२५५४ ०७ ०७ Guruvár 2554-07-07

A todos, Jwajalapá!

 Venerável AJAHN JAYASARO (se pronuncia “adján djayassarô”) nasceu em 1958, na Ilha de Wight na Inglaterra. Em 1978 ainda como candidato a se tornar noviço (anagárika), participou de um Retiro como seguidor do Ven. Ajahn SUMEDHÔ, em seu mosteiro na Inglaterra. Depois, seguiu para a Tailândia onde, tendo o Ven. AJAHN CHAH como Preceptor, recebeu a ordenação de noviço e a Ordenação Superior, tornando-se monge e depois Abade do Wat Pah Nanachat, o mais famoso templo de floresta na Tailândia.

Meu encontro com o Ven. Ajahn Jayasaro aconteceu de modo inesperado… Eu estava morando num templo de floresta em Non Khai, nordeste da Tailândia. Nenhum monge no templo conseguia falar inglês e eu, iniciante na minha vida na Tailândia, era totalmente incapaz de me expressar em tailandês! Preocupado com minha situação, o Abade do templo tentou me explicar que estava me levando para conhecer alguém especial, mas eu não entendi bem o que estava acontecendo.

Naquele período, eu estava confuso, com saudades de casa e, ao mesmo tempo, pensando em desistir do Brasil e ficar na Ásia para sempre. Foi o único momento em meu treinamento monástico que fiquei desse modo e isso estava me incomodando tanto que o Abade deve ter sentido minha confusão mental!

Fomos de carro até um condomínio de luxo e isso me deixou surpreso. Após passarmos por todas as casas, chegamos a uma área vazia e com muita mata. Continuamos, subindo por uma montanha até chegarmos a uma cabana, isolada de tudo, onde mora, totalmente só, o Ven. Ajahn Jayasaro. Os dois grandes mestres trocaram cumprimentos e logo vi o quanto o monge inglês é fluente em tailandês. Ele me recebeu com um olhar profundo, com seus olhos muito azuis que realçam no rosto muito branco. Deu um sorriso e me convidou a sentar, na varanda da cabana. A vista ao redor é de uma beleza digna de cartão postal!

O Abade do meu templo foi conversando e os dois me olhavam, deixando claro que eu era o assunto da conversa. Depois Ajahn Jayasaro passou a se dirigir diretamente a mim, com seu educado inglês britânico. Foi a primeira vez em meses que eu consegui manter diálogo com alguém! Ele me pediu que falasse abertamente sobre minhas dúvidas e planos e eu expliquei que estava com saudades de minha mãe mas que, pelo que eu entendia da cultura tailandesa, seria como se eu não mais tivesse mãe nem família e, assim sendo, não gostaria de voltar ao Brasil, já que minha volta magoaria pessoas as quais eu amo… Seria melhor esquecer o Brasil e ficar para sempre na Tailândia ou outro país asiático.

Ajahn Jayasaro me ouviu com total atenção, sempre com um sorriso sincero e bonito. Aos poucos foi traduzindo para o tailandês, mantendo o Abade acompanhando nossa conversa. Ele então me contou o caso de um monge tailandês, amigo dele, que certa vez pediu que o acompanhasse em visita à casa de sua mãe. Ajahn Jayasaro acompanhou o colega de manto e, ao chegarem à casa da senhora tailandesa ela se sentou no chão, deixando que os dois monges ficassem no sofá. Durante todo o tempo permaneceu com as mãos juntas, à altura do peito, em sinal de respeito e,  em momento algum ergueu os olhos para olhar diretamente para o filho, que foi tratado como se não tivesse laço algum unindo os dois. Como ocidental, Ajahn Jayasaro confessou que se sentiu extremamente constrangido com aquela situação e tentou ao máximo encurtar a visita porque não conseguiu se sentir à vontade.

Ele entendeu meu ponto de vista e tratou de me tranquilizar, usando sua própria vivência como exemplo. Disse que mantém contato constante com sua mãe e familiares, visitando-os anualmente e que não deixa de telefonar regularmente para dar notícias dele à mãe. Me alertou para o fato de que ser monge Theravada não me obriga a adquirir hábitos culturais dos tailandeses. Mais ainda, insistiu para a importância de que eu, após meu treinamento, voltasse ao Brasil e levasse adiante minha missão de divulgar o Dharma para meu povo.

Eu fiquei muito aliviado e feliz com aquela conversa! Foram momentos de imensa tranquilidade que eu estava sentindo falta, após tanto tempo de inquietude mental… Voltei para o templo em companhia do Abade e lá passei mais alguns meses, até decidir me mudar para Bangkok e seguir outros rumos dentro da vida monástica. Se não fosse pela conversa com o Venerável Ajahn Jayasaro, provavelmente eu não estaria no Brasil. Realmente, o Buddhismo Theravada Brasileiro, por mim idealizado e fundado, tem uma dívida para com o Venerável Jayasaro!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

O Venerável Ajahn Jayasaro

सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ