SUPREMA ALEGRIA DO BUDDHISMO

 A todos, Namastê!

Na primeira vez que fui ao Japão, conheci dois monges, um suiço e um croata, seguidores do Zen Japonês e do Zen chinês, respectivamente. Me lembro que, brincando comigo, disseram logo que nos conhecemos: “Você é monge Theravada?? Bem, pode conviver conosco estes dias, desde que prometa NÃO FALAR DE SOFRIMENTO! O Budismo Theravada só fala disso o tempo todo!!! Ha ha ha…” Eu sorri e prometi me esforçar para não falar de sofrimento…

Nos tornamos bons amigos e até hoje, passados quatro anos, ainda temos contato e uma boa convivência mas, aquela brincadeirinha inicial, reflete um esteriótipo do qual muita gente compartilha. Sendo a menos popular dentre todas as formas de Buddhismo, a Tradição Theravada – a mais próxima do que realmente foi ensinada pelo Buddha – tem esse estigma de ser pessimista e enfatizar por demais o “sofrimento”. Isto é um grande erro, não só de julgamento, mas também pelo fato de, ao traduzirem textos para as línguas ocidentais, os poucos monges asiáticos que conseguem se expressar nelas, cometem o erro de usar palavras que, para nós não-asiáticos, são pesadas, pessimistas e depressivas.

O Buddha nunca foi deprimido ou pessimista, muito pelo contrário! Sempre nos mostrou a realidade das coisas, quer sejam bonitas ou feias, exatamente para que pudéssemos usufruir delas da melhor forma. O que é belo na vida, deve ser percebido com profundidade suficiente para aproveitarmos da melhor forma. Ao mesmo tempo, o que é triste neste mundo, deve ser analisado, com igual profundidade, como um cientista que observa um vírus no microscópio, porque, só quando vamos a fundo naquilo que nos causa inquietação mental, somos capazes de entender sua causa e, a partir daí, não mais permitir que nos incomode.

Assim, não há nada de pessimista no Ensinamento do Buddha, se o entendermos COM AS PALAVRAS USADAS PELO BUDDHA.

O Mestre nos falou de DUKKHA e nunca o definiu com a tradução pesada – SOFRIMENTO – que vemos sempre nas traduções ocidentais da literatura buddhista. Ainda assim, mesmo que a tradução estivesse correta, o Buddha, várias vezes, mencionou também SUKKHA, o antônimo de Dukkha em suas diversas formas e nuances de SATISFAÇÃO mental, nos momentos em família, nos momentos entre amigos verdadeiros (o Mestre sempre nos incentivou a cultivar amizades) e tantos outros aspectos da alegria.

O que o Buddha jamais incentivaria é o descontrole, a euforia, a excitação causada por prazeres mundanos, porque isto é uma fonte em potencial de decepção, visto que tudo é passageiro, efêmero, impermanente.

Não há ênfase no sofrimento nos Ensinamentos do Buddha. Há sim, uma profunda valorização da vida, celebrada à luz da realidade das coisas como elas realmente são. Aliás, sofrida deve ser a existência de quem não é capaz de reger seu próprio destino, gerenciar sua própria vida! Se tudo o que fôssemos dependesse unicamente de fatores externos para continuar vivendo, colocando nossos destinos nas mãos de algo ou alguém superior, para tomar as decisões, isso sim, seria muito triste!

No Buddhismo, somos SENHORES ABSOLUTOS de nossas decisões e cabe unicamente a nós decidir o que queremos e como queremos construir nosso futuro. Só por este ponto de vista, já seria suficiente para nos considerarmos felizes, sabendo que nosso futuro pode e deve ser construído por nós mesmos e, com a garantia de que nunca mais sofreremos! Pode haver algo mais otimista que isto??

Quando entendemos corretamente a mensagem do Buddha, no seu sentido profundo e original, sem nos deixarmos enganar por traduções errôneas, nem pontos de vista distorcidos, podemos observar o quanto ela é verdadeira em nosso dia a dia, afinal, que outro Ensinamento garante, sem ilusões ou falsas promessas, uma SALVAÇÃO AQUI E AGORA, sem esperar o pós-morte para (talvez!) ser alcançada?

Para quem vê o Buddhismo conforme foi ensinado, para quem o entende do modo correto, é fácil perceber a SUPREMA ALEGRIA de ser buddhista!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Rev. SUNANTHÔ BHIKSHÚ