२५५४ ०६ २५  Shanivár 2554-06-25

A todos, Namaste!

artomantes, Tarólogos, búzios, Quiromancia – onde se lê o futuro na palma da mão de alguém e até tipos de vidência não tão populares no ocidente, como ler o futuro em folhas de chá ou na borra de café… São centenas de práticas que fascinam as pessoas e todo tipo de videntes, desde os mais sinceros e verdadeiros até os que são dignos de um troféu por charlatanismo!

Também o pagamento pelo serviço varia dos que fazem previsões voluntariamente, a título de beneficência, até os que cobram caro, iludindo ou não os clientes. Mas, o que pensa o Buddhismo sobre todas essas práticas?

Bem, muita gente não sabe mas, enquanto foi o Príncipe Siddhartth Gáutam, herdeiro do trono de Kapilavasthu, o Buddha foi treinado em todas as artes, ciências e rituais de sua época, a fim de se tornar um grande rei. Portanto, não somente estudou Astronomia, mas também ASTROLOGIA e todo tipo de práticas para prever o futuro, como já era comum em sua época. Portanto, não é porque se tornou um Iluminado que ele passaria a negar a existência ou eficácia de tais práticas!

O Buddha nunca negou a capacidade de certas pessoas em prever o futuro. Eu mesmo, nos anos 80, muito antes de me tornar buddhista (em 1996), tive comprovadas todas as predições de um jogador de búzios, portanto, não poderia negar a veracidade de algumas dessas práticas. O que ocorre, porém, é que tais coisas não são 100% confiáveis e a razão para não acreditarmos cegamente nas previsões dos videntes nos foram claramente explicadas pelo Buddha.

Primeiramente, devemos levar em consideração que grande parte dos chamados videntes, nada mais são que charlatães, vivendo às custas da ingenuidade de quem os procura. Só isso já seria um bom motivo para duvidarmos do futuro visto nas cartas, nos astros ou lidos nas palmas das mãos.

No Buddhismo, acreditamos que tudo, absolutamente tudo que acontece em nossas vidas é resultado do EFEITO KÁRMICO, a contabilidade das ações boas e ruins que praticamos ao longo de cada existência nossa, através dos tempos. É a Lei do Karma que determina, não só o que seremos na existência seguinte, mas o modo como seremos, onde viveremos, que tipo de vida etc. etc. Assim, ao longo de cada nova vida, esses efeitos continuam se manifestando – tanto os bons quanto os ruins. Alguns karmas que têm seus efeitos agora, podem ter sido praticados muitas vidas atrás, enquanto que outros surtem efeito quase que imediatamente após serem praticados. Esse processo é tão subjetivo e complicado que o próprio Buddha nos alertou quanto ao perigo e impossibilidade de o entendermos completamente! Se é assim, fica humanamente impossível, mesmo para o melhor vidente do mundo, saber quando o efeito bom ou ruim de um karma vai se manifestar, alterando o rumo esperado (ou previsto por alguém) em nossas vidas.

Nesse turbilhão de efeitos kármicos, surgindo a todo momento, num fluxo constante, tudo está constantemente sujeito a alteração, tanto para melhor quanto para pior. Bons karmas amenizam o impacto de maus karmas… Maus karmas grandes anulam o bom efeito de pequenos karmas e assim por diante. Portanto, nem tudo o que um vidente nos diz é charlatanismo! Alguns deles realmente, com a melhor das intenções e total sinceridade conseguem ver fatos que, hipoteticamente podem acontecer em nossas vidas… Um fator que eles não têm como contar é justamente a Lei do Karma, ou seja, no momento em que ele teve determinada visão sobre nosso futuro, aquilo realmente estava para acontecer, mas, se determinado karma do passado ou mesmo praticado após sairmos do “consultório” do vidente for capaz de alterar a visão, de nada terá valido a consulta!

Esse foi justamente o alerta do Buddha quanto às previsões do futuro… Quanto mais frequentamos esse tipo de adivinhadores, mais passamos a depositar nossos planos de vida nas mãos de pessoas que, mais cedo ou mais tarde vão nos dizer coisas que, por causa de nossos próprios karmas, NÃO VÃO ACONTECER ou serão alteradas, nos causando decepções e até risco de morte, dependendo da gravidade da situação.

Portanto, na ótica buddhista, não se trata de duvidar do fato de algumas pessoas poderem realmente ver o futuro, mas sim de não podermos confiar plenamente nossas decisões, nossos planos e atitudes em previsões que têm grande chances de NÃO se concretizarem!

 

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Bhantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ