२५५४ ०७ १४ Bihibár 2554-07-14

A todos, Namaste!

er um monge buddhista não é exatamente uma escolha fácil. Dependendo do país, pode ser até bem difícil, como no caso de meu colega de manto e amigo pessoal, o Ven. Buddharakkhita, único monge buddhista de Uganda… Aqui, neste imenso país cristão, tentar divulgar um Ensinamento tão diferente do que as pessoas estão acostumadas a ouvir é uma tarefa, no mínimo, complicada.

O DHARMA – o Ensinamento do Buddha, nos foi transmitido em línguas orientais que, se viraram para manter tudo na forma original. São idiomas com palavras profundas, podendo expressar em apenas uma delas conceitos que, para nós ocidentais, necessitaríamos de uma frase inteira, talvez mais! Páli, Sânscrito, Chinês, Japonês, Tibetano… Todas milenares e pertencentes a culturas que já estavam totalmente estabelecidas quando a Europa ainda engatinhava e, para piorar, nem sonhava em descobrir o Brasil!

De repente, me vejo às voltas com traduções, normalmente do Inglês para o Português, a fim de transmitir o Dharma em nosso país, para pessoas com uma forte mentalidade judáico-cristã, que é parte integrante de várias gerações de nosso povo. É a velha história que muitos cristãos debatem: o antigo testamento cristão, foi escrito em aramáico, traduzido para o grego e, finalmente chegou ao latim. Isso, segundo afirmam os próprios cristãos, ocasionou inúmeras distorções dos fatos originais. Obviamente, o mesmo pode ter acontecido com o Tripitáka, a coletânea de Escrituras Buddhistas e não podemos ser radicais afirmando que tudo o que lemos foi exatamente o que o Buddha disse. Porém, contamos com a vantagem do Tripitáka ter sofrido um número menor de traduções, já que foi traduzido diretamente do Páli para cada uma das versões atuais. Ou seja: do Páli para o Sânscrito (são línguas quase iguais) e daí por diante, do Sânscrito para o Chinês, do Sânscrito para o Japonês, do Sânscrito para o Tibetano etc. Isso ajudou bastante a manter as Escrituras não tão afastadas de seu significado original.

Ao traduzirmos de línguas orientais para o Inglês e, a partir dele, para o Português é preciso muito cuidado! Vemos termos do Páli, como DUKKHA, traduzido como SUFFERING, que acabou virando SOFRIMENTO em nosso idioma. DÁNA, generosidade sincera e prática como antídoto contra o apego, acabou virando “ESMOLA”!! 

Num país onde convivemos com uma multidão de santos católicos, se interpretarmos a prática do Buddhismo como “vida santa”, uma grande parte dos brasileiros não vai nem se aproximar dos Ensinamentos do Buddha, porque a maioria das pessoas não tem a menor intenção de se tornar santo! Já se a expressão for traduzida conforme o original, teremos VIDA DE PURIFICAÇÃO MENTAL, o que é bem mais coerente e fácil de aceitar…

Minha missão, nada fácil e bastante desafiadora, tem sido a de ir direto aos termos em Páli, sem usar o Inglês como mediador, para adaptar e apresentar ao nosso povo os termos como o Buddha os ensinou, evitando distorções perigosas que confundam mais do que ajudem. Assim, nada de SOFRIMENTO no Buddhismo! Quando falo de DUKKHA, procuro fazer com que as pessoas o entendam profundamente, como todo e qualquer tipo de INQUIETAÇÃO MENTAL. Se assim interpretado, profundamente entendido e assimilado, DUKKHA poderá permanecer sem tradução alguma e ainda assim não causará dúvida nem confusão!

O mesmo se aplica a METTÁ, uma forma de amor puro, incondicional e equânime que, traduzido do Inglês (“loving kindness”) acabou virando “Amor-Bondade” em Português – seja lá o que for isso! Muito mais fácil entender a fundo o sentido de Mettá e manter o termo em Páli. Mettá deve ser praticado, não precisa de tradução, mas sim de correto entendimento!

Minha missão é que o Buddhismo Theravada Brasileiro, por mim criado, mantenha as palavras do Buddha como foram ditas pelo Buddha e, através do ENTENDIMENTO PROFUNDO delas, sejam praticadas sem distorção e com o poder libertador que elas têm de nos conduzir ao Nirváña!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ