२५५४ जुन २० Somvár 2554 – 06 – 20

A todos, Jwajalapá!

s línguas orientais, por mais diversas que sejam, têm pontos em comum – são difíceis e sempre deixam a nós ocidentais com a sensação de que esquecemos determinados elementos nas frases! Eu explico: para dizer em Tailandês: “Ontem de manhã, eu quis falar com você” ficaria algo como: ONTEM AMANHECER EU QUERER FALAR COM VOCÊ… ou, em Chinês, a frase: “Eu não sei falar bem Chinês”, fica EU SABER FALAR LÍNGUA PAÍS MEIO, MODO NÃO BOM! Isto sem falar das línguas que invertem a ordem das palavras, dizendo coisas como: EU VOCÊ DE AMIGO SOU… fenômeno que ocorre em grande parte das línguas asiáticas, inclusive Páli e Nepalês… Enfim, se isso pode parecer complicado e com falta de informação, há valores nessas línguas que jamais teremos nos idiomas ocidentais e que nos dão uma verdadeira aula de profundidade. É o caso por exemplo do modo chinês de dizer DESCULPE – ‘DUÌBÚQi” (algo como DUÊ BUTCHÍ) que, literalmente significa: ESTANDO FACE A FACE COM VOCÊ, NÃO CONSIGO ERGUER O ROSTO! – Com certeza bem mais profundo que “desculpe’ ou “I´m sorry!”, não é?

Em Tailandês, há várias expressões que usam o CORAÇÃO para definir o que estamos sentindo. Duas delas eu considero bastante importantes e claras: SONG DJAI e WAI DJAI (sendo DJAI a palavra “coração”). A primeira expressão é usada no sentido de TER INTERESSE. Ora, em nosso idioma, ter interesse em algo é muito subjetivo! Podemos ter interesse financeiro, interesse em prejudicar alguém, interesse no sentido sexual etc. etc. Os tailandeses usam SONG DJAI para definir algo profundo, algo muito significativo! Eles dizem DEPOSITAR O CORAÇÃO EM ALGO, (é isto que SONG DJAI significa).

A outra expressão bastante profunda é “WAI DJAI”, onde “WAI” é o ato de juntar as mãos e reverenciar algo ou alguém. “WAI DJAI”, que significa CONFIAR EM ALGUÉM, para os tailandeses é REVERENCIAR O CORAÇÃO desse alguém…

O coração é nosso órgão vital. Ele bombeia o sangue, fazendo com que circule incessantemente por todos os órgãos do corpo, mantendo-os vivos e operantes. Portanto, COLOCAR NOSSO CORAÇÃO inteiro em algo, é entregar nosso órgão vital a alguma coisa… Da mesma forma, confiar é mostrar que o coração da outra pessoa é digno de reverência… Fascinante isso, não acham?

No Buddhismo, Ensinamento seguido pela grande maioria do Reino da Tailândia, não basta ler, estudar, “simpatizar” e seguir algumas coisas que achamos interessantes… É necessário reverenciar o coração do Ensinamento do Buddha, as QUATRO NOBRES VERDADES e, depositar nelas todo o nosso coração. Este é o único meio de nos beneficiarmos do que o Buddha nos deixou como herança.

Somente quando nosso interesse pelo Dharma é tamanho a ponto de ENTREGARMOS A ELE, POR COMPLETO, NOSSO ÓRGÃO VITAL – O CORAÇÃO, podemos dizer que somos buddhistas de verdade! Somente quando REVERENCIAMOS O CORAÇÃO DO BUDDHISMO estamos dedicando a ele a verdadeira confiança, sem temor, sem “de vez em quando”, sem “simpatia com medo  de assumir”.

Missão difícil e que requer muita observação, tornar-se realmente buddhista é um trabalho de paciência, perseverança e ATENÇÃO PLENA. Um conjunto de práticas que, basicamente, exige que nos dediquemos ao estudo e aplicação em nosso dia a dia de tudo aquilo que está nas Escrituras. Sem isto, não é possível reverenciar o Buddhismo com confiança, nem entregar a ele o coração inteiro, sem medo de se arrepender.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

भंते सुनन्थो भिक्षु

Bhantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ