२५५४ ०६ ३० Guruvár 2554-06-30

 A todos, Namaste!

m várias ocasiões o Buddha ressaltou a importância da prática da generosidade, porque sempre foi assim que a Sangha (Comunidade Monástica Buddhista) e, consequentemente, o Buddhismo, sobreviveram ao longo dos tempos.

Sem doações, não é possível dar continuidade ao trabalho de divulgação do Ensinamento do Buddha (o Dharma), porque, como qualquer outra instituição do mundo, um templo buddhista necessita de dinheiro…

É importante ressaltar, porém, que o recebedor da doação deve ser DIGNO da confiança de quem doa. O recebedor tem que ser alguém merecedor do respeito de quem faz a doação, caso contrário, o que está sendo doado alimentará idéias erradas, enganosas ou corruptas. Somente a doação a alguém que passe pela análise consciente do coração do doador é capaz de gerar frutos, como o Buddha explica a seguir. Vamos ao Sutra!

 

Íssattha Sutra

(O Sutra das Habilidades com o Arco)

Reescrito em linguagem simples e explicado entre parênteses

por Bhantê Sunanthô Bhikshú

Assim me foi transmitido oralmente.Em Shrávatthi. Sentado a um lado, o Rei Passenadi do grande reino de Kossalá (o segundo maior reino daquela época) perguntou ao Bhagaván:

“Onde, Venerável Senhor, deve uma doação ser feita?”

“Em qualquer lugar em que a mente sinta confiança, Grande Rei.”

“Mas uma oferenda dada onde, Venerável Senhor, resulta em grandes frutos?”

“Esta questão é uma coisa, Grande Rei – ‘Onde deve uma doação ser feita?’ – enquanto essa – ‘Onde é que uma doação feita resulta em grandes frutos’ – é algo totalmente diferente. O que é dado a uma pessoa virtuosa – ao invés de a uma pessoa não virtuosa – resulta em grandes frutos.” Neste caso, Grande Rei, eu lhe farei uma contra pergunta. Responda como quiser.

“O que pensa, o Grande Rei? Suponha que  estivesse em guerra e uma batalha fosse iminente. E um jovem kshátriya (membro da casta dos guerreiros) se aproximasse – sem treinamento, sem prática, indisciplinado, temeroso, aterrorizado, covarde, rápido na fuga. O Grande Rei o aceitaria? O Grande Rei teria como aproveitar um homem como esse?”

“Não, Venerável Senhor, eu não o aceitaria. Eu não teria como aproveitar um homem como esse.”

“Então, um jovem brâmane (da casta dos sacerdotes) se aproximasse – sem treinamento, sem prática, indisciplinado, temeroso, aterrorizado, covarde, rápido na fuga. O Grande Rei o aceitaria? O Grande Rei teria como aproveitar um homem como esse?”

“Não, Venerável Senhor, eu não o aceitaria. Eu não teria como aproveitar um homem como esse.”

Um jovem váishiya (da casta dos comerciantes) se aproximasse – sem treinamento, sem prática, indisciplinado, temeroso, aterrorizado, covarde, rápido na fuga. O Grande Rei o aceitaria? O Grande Rei teria como aproveitar um homem como esse?”

“Não, Venerável Senhor, eu não o aceitaria. Eu não teria como aproveitar um homem como esse.”

Um jovem shúdra (da casta dos  trabalhadores braçais e escravos) se aproximasse – sem treinamento, sem prática, indisciplinado, temeroso, aterrorizado, covarde, rápido na fuga. O Grande Rei o aceitaria? O Grande Rei teria como aproveitar um homem como esse?”

“Não, Venerável Senhor, eu não o aceitaria. Eu não teria como aproveitar um homem como esse.”

“Agora, o que  pensa, o Grande Rei? Suponha que  estivesse em guerra e uma batalha fosse iminente. Um jovem khattiya se aproximasse – treinado, com prática, disciplinado, destemido, corajoso, pronto para defender seu posto. O Grande Rei o aceitaria? Teria como aproveitar um homem como esse?”

“Sim, Venerável Senhor, eu o aceitaria. Eu teria como aproveitar um homem como esse.”

“Então um jovem brâmane se aproximasse – treinado, com prática, disciplinado, destemido, corajoso, pronto para defender seu posto. O Grande Rei o aceitaria? Teria como aproveitar um homem como esse?”

“Sim, Venerável Senhor, eu o aceitaria. Eu teria como aproveitar um homem como esse.”

 Um jovem váishiya  se aproximasse – treinado, com prática, disciplinado, destemido, corajoso, pronto para defender seu posto. O Grande Rei o aceitaria? Teria como aproveitar um homem como esse?”

“Sim, Venerável Senhor, eu o aceitaria. Eu teria como aproveitar um homem como esse.”

 Um jovem shúdra se aproximasse – treinado, com prática, disciplinado, destemido, corajoso, pronto para defender seu posto. O Grande Rei o aceitaria? Teria como aproveitar um homem como esse?”

“Sim, Venerável Senhor, eu o aceitaria. Eu teria como aproveitar um homem como esse.”

“Da mesma forma, Grande Rei. Quando alguém abandonou a vida em família e seguiu a vida da Purificação Mental – não importando o seu clã – e ele abandonou cinco fatores e está dotado de cinco fatores, aquilo que lhe é dado resulta em grandes frutos.

“E quais são os cinco fatores que ele abandonou? Ele abandonou o desejo sensual, abandonou a má vontade, abandonou a preguiça e torpor abandonou a inquietação e ansiedade e a dúvida. Esses são os cinco fatores que ele abandonou. E quais são os cinco fatores dos quais ele está dotado? Ele está dotado do agregado da virtude de alguém que está mais além do treinamento. Ele está dotado do agregado da concentração de alguém que está mais além do treinamento. Ele está dotado do agregado da Sabedoria de alguém que está mais além do treinamento. Ele está dotado do agregado da libertação de alguém que está mais além do treinamento. Ele está dotado do agregado do conhecimento e visão da libertação de alguém que está mais além do treinamento. Esses são os cinco fatores dos quais ele está dotado.

“Aquilo que é dado para aquele que abandonou cinco fatores e está dotado de cinco fatores resulta em grandes frutos.”

Isso foi o que o Bhagaván disse. Dito isso, o Iluminado, o Mestre disse ainda mais:

“Como um rei decidido pela batalha

contrataria um jovem que tivesse habilidades com o arco,

alguém dotado de força e vigor,

mas não o covarde apenas devido ao seu nascimento –

e muito embora ele possa ter um nascimento inferior,

a pessoa com a conduta nobre deve ser honrada,

o Sábio no qual estão estabelecidas

as virtudes da paciência e nobreza.

“Ele deve construir retiros agradáveis

e convidar os Sábios para ali habitarem;

ele deve construir reservatórios nas florestas

e trilhas no terreno acidentado.

“Com o coração confiante ele deve doar,

para aqueles com o caráter íntegro:

doar comida e bebida e coisas para comer,

roupas para vestir e camas e assentos.

“Pois, tal como uma nuvem trovejante,

enfeitada por raios com cem cristas,

derrama a chuva sobre a terra,

preenchendo a planície e os vales –

Da mesma forma o homem Sábio, fiel, estudado,

ao preparar uma refeição,

satisfaz com comida e bebida

os mendicantes que vivem de esmolas.

Alegrando-se, ele distribui doações,

e proclama, ‘Doar, doar.’

“Pois esse é o trovão dele

tal qual o céu quando chove.

Essa chuva de mérito (energia positiva,

criada pela generosidade), tão abundante,

será derramada sobre o doador.”