A todos, Namastê!

É claro que para seguir o Buddhismo, qualquer que seja a Tradição de sua escolha, não é preciso saber Páli, Sânscrito, Tibetano, Japonês nem nenhuma outra língua asiática. Porém, saber algumas palavras e termos mais comuns sempre ajuda, afinal, essas palavras são usadas em todos os países onde a Tradição Buddhista está presente e, quando as sabemos, nos sentimos menos “como peixes fora d´água” quando visitamos um Vihara ou participamos de uma reunião de grupo. Vejamos, por exemplo, se alguém lhe perguntar: “Após o Púja vai ter uma Dessaná, você vai participar?” Para que você não precise disfarçar, nem sair correndo, aqui vão algumas palavras bastante comuns dentro da cultura da Tradição Theraváda…

PÚJA ( पुजा ) – A pronúncia correta é “PÚUDJÁA” e significa, originalmente, OFERENDA. Atualmente, é usada como qualquer Ritual ou Cerimônia Buddhista. Por exemplo: “O Púja da Manhã é às 7 horas e o da noite às 19:00.” ou “O Púja de Buddha Jayanti (Vessák) será na próxima terça-feira.” ou ainda: “Haverá um Púja especial pela memória da mãe dele.” etc.

DESSANÁ ( देसना ) – Em inglês, se chama “Dharma Talk” e em português se traduz como “palestra”. É o Ensinamento, a transmissão do Dharma, feita por um monge qualificado em qualquer ocasião.

SÁDHU ( साधु ) – É erroneamente traduzido como ‘amém”. O significado literal é: “entendi e aceito como algo bom”. Normalmente, se diz três vezes, no final de uma recitação, quando alguém diz algo bom ou após receber um Ensinamento transmitido por um monge. Por exemplo: “Recebemos uma doação de alimentos para doarmos às vítimas do acidente. – SÁDHU! SÁDHU! SÁDHU!

ANUMODHANÁ ( अनुमोधना ) – O termo significa “agradecimento”. Pode-se dizer por exemplo: “Vamos dar um ANUMODHANÁ a todos os que colaboraram para a realização deste evento…”  Normalmente, o termo vem após dizermos SÁDHU (veja acima) três vezes: “SÁDHU! SÁDHU! SÁDHU! ANUMODHANÁ!”

KAPPIYÁ ( कप्प्या ) – É o nome dado a um Atendente Pessoal de monge. É o Kappiyá que cuida dos objetos pessoais que nós monges levamos em viagem. Espera-se de um bom Kappiyá que ele esteja sempre atento às necessidades monásticas, cuidando de tudo aquilo que não podemos fazer, por razões preceituais. Assim, quando um leigo doa dinheiro a nós monges, a doação deve ser entregue em um envelope, ao kappiyá, nunca diretamente ao monge…

O kappiyá também é encarregado de pequenos serviços no templo e externos, como ida ao correio, por exemplo.

ANAGÁRIKA  ( अनगारिक )- É o leigo que está experimentando a vida em um Vihara ou Templo, para ver se quer se tornar noviço. Ele ainda mantém os cabelos sem raspar, mas deve se vestir somente de branco e fazer pequenos serviços como varrer, lavar louça, limpar objetos etc. Um Anagárika, chamado de P´HÁK K´HÁO, em Tailandês, deve ficar no Templo por um período mínimo de seis meses e, só então, decidir se quer ou não receber a Ordenação Inferior (de noviço).

SHRAMAÑÊRA ( श्रमणेर )- É o noviço, o candidato a se tornar monge. Um noviço Theravada já tem a cabeça raspada, usa o manto mais simples, deve obedecer às regras do Vihara ou Templo e segue DEZ Preceitos apenas (nós monges seguimos 227). Deve permanecer o tempo todo recebendo ordens, instruções e Ensinamentos de seu mestre e Preceptor, que, se for aprovado, lhe dará a Ordenação Superior (de monge). Noviços, por determinação do próprio Buddha, NÃO SÃO monges, mas também não são leigos. Estão em uma etapa intermediária e, portanto, não podem participar das reuniões nem decisões da Mahá Sangha (Comunidade de Monges).

A idade mínima para se tornar noviço é de 12 anos e não há idade máxima. Eu, particularmente, discordo desta idade mínima, pois a acho inadequada. Um Anagárika que queira se tornar noviço sob minha orientação, terá que ter, no mínimo, 18 anos, sendo o ideal que seja maior de 21 anos. O feminino de SHRAMAÑÊRA é SHRAMAÑERANÍ (noviça).

ÁRAMA ( आरम ) – A palavra significa “Templo” e é bastante usada na Tailândia, na pronúncia tailandêsa: “ARÁM”, adicionada ao nome do Templo.

VIHARA ( विहर ) – Atualmente utiliza-se a palavra como sinônimo de Templo e, na Tailândia há Templos que ocupam um quarteirão inteiro, com centenas de monges e são chamados de Vihara, embora este não seja o sentido original! Um VIHARA, na época do Buddha, era TODO E QUALQUER abrigo – uma tenda, uma choupana, uma cabaninha feita de galhos e folhas etc., com a finalidade específica de dar abrigo a um ou, no máximo dois monges para passarem a noite em algum lugar antes de seguirem viagem.

Segundo as Escrituras, certa vez os empregados de Anattapindíka, o milionário seguidor do Buddha, construíram 200 Viharas em um único dia, para abrigar os monges que acompanhavam o Buddha. Obviamente, ninguém conseguiria construir tantos Templos em um dia…

PARITTA ( परीत्त ) – São textos, relativamente curtos, exaltando as qualidades, virtudes e feitos históricos do Buddha. São em idioma Páli e sempre recitadas por nós monges em todos os Pújas. Principalmente os monges asiáticos enfatizam o conceito de que Parittas têm poder protetor e até mágico… A meu ver, eles são capazes de acalmar a mente de alguém, já que, por serem repetidos através dos tempos, sempre com a mesma boa intenção, isso pode criar uma energia positiva, capaz de tranquilizar. Porém, isto não tem nada a ver com magia ou poder sobrenatural!

DÁNA ( दान ) – Traduzida erroneamente como “esmola”, o termo DÁNA significa GENEROSIDADE, ou DOAÇÃO GENEROSA e é uma das Perfeições que, quando atingidas, conduzem à Iluminação. Na Ásia, muitas pessoas fazem doações a nós monges por interesse em produzir bom karma… No Ocidente, por sua vez, muitas pessoas não praticam a Perfeição da Generosidade, por excesso de apego aos bens materiais… Em ambos os casos há uma distorção da Prática de Dána. Devemos praticar o desapego, sem segundas intenções, doando apenas pelo ato de doar! Todo o resto virá por acréscimo, não por interesses ocultos.

Além disso, nós monges transmitimos Ensinamentos valiosos e, os leigos ao doarem, estão garantindo a manutenção da mensagem deixada pelo Buddha, da qual se beneficiam e, ao mesmo tempo produzindo bom karma, portanto, DÁNA não é esmola mas sim uma troca de generosidades entre monges e leigos.

B´HANTÊ ( भन्ते ) – (atenção para a grafia correta, com o H após o B, não após o T…) A palavra significa VENERÁVEL SENHOR. É em idioma Páli e usada somente como título para nós monges.

UPÁSSAKA / UPÁSSIKA ( उपासका – उपासिका ) – Significam LEIGO e LEIGA, seguidores do Buddhismo. Considera-se como Upássaka e Upássika SOMENTE as pessoas que se tornaram oficialmente Buddhistas, após receberem OS CINCO PRECEITOS DOS LEIGOS, entregues por um monge de qualquer uma das muitas Tradições Buddhistas.

É claro que há muitas outras palavras que utilizamos no dia a dia dentro da Tradição Theravada, mas, para uma noção básica, estas são suficientes. Quanto mais um leigo se familiarizar com os termos usados em sua Tradição, mais se sentirá acolhido no grupo que frequenta e isto, certamente, beneficiará a todos!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिशक्षु

Reverendo SUNANTHÔ BHIKSHÚ