२५५४ ०६ २८ Mangalvár  2554-06-28

A todos, Namastê!

esde um passado distante, até os dias de hoje, a Índia e diversas regiões asiáticas são anualmente atingidas por ventos fortes chamados MONÇÕES (a palavra árabe “maussím” é a origem do nome e significa “estação”). Esses fortes ventos sazonais trazem chuvas, enchentes e alagamentos que castigam as plantações e cidades, causando muitos transtornos à população.

No tempo do Buddha, ele previu que os monções seriam um grande perigo para seus monges que, vagando pelas estradas, muitas vezes sozinhos, passavam longo tempo expostos às condições da natureza. Assim, o Buddha, pensando na segurança da SANGHA (Comunidade Monástica Buddhista), criou uma regra a ser seguida por todos os monges: o PERÍODO DE VANSÁ – como ficou conhecida a época das inundações causadas pelos ventos. Nessa época, que invariavelmente, começa no mês de JULHO, todos os monges devem retornar aos seus templos de origem, ou seja, os templos onde receberam a ordenação e lá permanecerem por TRÊS MESES.

No caso de não poderem retornar, devem procurar e agendar com antecedência a permanência em um único lugar onde vão permanecer durante todo o VANSÁ. As viagens devem ser evitadas, o estudo dos Sutras intensificado através de grupos de estudo e também a prática da Meditação deve receber maior dedicação.

Nos templos, o Abade convoca todos os monges (somente com ordenação completa, o que exclui os noviços) para uma recitação especial (não é um Púja) no Salão do Altar. Ele recita um trecho em Páli, especial para a ocasião e, um a um, de acordo com a posição hierárquica, todos os monges repetem o mesmo texto, no qual confirmamos estar cientes do início do VANSÁ e de nossos deveres durante esse período.

Sendo o período de três meses um longo tempo, há regras fixas para casos urgentes e imprevistos. Assim, se um de nós monges  precisar viajar durante o VANSÁ, no caso de morte de pai ou mãe, por exemplo, ele poderá se ausentar por uma semana, NO MÁXIMO, após autorização do Abade de seu templo. Se, após sete dias, ele ainda precisar estar ausente, deverá RETORNAR AO TEMPLO e se apresentar ao Conselho dos Anciãos, que dará ou não a permissão para a ausência prolongada.

O Período do VANSÁ tem vários nomes, de acordo com cada país ou pronúncia em Páli – VAZÁ, VASSÁ, P´HANSÁ (พรรษา em Tailandês) etc. e sempre começa no Feriado da Tradição Theravada, conhecido como ASSÁL-HA PÚJA (อาสาฬหบูชา  em Tailandês), que relembra o Primeiro Pronunciamento do Buddha, logo após a Iluminação, aos seus antigos companheiros, que se tornaram os cinco primeiros monges buddhistas. Neste ano buddhista de 2554, o PERÍODO DE VANSÁ começará com a Cerimônia de ASSÁL-HA PÚJA, na Lua Cheia do mês de julho, caindo no dia 15. Tradicionalmente, os leigos andam em torno do Salão do Altar, levando velas e incensos acesos e uma flor de lótus. Depois, dentro do Salão do Altar, fazem doações aos monges, ouvem o Dharma e a recitação do DHARMACHAKRAPARVATANA SUTRA, o primeiro Sutra do Buddhismo.

Ao longo dos tempos, o VANSÁ passou a ter outra finalidade além de proteger a integridade física de nós monges. Hierarquicamente falando, é O NÚMERO DE VANSÁS após a Ordenação Superior, que determina o grau de respeito devido a um monge por seus colegas de manto. Assim, no meu caso, tenho apenas SEIS VANSÁS e, embora tenha quase 52 anos de vida, devo respeito a monges bem mais novos, que tem 10, 15 ou até 20 VANSÁS, pois se tornaram monges quando ainda eram bem jovens. Ao mesmo tempo, monges com menos VANSÁS que eu, devem prestar respeito a mim e assim por diante.

Nas regras de etiqueta da Tradição Theravada, discretamente perguntamos a um colega quantos VANSÁS um outro monge tem, para nos posicionarmos hierarquicamente em relação a ele. Assim, não corremos o risco de desrespeitarmos um monge simplesmente por ele ser jovem, nem de mostrarmos excessivo respeito a um monge só porque ele tem idade avançada. É o número de VANSÁS que determina a hierarquia num templo. A partir de CINCO VANSÁS um monge já tem condições de se tornar Abade de um Templo Theravada e, com QUINZE VANSÁS ele recebe o título de THERÁ (ou THERÔ) e, com TRINTA VANSÁS,  MAHÁ THERÁ (ou Therô), algo como “Grande Ancião”.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Bhantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

(Meninas de uma escola tailandesa celebram o Assal-ha Púja)

(O Primeiro Pronunciamento)