२५५४ ०७ १२ Mangalvár 2554-07-12

A todos, Jwajalapá!

m personagem que qualquer pessoa que já tenha ouvido uma de minhas conversas sobre Meditação passa a conhecer é “O MACACO LOUCO“. Foi deste modo que o Buddha, com total Sabedoria como sempre, definiu A MENTE… O macaco louco é aquele que pula de galho em galho, grita, vira cambalhota, cata piolhos, joga cocô nos outros e faz xixi na cabeça de quem passa debaixo da árvore. Está sempre inquieto, nunca pára e sempre quer mais e mais novidades!

Exatamente assim é a mente humana, enquanto destreinada! Tudo é motivo para se agitar, para estar descontente, buscando algo novo que preencha um vazio constante, uma insatisfação. A palavra da moda é AUTOESTIMA. Só se fala disso! E, na busca de satisfazer a autoestima, as pessoas são levadas a fazer todo tipo de tolice… É em nome dela que, após qualquer contrariedade, por menor que seja, alguém entra num shopping centre e sai comprando tudo, freneticamente! Depois, chega em casa com dezenas de sacolas, o cartão de crédito “estourado” e percebe que a insatisfação continua exatamente no mesmo lugar, à sua espera! É exatamente isso que um macaco louco faria se tivesse acesso a shoppings e um cartão de crédito!

Desde que nascemos, somos condicionados a só fazer o que queremos e rejeitar veementemente o que não queremos. Quando nenéns, enquanto nada nos perturba, dormimos tranquilamente. Mas tão logo surja qualquer inquietação, choramos incessantemente. Pode ser fome, fralda suja ou molhada, dor de ouvido ou qualquer outro incômodo.  É problema da mãe, babá ou de quem está tomando conta do bebê se virar para descobrir o que o está incomodando… Ele chora para OBTER algo ou para SE LIVRAR de algo.

Mais tarde, nossos próprios pais nos condicionam a fazer coisas PARA obter outras – “Se você comer a salada toda, vai ganhar sorvete de sobremesa!” – A criança que preferiria estar comendo uma pizza ou cachorro quente, acaba comendo o que não quer PARA conseguir seu objetivo de ganhar um sorvete! Mais tarde os objetivos passam a ser mais “grandiosos” – “Se você tirar notas boas na escola, lhe dou uma bicicleta” ou “Se passar no vestibular, vai ganhar um carro!” (ou uma viagem à Europa…). Depois vem a vida profissional e trabalhamos PARA ganhar dinheiro ou PARA uma promoção ou cargo de chefia…

Não só para ganhar algo isso ocorre. Também fazemos o possível  e o impossível para NOS LIVRARMOS do que nos incomoda, do indesejado… Se não gostamos do prédio ou da vizinhança onde moramos, aumentamos nossos esforços para nos livrarmos daquele lugar e nos mudarmos o quanto antes para aquele condomínio cinco estrelas tão sonhado!

Daí, a pessoa ouve falar de MEDITAÇÃO. Pode ser em algum documentário de TV, numa revista esotérica, na aula de yôga ou durante a malhação na academia… Fica sabendo que é uma maravilha, tem efeitos fantásticos e resolve miraculosamente a vida de qualquer um! Imediatamente o MACACO LOUCO fica fascinado! Finalmente algo novo para quebrar a rotina de sua vida monótona! Ele mal pode esperar pelo momento de começar!

A pessoa chega em casa, se prepara do jeitinho certo que a ensinaram. Se senta bem quieta na posição de meditar, na almofadinha tibetana que comprou no shopping, acende o incenso importado da Índia… Enfim, tudo certinho do jeito que recomendaram tanto! O MACACO LOUCO está feliz, excitado! Daí se passam um minuto, dois, três… Nada acontece! Não tem música, nem colorido, nem barulho… Não chegou mais ninguém pra participar… Não tem festa nem bebida! Que coisa mais monótona!!

Imediatamente, o MACACO LOUCO acha essa estória de Meditação muito chata! Não era nada disso que ele esperava… A partir de então, ele vai fazer de tudo para perturbar a pessoa, até que ela desista de meditar e volte a lhe dar a atenção de sempre, fazendo tudo o que ele quer! Desavisada de que o codinome do MACACO LOUCO é AUTOESTIMA, a pessoa se rende! Vê que está toda dolorida e cansada de tentar não se envolver com seus pensamentos, cada vez mais acelerados… Após se esforçar por apenas cinco ou dez minutos, ela decide que “amanhã vai tentar de novo”, por hoje, já chega! O problema é que “amanhã” ela encontra outra coisa URGENTÍSSIMA para fazer, no dia seguinte, também! E, quando percebe, já se passaram dois ou três meses e ela nunca mais tentou meditar… Então, diz para si mesma: “Bem, de repente, esse negócio de meditação é mesmo para orientais ou monges… Se eu não consegui é porque sou ocidental e não era mesmo para acontecer!”

Meditar é CHATO! Não é nada do que o MACACO LOUCO espera! Não é modismo, não é fácil, não tem música nem tem resultados imediatos… É um trabalho SÉRIO E CONSCIENTE que muito pouca gente quer fazer, porque é para domar o MACACO LOUCO. Meditar é um trabalho constante e paciente de DISCIPLINA MENTAL, não é atividade lúdica e poética para agradar a mente…

Tem resultados favoráveis e produtivos? SIM!! Com certeza tem! Mas, tudo aquilo que pode ser obtido da Meditação, vai surgir como meros EFEITOS COLATERAIS A LONGO PRAZO. A redução da ansiedade, o aumento da concentração, a quietude e diminuição das reações de raiva e descontrole… Tudo isso e muito mais, pode ser obtido EVENTUALMENTE, após muito tempo de prática. A realidade é que MEDITAMOS PARA ABSOLUTAMENTE NADA! E, como eu disse antes, não estamos acostumados  a fazer coisas PARA NADA! Nosso condicionamento não nos permite isso! Se não temos um objetivo a curto ou, no máximo, médio prazo, as coisas já não nos interessam, porque estamos sempre fazendo tudo PARA alguma coisa! Quem medita para obter coisas imediatas e inadiáveis, só vai perder tempo e se decepcionar. É exatamente por isso que encontramos tantos “EX-QUASE-MEDITADORES”… Aqueles que tentaram só um pouquinho e não conseguiram absolutamente nada dessa coisa chata, chamada Meditação!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ