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A todos, Namaste!

Desde um passado incontável, o Ser Humano vem demonstrando um enorme e instintivo apego à vida. Na verdade, todo ser vivo tem a vida como seu maior bem e a morte é sempre vista como algo sobre o qual ninguém quer nem pensar… A realidade de que todos, segundo após segundo, estamos caminhando para a morte é sempre assustadora, pessimista, mau agouro e um assunto a ser evitado.

O fato, porém, é que, querendo ou não, nada ou ninguém é imortal, não há ser vivo algum que não esteja destinado a morrer em algum momento e, como a morte não manda recado dizendo quando chegará, quanto mais soubermos a respeito dela e como lidar com ela, menos assustadora ela será. No Buddhismo, não há nada terrível ou apavorante a respeito de morrer. Muito pelo contrário! Entre verdades e mitos, a história do Buddhismo está cheia de casos de grandes mestres cujos seguidores afirmam terem sido convidados para jantares de despedida organizados pelo próprio mestre, na véspera da morte. Outros, simplesmente se prepararam calmamente e, no momento exato, se sentaram e morreram, com a mesma tranquilidade que alguém se senta para ler um livro ou observar um jardim…

Temos que admitir, no entanto, que tais atitudes não são comuns para a média das pessoas. Como eu já disse, a grande maioria dos seres humanos nutre um pavor enorme pela simples idéia de morrer. Mas, mesmo sem ser um grande mestre, posso afirmar com total convicção que a morte nem sequer me amedronta! Isto porque, baseado nos Ensinamentos do Buddha, aprendi a ver vida e morte como algo simples, os dois lados de uma mesma moeda!

Se num momento estamos vivos, no seguinte podemos não mais estar e, no próximo – instantaneamente, já teremos renascido, já seremos uma nova forma de vida – humana ou não. Vista desta forma, é como se apertássemos por um segundo o interruptor, quando uma lâmpada está acesa e, logo em seguida, após um segundo de escuridão, a luz voltasse a brilhar!

O Buddha definiu a vida como bolhas na água ou letras escritas com uma varinha, na superfície da água… A vida é passageira, efêmera, quase que só um sonho. Tentar prolongá-la ou desejar que seja eterna é um desejo infantil de quem não a vê como realmente é. Claro que não estou aqui fazendo apologia da eutanásia nem sugerindo que a medicina cruze os braços e nada faça para descobrir curas para as inúmeras doenças que ainda nos afligem! Me refiro ao apego exagerado ao simples fato de estar vivo. Há quem afirme que não quer morrer nunca, que quer viver´mais de 120 anos e esquisitices semelhantes… Devemos viver com SABEDORIA, fazendo de cada momento uma oportunidade de CULTIVAR A MENTE PURA. Não importa aqui quanto tempo, mas sim COMO ESTAMOS VIVENDO O TEMPO QUE TIVERMOS.

Ao vermos a morte com naturalidade, como se fosse alguém que conhecemos bem e pode chegar a qualquer momento, ela deixa de nos amedrontar. Melhor ainda se tivermos a certeza do aproveitamento de nossa vida – não com futilidades e prazeres sensuais, mas tendo a dedicado ao cultivo das virtudes que conduzem a um melhor RENASCIMENTO, no qual teremos a oportunidade de continuarmos do ponto onde paramos nas existências prévias. Quando somos capazes de ter esta certeza, a morte pode vir no momento que quiser, pois já a teremos decifrado, entendido e aceitado, sem susto nem desespero.

Para os que tanto temem a morte, sugiro a leitura dos Sutras Buddhistas. Em muitos deles a naturalidade com que o Buddha fala da morte e do modo correto de a encararmos, certamente dá ao leitor a convicção necessária para nunca mais ter medo de morrer!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Reverendo SUNANTHÔ BHIKSHÚ