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A todos, Namaste!

Na véspera do Dia de Buddha Jayanti (Vessák), é bom lembrarmos alguns acontecimentos marcantes sobre a vida do Mestre, à luz dos fatos como devem realmente ter acontecido. A bonita Tradição nos conta diversas coisas de modo fantasioso, figurado, cheio de alegorias e mágica… Isto é bom! Não creio que devamos matar a poesia nem afogar crianças na realidade triste da vida (deixem que acreditem em Papai Noel, até que sejam capazes de entender a verdade!). Portanto, se foi graças à fantasia a respeito da vida do Buddha que o Budismo em suas várias Tradições sobreviveu até hoje, não serei eu o assassino das alegorias buddhistas, mas, ao mesmo tempo, é bom que todos saibam o significado e os fatos reais, ou ficaremos a vida toda forçados a acreditar que fomos trazidos pela cegonha ou colocando os dentes de nossa segunda dentição debaixo do travesseiro, aguardando “a fada do dente”…

O Buddha nasceu numa região onde hoje é o NEPAL, fronteira com o norte da Índia. Sua família, de nobres, foi estrategicamente formada juntando membros de dois clãs – os SHÁKYAS e os KOLIYAS. Seu pai, o Rei Sudodhána era Shákya e sua mãe, a Rainha Mahá Mayá (significa “Amor Supremo”) pertencia ao Clã dos Koliyas e, portanto, quando chegou a época do parto, ela seguiu em caravana para o reino de sua família para que o neném nascesse lá, como era parte da tradição.

Após sair do palácio de seu marido, a caminho do Reino Koliya, no entanto, a rainha entrou em trabalho de parto, a caravana foi obrigada a parar e o neném nasceu num jardim, chamado LUMBÍNI. Segundo a Tradição, a Rainha Mahá Mayá, de pé, se agarrou a um galho de uma árvore chamada SALÁ e, sem sentir dor alguma, viu o bebê sair pelo lado direito de seu ventre e começar a andar!! Esta fantasia, tão enfatizada na Ásia, significaria que, nem mesmo durante seu nascimento, o Buddha jamais causou qualquer tipo de dor ou sofrimento a quem quer que seja.

Ainda segundo a Tradição, o recém-nascido saiu andando e, para cada um de seus SETE PASSOS, brotaram na terra flores de lótus (lótus só brotam na água, por serem plantas aquáticas!). Mais uma vez, essa bonita tradição, retradada em murais, pinturas e gravuras da Ásia, tem o signficado que o Buddha nasceu para renovar, reinterpretar e corrigir os pontos de vista dos SEIS GRANDES SÁBIOS da Índia que o antecederam, sendo a sétima flor de lótus a própria doutrina do Buddha. ERA O DIA DA NOITE DE LUA CHEIA DO QUINTO MÊS DO CALENDÁRIO, O MÊS DE VESSÁK  QUANDO O NENÉM NASCEU!

Após o nascimento, a caravana retornou a KAPILAVASTTHU, o reino do pai do Buddha, não chegando a ir ao palácio da Rainha Mahá Mayá. Lá chegando, o Rei Sudodhána ficou feliz ao ver o neném e se apressou em organizar um grande evento para apresentar à corte seu único herdeiro. Para essa grande festa, foi convidado um eremita, uma espécie de guru que aconselhava o rei e vivia numa floresta próxima ao reino. Quando o velho sábio olhou o neném, com seus poderes de vidente, pode identificar nele as TRINTA E DUAS MARCAS DE UM SER GRANDIOSO, que sempre fizeram parte da cultura indiana. Tais marcas não são exclusividade do Buddha e não podem ser vistas por qualquer pessoa, só por determinados videntes! Assim, as orelhas longas, o calombo no alto da cabeça, os cabelos azuis escuros, um tufo de pelos brancos em espiral no meio da testa, as manchas nas costas, as marcas em espiral nas palmas das mãos e nas solas dos pés, os dedos das mãos todos do mesmo tamanho e muitas outras marcas que, se fossemvisíveis fariam o Buddha parecer um alienígena, tudo isso é apenas uma alegoria, uma fantasia da imaginação da Índia. Ainda assim, a Tradição diz que essas coisas são reais e, quando sabemos o que elas significam, fica mais fácil entender e explicar.

O grande sábio chorou ao examinar o neném e explicou que ele se tornaria um grande líder de sua época mas estava chorando porque não viveria o bastante para ver o sucesso do príncipe recém-nascido. O Rei Sudodhána estava feliz em saber que seu filho seria um grande líder mas, preocupou-se com o resto das notícias que o sábio lhe deu. Segundo ele, se o menino fosse criado afastado de todo tipo de sofrimento e contrariedade, realmente subiria ao trono como herdeiro real, mas, se fosse exposto a qualquer tipo de sofrimento, abandonaria a casa real e se tornaria líder como UM BUDDHA, um monge capaz de guiar muitas pessoas para o fim do sofrimento.

Isto estava completamente fora dos planos do rei e, assim, noovamente a tradição explica que o futuro Buddha foi criado totalmente afastado de todo tipo de sofrimento. Segundo a tradição, totalmente possível na opinião dos asiáticos e, totalmente questionável no meu ponto de vista, o príncipe NUNCA teve contato com nada que o contrariasse ou entristecesse… Nunca percebeu que havia doença, velhice ou morte no mundo… Ora, a mesma tradição afirma que o príncipe era inteligentíssimo, muito esperto e capaz de discutir em igualdade de condições com os melhores professores que seu pai contratou! Também sabemos que ele estudou astrologia, astronomia, vários idiomas e até mesmo teve NOÇÕES DE MEDICINA… Como seria possível alguém estudar medicina e não saber que existem doenças e MORTE no mundo?? Isso é totalmente contraditório! Melhor seria pensar que, embora soubesse de todas essas realidades, o jovem príncipe não se preocupava A FUNDO com elas, embora sempre tivesse algo que o afligia internamente, uma insatisfação profunda que nem mesmo ele sabia qual a causa…

No momento que, cercado de alegorias e fantasia, o príncipe Siddharttha saiu escondido do palácio real e, ajudado por seu atendente, teve CONTATO REAL com a miséria, sofrimento, envelhecimento, doença e morte, SÓ ENTÃO, pela primeira vez, essas coisas realmente o incomodaram. É como quando ouvimos falar de guerra e quando vemos um documentário, filmado diretamente no local onde os horrores estão acontecendo… Só então, mais maduro e consciente, Siddharttha percebeu a realidade da vida. O que mais o impressionou foi a visão, na rua, de um monge mendigando o próprio alimento. A paz, tranquilidade e disciplina do monge despertou em Siddharttha uma enorme vontade de ser daquele jeito. Me parece que, explicado deste modo, menos fantasioso, a história do Buddha se torna mais verdadeira e ainda mais bonita, porque estamos tratando de um SER HUMANO, não de um mito ou alienígena, distante de nossa realidade.

Casado desde os 16 anos com sua prima, a Princesa YASHÔDHARA, o príncipe Siddharttha ficou sabendo que seu filho acabara de nascer. Ele já estava certo de que teria que abandonar o palácio real e sair em busca do fim da ansiedade e sofrimento que o atingiam desde pequeno. Também sabia que, se visse o neném recém-nascido que ele tanto queria ter, jamais  seria capaz de abandonar a vida no palácio…. Assim, num ato de grande coragem e determinação, preferiu fugir sem dizer nada a ninguém.

Contando com a ajuda de Chána, seu atendente pessoal, pegou seu cavalo Kantáka e saíram a galope, pela noite escura, em direção à floresta. Foi lá que Siddharttha, usando a própria espada, raspou o bigode e barba e cortou a longa trança, todos características exclusivas da realeza da época. Ao fazer isso, quis deixar claro que, a partir daquele momento, estava rompendo todo laço com a vida de príncipe e se tornando um monge mendigo – um BHIKSHÚ (ou BIKKHÚ). Toda essa decisão e atitude de Siddharttha é vista por opositores do Buddhismo como uma covardia e um abandono de lar… O que ele fez, foi em benefício DA HUMANIDADE, não pensando só em si mesmo! Muitas vezes, fugir requer muito mais coragem do que permanecer em uma situação acomodada e conformista.

O Príncipe Siddharttha tinha 29 anos quando mudou drasticamente sua vida e foram seis longos anos de busca, tentando todo tipo de prática, seguindo vários mestres – dos mais tolos até os mais sábios. Ninguém, porém, foi capaz de dar a ele as respostas que tanto buscava. Isto não quer dizer que nada aprendeu ou que de nada adiantou ter seguido tanta gente. Muito pelo contrário! De cada um ele pode assimilar o que tinha de melhor e isto o ajudou muito a purificar obstáculos mentais que ainda trazia de suas vidas anteriores. Mas, a resposta final – a ILUMINAÇÃO, só podia ser atingida no momento certo, por esforço próprio e quando não mais houvesse resquício algum de KARMA, nem bom nem mau! Isto só foi atingido quando ele, debilitado por todo tipo de práticas erradas, de auto-flagelo, jejuns exagerados e inúteis e muitos sacrifícios, finalmente decidiu sentar-se para meditar até que seus últimos obstáculos mentais fossem eliminados. O MONGE MENDIGO GÁUTAM, como ele era conhecido, descobriu que SOMENTE O CAMINHO DO MEIO – nem apego à vida luxuosa que levava, nem radicalismo nas práticas rígidas de mortificação – seriam capazes de o levar à Iluminação! Assim, decidido a só sair da meditação quando alcançasse seu objetivo, ele buscou abrigo debaixo de uma grande figueira indiana, conhecida atualmente como ÁRVORE BODHI (árvore da Sabedoria Plena, mesmo radical de Buddha) e meditou durante a noite toda, com determinação e profunda concentração.

Foi assim que, uma a uma, as últimas obstruções mentais que o impediam de se tornar O BUDDHA caíram, foram purificadas, eliminadas… Chegou ao fim um LONGO PROCESSO DE CULTIVO MENTAL, realizado por inúmeras vidas e que culminou naquele último renascimento, como PRÍNCIPE SIDDHARTTHA GÁUTAM, que veio a se tornar O BUDDHA. ERA NOITE DE LUA CHEIA DO QUINTO MÊS DO CALENDÁRIO, O MÊS DE VESSÁK, QUANDO O MENDIGO SIDDHARTTHA GÁUTAM ATINGIU A ILUMINAÇÃO, TORNANDO-SE O BUDDHA!

 A partir da Iluminação, foram QUARENTA E CINCO ANOS de trabalho contínuo e incansável, ensinando, ajudando, usando da compaixão para explicar a todos os tipos de pessoas sobre seu Ensinamento. Sempre tratou a todos com igual paciência e amor incondicional… Falou com Reis, Sacerdotes, Generais, ladrões, prostitutas, comerciantes, mendigos… Muitos mudaram os rumos de suas vidas, vários se iluminaram, tornando-se monges ou continuando em suas vidas de leigos. Centenas largaram tudo para formarem a SANGHA (Comunidade de Monges do Buddha).

Os discursos do Buddha, chamados de SUTRAS, cuidadosamente preservados apenas de forma ORAL, por seus principais seguidores, somam o impressionante número de 84.000 (OITENTA E QUATRO MIL!!) e abrangem todos os temas possíveis da existência humana.

Aos OITENTA ANOS de idade, já cansado, debilitado e velho, resolveu isolar-se com seus principais seguidores numa aldeia pobre, pequena e desconhecida, chamada URUVÊLA. Seu estado de saúde precário – com hemorragia interna – se tornou ainda mais delicado após ter comido uma refeição estragada, servida por TCHUNDA, um seguidor muito rico, filho dee um ourives, que não teve intenção alguma de matar O Buddha.

Perto da aldeia, havia um bosque cheio de árvores do tipo SALÁ, a mesma espécie sob a qual ele nasceu. Foi para lá que o Buddha se dirigiu, escolhendo o local como seu leito de morte. Acampado com mais de 500 seguidores, ele recebeu, pacientemente a todos os que vieram lhe prestar uma última homenagem. Para cada um, ainda teve tempo de dar uma palavra de Sabedoria, ensinar, corrigir os erros de opinião e, até mesmo concedeu a Ordenação Monástica ao mendigo Subhádha.

Em paz absoluta e com total certeza de ter cumprido sua missão neste mundo, ele reuniu seus seguidores e deu-lhes as últimas orientações. Não elegeu nenhum deles como sucessor. Ao contrário, deixou bem claro que somente O DHARMA – seu Ensinamento, deveria ser seguido como guia para manter viva a Comunidade Monástica. Aos poucos, foi entrando num processo de desconexão deste mundo, até atingir o que chamamos de PARINIRVÁÑA, o mais alto nível do NIRVÁÑA, onde ja se encontrava desde que atingiu a Iluminação. ERA NOITE DE LUA CHEIA DO QUINTO MÊS DO CALENDÁRIO, O MÊS DE VESSÁK, QUANDO O BUDDHA DEIXOU ESTE MUNDO PARA NUNCA MAIS VOLTAR!

Resumidamente, esta é a trajetória do Príncipe SIDDHARTTHA GÁUTAM, que se tornou O BUDDHA, o ser totalmente iluminado, por esforço próprio, sem qualquer ajuda superior. Seus Ensinamentos, tão atuais e sábios agora quanto sempre foram no passado, vêm mudando para melhor a vida de milhões de pessoas. No ocidente, entretanto, ainda permanecem misteriosos e obscuros, exatamente o oposto do que realmente são!

Minha missão é fazer com que também vocês, brasileiros como eu, possam se beneficiar do Buddhismo e fazer da mensagem do Buddha um instrumento de libertação de todo tipo de inquietação mental (Dukkha). Se cada leitor desta mensagem puder me ajudar, minha missão será menos difícil e todos serão beneficiados!

FELIZ BUDDHA JAYÁNTI A TODOS! Fiquem em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Reverendo SUNANTHÔ BHIKSHÚ

VESSAK 2554 / 2011