A todos, Namaste!

O Buddha, por várias vezes nos alertou que não devemos nos apegar a coisa alguma! Ele foi mais além: Se nos apegarmos mesmo ao IDEAL DE ALCANÇARMOS A ILUMINAÇÃO, estaremos nos distanciando dela! A prática do Buddhismo deve ser mantida no CAMINHO DO MEIO, sem qualquer forma de extremismo, portanto, até mesmo a prática das virtudes, se exagerada e radicalizada se tornará perigosa e contraproducente.

O Buddhismo, em todas as suas Tradições está cheio de exemplos do desapego às idéias ferrenhas, do discernimento em quando devemos, COM SABEDORIA, abrir uma exceção e relaxar um pouco em determinadas situações. Um exemplo clássico e conhecido é a famosa estória do monge que caminhava com o noviço e pegou uma jovem nos braços para ajudá-la a atravessar um rio…

Se formos radicais, mesmo na busca de praticarmos bom karma, estaremos nos apegando a pontos de vista e isto, com certeza, vai criar distorções de visão. Não há nada de mal em adotar um animal carente, tomar conta dele, praticar a compaixão… Mas, se começarmos a adotar TODO animal que passa na nossa frente e, com isto, acabarmos com o orçamento familiar, enchermos a casa com animais que não temos condições financeiras nem de higiene para mantê-los, isto já não se chama mais compaixão, passa a ser insensatez!

Devemos valorizar a prática da compaixão, porém, sempre guiada pela Sabedoria e isto significa que ela não pode se transformar em qualquer tipo de apego. Acima de tudo está O SER HUMANO, depois, então, os animais e não devemos permitir que a visão incorreta inverta esta ordem.

É correto ter compaixão por todos os seres vivos e o próprio Buddha sempre nos incentivou a fazer isto, porém, como eu já disse em outras ocasiões, SOMENTE NÓS HUMANOS temos a essência de Buddha já desenvolvida o bastante em nossa mente, enquanto estão renascidos como animais, mesmo convivendo conosco em nossos lares, os animais não têm condições de cultivo mental, portanto, a vida HUMANA é prioritária!

Esta explicação se deve por causa de algo que aconteceu comigo recentemente, vou explicar. Quando ocorreu a catástrofe aqui em Friburgo, eu e meu filho fomos forçados a sair do casebre onde estávamos alojados precariamente. Muitas barreiras caíram em torno da casa, tudo estava inundado e tivemos que sair do local juntando as poucas coisas que conseguimos!

Acabamos sendo acolhidos generosamente pelo Spa onde nos encontramos desde então e, sendo um hotel, não há condições de manter aqui o cachorro que tínhamos na casa. Com isto, ele ficou para trás, porém, aos cuidados de um agricultor que continua na área onde estávamos e se prontificou a tomar conta do animal… Foi tudo o que pude fazer e, acreditem, foi difícil para mim me separar do cão!

Hoje, pela segunda vez, encontrei na rua a pessoa que trabalha na adoção de animais abandonados e, mais uma vez, fui interpelado e criticado por não estar mais com o cachorro… Ela “não consegue entender como UM MONGE, pode abandonar UM IRMÃO (no caso, o cachorro!!)!” Ainda segundo ela, eu jamais poderia ter deixado para trás o cachorro e deveria até mesmo ter ficado na rua, em vez de ser resgatado, só para não me separar do cachorro…

É a esta forma de apego exagerado a um ponto de vista que me referi acima: quando a compaixão deixa de ser saudável e se torna um obstáculo… Devemos nos manter no Caminho do Meio, ou nosso ponto de vista estará sujeito a distorções, se tornará um obstáculo e, com certeza vai impedir nossa Iluminação!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु