२५५४ ०६ २७ Somvár 2554-06-27

 A todos, Namastê!


ada uma das quatro coletâneas (Nikáyas) de livros que formam o “Cesto dos Sutras” – SUTRAPITÁKA começa com uma Escritura de profundo significado. Este Sutra de abertura do Samyútta Nikáya”, embora seja curtinho, retrata o importante Ensinamento sobre o Caminho do Meio, sempre afirmado pelo Buddha como o único modo de alcançar o estado mental de Nirváña (a Iluminação).

O ex-Príncipe Siddhartth Gáutam que vivia no luxo e conforto e não era feliz, abandonou tudo para se tornar um mendigo que quase morreu de fome com seus sacrifícios inúteis! Somente quando descobriu a distância exata entre os dois extremos, foi capaz de alcançar o CONTENTAMENTO e, assim, a Iluminação, tornando-se O BUDDHA. É sobre isto que trata o Sutra que veremos. A palavra ÔGHA, em idioma Páli, significa literalmente TORRENTE, correnteza forte que mantém todos os seres submersos, afogados pelo ciclo de renascimentos e significa, como metáfora, os quatro tipos de obstáculos que devemos enfrentar para atingir o objetivo final – Nirváña. São eles:

 1 –  A torrente da sensualidade – desejo e apego pelos cinco elementos do prazer sensual: toques físicos agradáveis, aromas agradáveis, sabores agradáveis, imagens agradáveis e sons agradáveis – originários do contato com as “Portas dos Sentidos” – corpo, nariz, língua, olho e ouvido; 2 – A torrente do ser/existir – desejo e apego pela existência nos planos materiais (como seres humanos) e imateriais (dimensões paralelas) e apego aos JHÁNAS (estágios de concentração, atingidos durante a Meditação Sentada); 3 – A torrente das idéias – os 62 tipos de idéias e conceitos aos quais nos apegamos e que são descritas no Brahmájala Sutra (o Sutra da Rede de Brahmá) ; 4 – A torrente da ignorância – desconhecimento ou conhecimento insuficiente e incorreto das Quatro Nobres Verdades – o CORAÇÃO DO ENSINAMENTO DO BUDDHA.

A explicação do Buddha teve a intenção de fazer com que a Deví (feminino de Dêva) ficasse confusa e assim, parasse para pensar na resposta do Buddha, já que, normalmente se atravessa uma correnteza parando e se segurando em locais seguros e depois se arremessando para frente, até atingir o próximo ponto de parada. Na profunda comparação do Buddha, “não parar” tem o sentido de não se deixar contaminar ou afundar, por novos apegos enquanto que “não se arremessar para frente” significa que a prática não exige excesso de esforço, ansiedade, tensão ou pressa de chegar ao objetivo final! A mente apressada e ansiosa não é capaz de atingir o estado mental de Nirváña… Vamos ao Sutra!

 सुनन्थो भिक्षु

Bhantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

 

Ôgha-tárana Sutra

(O Sutra da Travessia da Torrente)

Reescrito em linguagem simples e explicado entre parênteses

pelo Bhantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

Assim me foi transmitido oralmente. Em certa ocasião o Bhagaván estava em Shrávathi no Bosque que pertencia ao Príncipe Jetá, no Parque (doado pelo milionário) Anathapindika. Então, quando a noite estava bem avançada, uma certa Deví (feminino de Dêva, ser de outra dimensão) com belíssima aparência que iluminou todo o Bosque de Jetá, se aproximou do Bhagaván. Ao se aproximar ela homenageou o Bhagaván e ficando em pé a um lado a Deví disse:

“Como, Oh Márissa (significa estimado Senhor), o Venerável cruzou a torrente?”

“Eu cruzei a torrente sem me impulsionar para frente, sem ficar parado no mesmo lugar.”

(Surpresa com a resposta, a Deví perguntou:)

“Mas como, Oh Márissa, sem se impulsionar para frente, sem ficar parado no mesmo lugar, o Venerável cruzou a torrente?”

“Quando eu me impulsionava para frente eu era arrastado. Quando eu ficava no mesmo lugar eu afundava. Assim, cruzei a torrente sem me impulsionar para frente e sem ficar parado no mesmo lugar.”

A Deví:

Por fim eu vejo

um brâmane (praticante da Purificação Mental) completamente saciado,

que sem se impulsionar para frente

sem ficar parado no mesmo lugar,

superou os apegos ao mundo.

Isso foi o que a Deví disse. O Mestre aprovou. Então aquela Deví pensando, “O Mestre me aprovou,” homenageou o Bhagaván, e mantendo-o à sua direita (dando três voltas em torno do Buddha, mantendo o ombro direito virado para ele), desapareceu.