me falar: “O Senhor está lembrado de nós?” perguntaram em inglês. Eu não tinha a menor idéia de onde poderia conhecê-los! “No Laos… Uns meses atrás… Num festival em Vintianne…” E, mostrando os pulsos, me deixaram ver as pulseirinhas. “Desde que o Senhor nos colocou estas pulseirinhas, nunca mais fumamos maconha!” Eu me lembrei dos jovens canadenses e, feliz, elogiei a mudança de comportamento deles. Desejei-lhes tudo de bom e eles, sorridentes, sumiram na multidão.

Este é o sentido das pulseirinhas buddhistas. Não podemos esperar nenhum milagre delas, mas, se as usarmos como lembretes de tudo de bom que somos capazes de ser, ela pode se tornar o objeto que nos torna capazes de operar milagres por nós mesmos. Tudo só depende do modo como você vê sua pulseirinha e do que esperar dela!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Rev. SUNANTHÔ BHIKSHÚ