CAPÍTULO 4

AS BASES DOS SENTIDOS

1 – “O que é a raiz, “São as cinco bases dos sentidos produzidas por vários karmas ou por apenas um?”
“Por vários karmas, Oh Rei.”
“Dê-me um exemplo.”
“Se o Grande Rei semeasse cinco tipos de sementes em um campo, o produto seria de cinco tipos.”
2 – “Por que é, Venerável Nágassena, que todos os homens não são iguais; alguns têm vida curta, outros vida longa, alguns são doentes e outros saudáveis, uns são feios e outros bonitos, alguns poderosos e outros sem poder algum, alguns são pobres, outros ricos, alguns de classe baixa e outros são nobres, uns são tolos e outros sábios?”
“Por que as plantas não são todas iguais?”
“Porque vêm de diferentes sementes.”
“Exato, Oh Rei, é por causa da variedade de karmas que os seres não são iguais. Sobre isso, disse o Abençoado “Todos os seres têm o karma como propriedade privada, são hedeiros dele, nascidos a partir dele e relacionados a ele, têm o karma como refúgio; qualquer que seja o karma que pratiquem, ele os divide entre os estados altos ou baixos.”
3 – “O Venerável disse que sua vida monástica tem a finalidade de extinguir Dukkha e que Dukkha não mais surja. Isto vem de esforço prévio ou deve ser conquisado por esforço a partir de agora, no presente?”
“Envolve esforço agora, com o que ainda tem que ser feito, o esforço prévio atingiu o que tinha que ser atingido.”
“Dê-me um exemplo.”
“É somente quando um inimigo está prestes a atacar que o Grande Rei começa a cavar uma trincheira, levanta a ponte levadiça, constrói uma torre de vigilância e constrói suas defesas?”
“Certamente que não, Venerável.”
“Da mesma forma, agora há o esforço necessário para o que ainda tem que ser feito, o esforço anterior já concluiu o que tinha a fazer.”
4 – “O Venerável diz que o fogo do purgatório é capaz de queimar instantaneamente e destruir; mas também diz que os renascidos nos infernos, embora queimem por centenas de milhares de anos, não são destruídos. Como posso crer nisto?”
“Embora a comida, ossos e até pedras possam ser comidos por várias espécies femininas e destruídos em seus ventres, os embriões de seus filhotes não se destroem. Da mesma forma os seres no inferno não se destroem pela influência de seus karmas.”
5 – “O Venerável diz que o mundo descansa sobre a água, a água no ar e o ar no espaço. Também nisso não posso crer.”
O Venerável Nágassena mostrou ao rei a água em um filtro, suportada pela pressão atmosférica e isto convenceu o rei.
6 – “É o Nirvána cessação?”
“Sim, Oh Rei. Todas as tolices mundanas sentem prazer nas sensações e seus objetos; encontram deleite nelas e a elas se apegam. Não obstante, elas são carregadas pela inundação (da desilusão) e não libertam do renascimento e Dukkha. Entretanto, o nobre discípulo do Abençoado não se delicia com essas coisas. Assim, a cobiça cessa nele. Portanto, o apego cessa, o passar a ser cessa, o renascimento cessa, a velhice cessa, a morte cessa, o luto cessa, a lamentação cessa, dor, tristeza e desespero cessam suas existências. Portanto, o Nirvána é cessação.”
7 – “Todos atingem o Nirvána?”
“Nem todos, Oh Rei, mas quem quer que se conduza corretamente, entenda o que deve ser entendido, perceba o que deve ser percebido, abandone o que tem que ser abandonado, desenvolva o que deve ser desenvolvido e realize o que tem que ser realizado; este atinge o Nirvána.”
8 – “Pode alguém que ainda não atingiu o Nirvána saber que é felicidade suprema?”
“Sim, claro, Oh Rei. Da mesma forma que aqueles que não tiveram suas mãos e pés amputados podem saber o quanto isso dói pelos gritos de quem passou por tal condição; assim, os que não atingiram o Nirvána sabem da felicidade por ouvirem as palavras de alegria de quem o alcançou.”