A todos, Namaste!

No Buddhismo, como também acontece com a maioria das Religiões, é comum encontrarmos tanto nos templos como nas casas dos seguidores, um altar com diversos objetos e a imagem do Buddha. Muita gente interpreta isto de maneira errada, dizendo que nós buddhistas somos idólatras, adoradores de imagem. Não vou negar aqui que algumas pessoas – na Ásia chegam a ser muitas – por ignorância, realmente interpretam de modo errado o altar, a imagem do Buddha e a finalidade disso tudo, mas, quando as pessoas se tornam esclarecidas, logo percebem que, em vez de objeto de idolatria, o altar é, na realidade, um fortalecedor de nossa prática de cultivo mental, um enriquecedor de nossas virtudes e, portanto, pode ser bastante útil e importante em nossa vida diária. Vejamos, então, o que é o ALTAR BUDDHISTA e como ele se encontra nas diversas Tradições, finalizando com o Altar Theravada, objeto desta matéria.

Cada Tradição, de acordo com suas bagagens e heranças culturais, prepara o altar de maneira diferente. Assim, nas Tradições Tibetanas, por exemplo, vemos altares cheios de objetos. Muitas lamparinas, imagens de emanações – seres com vários braços, várias estatuetas, molduras com fotos de S.S. o Dalai Lama e outros mestres, flores e, é claro, a imagem do Buddha. Podem também ser encontrados buddhas na cor azul, vermelho etc.

 (altar tibetano bem simples)

Os altares da Tradição Chinesa, também são bastante ornamentados. Geralmente mostram a imagem do buddha Amitabha (Omitô Fô, em Chinês), tendo duas figuras femininas, uma de cada lado, representando a Compaixão e a Sabedoria. O Buddha Shakya Muni, o Mestre e único Buddha da Tradição Theravada, pode vir em menor tamanho, já que a ênfase nas Tradições Chinesas é para o buddha Amitabha, que eles consideram existir.

Altares chineses também têm muitas luzes, imagens de deuses de origem Taoista, que eles misturaram ao Buddhismo e, sempre colocam muitos alimentos sobre o altar, incluindo laranjas, já que, na crença deles, são da cor do ouro e redondas, simbolizando que “o ouro vai e retorna”, de forma cíclica, representando a riqueza do praticante… Já os incensos costumam ser em forma espiral, de um tipo que demora muitas horas ou até o dia todo para terminar de queimar. Também são bastante comuns umas plaquetas verticais, onde estão escritos em chinês os nomes dos antepassados diretos e parentes recentemente falecidos.

 (Altar tipicamente chinês)

Mais discretos e simples que os altares chineses, são os das Tradições Japonesas, chamados de BUTSU DAN (algo como “armário do Buddha”) são realmente armários, muito bonitos, de madeira nobre, com lindas prateleiras onde, numa ordem certa, são colocados diversos objetos, tais como – incensário, velas, flores, imagem do Buddha, bandejas com comida e as mesmas plaquetas com os nomes dos antepassados. Um Butsu Dan pode custar muito caro e, em famílias ricas, é comum ter um quarto da casa especialmente para acomodar o Butsu Dan.

 (ordem dos objetos num Butsu Dan – Altar Japonês)

(Butsu Dan com detalhes em ouro puro)  

 Se visitarmos os diversos Templos Tailandêses, todos de Tradição Theravada, veremos o quanto podem ser fascinantes, com muito brilho, detalhes coloridos e muitas mesas de madeira com ricos detalhes incrustrados com madrepérola. Bem mais simples que os altares dos Templos, quando montamos em casa um Altar do Buddha segundo a Tradição Theravada, dele devem constar apenas os objetos básicos para, como eu disse acima, fortalecer nosso cultivo mental. O altar caseiro deve ser simples, sóbrio, bem cuidado e um lembrete constante de nossas virtudes,   

(Altar Tailandês simples)

Os objetos que colocamos no altar são, basicamente, os seguintes:

DUAS VELAS, UM INCENSÁRIO COM TRÊS VARINHAS DE INCENSO, UM COPO COM ÁGUA, UM OU DOIS VASOS DE FLORES SEM ESPINHOS e, obviamente, no centro e acima de todos os objetos, UMA IMAGEM DO BUDDHA, em estátua ou, se não encontrar, pode ser uma foto, numa moldura bem bonita.

 (Boa sugestão de Altar Caseiro)

A VELA é símbolo de LUZ, a luz que dissipa a ignorância, a luz que traz Sabedoria. Ela se queima até o fim, oferecendo luz, indiscriminadamente, a todas as pessoas. Além disto, uma única vela é capaz de acender milhares, até milhões de outras, sem que isso a incomode ou prejudique. Assim, também nós devemos ser capazes de oferecer luz a todos os seres, sem qualquer discriminação.

O INCENSO deve ser oferecido em três varinhas – uma para o Buddha, outra para o Dharma e outra para a Sangha. Assim como a vela, ele se consome até o final, preenchendo o ambiente com seu perfume suave a harmonioso. Assim como o incenso, nós também devemos sempre ser harmoniosos e suaves com todas as pessoas à nossa volta, sem discriminação. Este é o significado do incenso!

A ÁGUA é, em todas as crenças da humanidade, símbolo de pureza, limpeza, renovação da vida. Também é a água que mata nossa sede. Simboliza, portanto, a purificação de nossa mente e o fim da nossa sede por Sabedoria. É por isto que oferecemos água no altar. Não para matar a sede do Buddha, que já morreu e nada precisa de nós. A água é um lembrete para nós mesmos, de que precisamos nos purificar.

AS FLORES enquanto estão frescas, novas, viçosas e perfumadas, são admiradas por todos. Todo mundo gosta de flores, presenteia com flores a pessoa amada e todos nós ficamos felizes quando as vemos. Mas, após um ou dois dias, elas começam a murchar, ficam feias, sem vida, secam e não prestam para mais nada!

Oferecemos flores para que elas sejam um lembrete de que também nós estamos “murchando”, envelhecendo, decaindo e nosso corpo não é permanente. Assim, devemos aproveitar a vitalidade de nossas vidas para cultivar a mente, enquanto temos energia, beleza, vigor! Esta é a finalidade das flores que oferecemos “ao Buddha”…

O BUDDHA no altar, é apenas uma imagem. Não o idolatramos, não pedimos nada a ele, que não pode mais nos ouvir nem nos ajudar com favores materiais. Mas, quando olhamos o Buddha no altar, devemos prestar gratidão a um Grande Mestre, que deixou Ensinamentos poderosos e capazes de nos salvar. Ao mesmo tempo, devemos ter em mente que também nós somos buddhas em potencial. Cada um de nós tem em si a capacidade de nos tornarmos exatamente iguais ao Buddha, porque ele foi um ser humano que se tornou iluminado por esforço próprio. Assim, toda vez que nos prostramos diante da imagem do Buddha, é como se fosse nosso próprio reflexo diante de um espelho. Veneramos um Grande Mestre e vemos a nós mesmos, vemos o buddha que já existe em nós!

Este é o significado do “Altar do Buddha” dentro da  Tradição Theravada. Ele deve ser colocado num canto discreto da casa, se possível, onde não haja nada além do altar. NUNCA o coloque na cozinha, nem perto do banheiro, muito menos numa estante junto com garrafas de bebidas alcóolicas, que, aliás, se você é buddhista, nem devem existir em sua casa!!

Procure manter seu altar limpo, bem cuidado, com o respeito que ele merece… Se precisar de qualquer esclarecimento adicional, basta me perguntar e ficarei feliz em ajudar na montagem de seu Altar Caseiro! Por enquanto, fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Reverendo SUNANTHÔ BHIKSHÚ