A todos, नमस्ते!

Já escrevi neste Blog uma matéria sobre Meditação, mas acredito que algumas informações adicionais possam ser úteis, principalmente para iniciantes.
Se meditar fosse uma prática fácil e agradável, não haveria tantos ex-meditadores nem “meditadores de uma só tentativa” andando por aí… Então, cabe a quem medita, monge ou não, orientar as pessoas, talvez até fazendo com que, uma vez sanadas suas obstruções e dúvidas, dêem mais uma chance à meditação e se tornem meditadores bem sucedidos.
O Buddha definiu a mente humana como “O MACACO LOUCO”. Assim como o macaco, a mente humana gosta de barulho, grita, pula, vira cambalhotas, cata piolhos, provoca quem está perto, salta para outro galho e nunca para quieta! Quanto mais agitação, música, cores vivas, novidades – melhor! É tudo o que a mente busca e, tão logo percebe que passou a novidade, se aborrece e pula em busca de novas atrações que a fascinem. Portanto, quando alguém surge com a novidade de que vai começar a meditar, isto agrada à mente, como acontece toda vez que surge algo novo! Daí, a pessoa se prepara: reserva um horário tranquilo para a prática, veste uma roupa confortável e leve, pode até ter comprado a melhor almofada que encontrou no comércio ( sem saber que não é necessária!) e, quando tudo está pronto, nas condições ideais, se senta na posição correta, fecha os olhos e começa a meditar…
Nos primeiros minutos, o “macaco louco” está curioso, doidinho para ver que novidade é essa! Ele espera um pouquinho, para ver quando a música vai começar, quando as outras pessoas vão chegar, quando vai ter início a diversão… Mas, ao perceber que nada disso vai acontecer e a tal meditação “é só isso”, ele se decepciona, se aborrece. Mais que isso, quando nota que é um truque para discipliná-lo e domesticá-lo, trata de se defender com mil truques para interromper essa chatice que inventaram e chamam de meditação!
O macaco se apressa em criar mil coçeiras pelo corpo do praticante! Ele começa a catucar, para perturbar a meditação, tentando que ela acabe o quanto antes: “Sua bochecha está coçando – deve ser mosquito ou algum inseto perigoso… Melhor coçar ou até mesmo interromper a meditação! Pode até ser o mosquito da dengue!!” ou “Sua perna está doendo muito!! A dor está insuportável… Não é possível que isso seja normal… Tem alguma coisa errada! É melhor parar por hoje. Amanhã você tenta mais um pouco! ou “Já faz horas que você está nessa posição… Pra primeira vez, já está bom! Vai chegar tarde ao trabalho!”
Daí, o praticante, há anos acostumado a só fazer o que o “macaco” quer, decide ouví-lo mais uma vez e tentar de novo no dia seguinte. Mas, sempre aparece um compromisso, algo mais importante e inadiável… Quando a pessoa nota, já se passaram meses e ela nunca mais tentou meditar de novo! Bem… Talvez não fosse mesmo uma boa idéia essa estória de meditar… E assim a vida continua, com mais um ex-quase-meditador, se enchendo cada vez mais de ansiedades, mágoas, angústias, frustrações, expectativas exageradas em relação ao futuro, raiva, falta de diálogo no trabalho e em casa e tantos outros sintomas que o “macaco louco” cria como consequência de seu domínio sobre seu dono!
Nossa rotina dualista e iludida, não consegue fazer com que o macaco passe a trabalhar para nós. Muitas vezes as pessoas deixam que ele cresça, bem nutrido por seus devaneios. Daí, o que parecia ser um macaquinho inofensivo, se torna um King Kong incontrolável e aí já é tarde demais para reverter a situação!
Meus caros, meditar é um trabalho de persistência, de disciplina individual e intransferível, do tipo que, quanto mais for adiado, mais difícil se tornará! O quanto antes você começar e, quanto mais levar a prática com a seriedade que lhe é devida, mais cedo colherá os frutos que lhe parecem ser imediatos, mas só surgirão como efeitos colaterais – de médio a longo prazo!
Cabe unicamente a você decidir quando começar e o grau de comprometimento que vai dedicar à meditação. O fato é que, se as pessoas passassem a meditar com a mesma frequência e determinação com que se jogam de cabeça nos prazeres e “delícias” sensuais, o mundo estaria cheio de iluminados andando pela rua…
Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Reverendo SUNANTHÔ BHIKSHÚ