A todos, Namaste!

Nesta terça-feira, dia 17 de maio, será celebrada, como todos os anos, a Data Máxima do Buddhismo – BUDDHA JAYANTI, ou Dia de VESSÁK. Na ocasião, a Tradição Theravada costuma recitar o DHARMACHAKRA PARVATANA SUTRA, (procure o texto neste Blog), chamado tradicionalmente O PRIMEIRO PRONUNCIAMENTO do Buddha e dirigido aos Cinco Ascetas, que se tornaram os primeiros monges buddhistas. O texto fala sobre As Quatro Nobres Verdades, coração do Ensinamento do Buddha, mas, também sobre isto há uma matéria neste Blog, portanto, não é sobre isto estou escrevendo…

Antes de fazer este pronunciamento, o Buddha, segundo a Tradição,  pensou muito e chegou mesmo a considerar inútil divulgar seu Ensinamento, porque lhe pareceu que ninguém se interessaria ou teria capacidade intelectual para assimilar a totalidade do que ele teria a dizer. Depois, movido por uma grande compaixão, pura e desinteressada, concluiu que TALVEZ houvesse pessoas capazes de entender sua mensagem libertadora, em diversos níveis: alguns entenderiam um pouquinho, outros um pouco mais e, com algum esforço, haveria alguém capaz de captar a profundidade do DHARMA – nome dado ao Ensinamento do Buddha – e, como aconteceu com ele mesmo, atingir a Iluminação. Foi motivado por esta possibilidade que o Mestre decidiu procurar, inicialmente, seus ex-companheiros e experimentar para ver se eles seriam capazes de ouvir e entender o Dharma. Foi boa a escolha do Buddha! A audiência o acolheu e se iluminaram também… Mas, nem sempre é assim. Aliás, na GRANDE MAIORIA das vezes, não é assim!! Infelizmente, as pessoas não têm tempo para ouvir, têm outros interesses “mais importantes”, outras prioridades na vida ou, simplesmente estão cegas, mudas e surdas, vagando pelas maravilhas tão atraentes do nosso mundo consumista…

Ouvir o DHARMA requer atenção. Não o tipo de atenção que a dona de casa dedica à televisão enquanto bate a massa de um bolo… Não o tipo de atenção com que se come um sanduíche enquanto se lê o jornal… Para ouvir o DHARMA e realmente assimilá-lo, temos que ter ATENÇÃO PLENA, total, ilimitada, profunda e consciente, como se cada palavra fosse (e é!) uma fonte de salvação, uma bóia atirada para quem está afundando em águas profundas. Mas isto, as pessoas não querem fazer… Querem tudo pronto, “mastigadinho”, bem fácil, para, de imediato, pegarem apenas o que interessa e descartarem “o resto”. Quando vêem que a coisa não é bem assim, desistem e se afastam, vão se perdendo ao longo da jornada…

É como os patinhos… Aqui onde fui acolhido, há muitos jardins, alguns lagos e muitos, muitos patos! De vez em quando surgem as ninhadas (filhotes de patos também se chama de ninhada???) de patinhos e, lá vai a pata, seguida de vários deles… Às vezes 10 ou até mesmo 15! A mãe vai caminhando, com seu rebolado desengonçado e os pequenos tentam acompanhá-la. Com o esforço da longa caminhada, uns vão ficando para trás, se distanciando do grupo… Com o passar do tempo vão se cansando, não conseguem se alimentar e se tornam presas fáceis para cachorros vira-latas, gaviões e tantos outros predadores.

Mesmo os que escapam dos predadores, não são fortes o suficinte para continuar seguindo o DHARMA… digo… A PATA… e assim, fraquejantes, ficam pelo meio do Caminho, não atingem a MATURIDADE. Do grupo de 15, muitas vezes só um ou dois alcançam o DESENVOLVIMENTO COMPLETO… Os poucos que conseguem, no entanto, se tornam fortes, felizes, saudáveis e passam a nadar no lago, junto com a seleta e bonita minoria que pode aproveitar a beleza do local…

Ao longo desses seis anos, quase sete, que venho tentando assimilar e transmitir o DHARMA, vejo que ele, como a PATA, continua andando, à frente de tudo e de todos… Não é estático, não espera, não volta para resgatar os “atrazadinhos”… Ele continua em movimento, impermanente, mutável e, ao mesmo tempo ETERNO! Quem quiser que o acompanhe!

Como monge buddhista, tenho que ser como a PATA, não posso parar nem voltar, nem dar atenção especial a quem não entende que somente os fortes acompanham o DHARMA. Isto não é uma opinião minha, não é um ponto de vista pessoal e seria ótimo se todos entendessem isto. Quando Ajahn Sumedhô, após a guerra do Vietnã, decidiu não voltar para a América, ficar na Ásia e se tornar monge, sob a orientação do Grande Mestre Ajahn Chah, ele várias vezes pensou em desistir, fraquejando diante da dureza do treinamento monástico, pois, a primeira coisa que o velho monge tailandês disse ao novo seguidor foi: “Se quiser ficar aqui, problema seu! Pode ficar e vou treiná-lo, mas não pense que vai ter alguma regalia ou tratamento especial… Se não gostar, pode ir embora – ninguém aqui vai pedir para você ficar!” Foi assim que Ajahn Sumedhô se tornou um dos maiores monges Theravada da atualidade, um respeitável Abade de seu templo (Wat Amaraváti) na Inglaterra. Comigo a situação não foi muito diferente e, também eu, muitas vezes tive vontade de largar tudo  e nunca mais nem pensar em Buddhismo! Se não fosse com grande determinação, não teria chegado até aqui…

Meus caros, o DHARMA caminha e somente os fortes, os conscientes, os atentos, os perseverantes e determinados conseguem ir atrás. É por isso que quando um patinho… digo… um seguidor, me manda mensagem pedindo que eu pare de enviar Ensinamentos, eu simplesmente o apago de minha lista de endereços e continuo o envio de mensagens aos que AINDA PARECEM estar interessados.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Reverendo SUNANTHÔ BHIKSHÚ