२५५४ ०७ १५ Sukrabár 2554-07-15

A todos, Jwajalapá!

ssim como nas várias religiões, há diferentes modos de seguir o Buddhismo. O primeiro, ainda pouco comum no Brasil, é nascer numa família buddhista e, naturalmente crescer convivendo com as práticas da Tradição escolhida, como acontece na Ásia buddhista. A segunda forma, que ocorre com a grande maioria dos ocidentais é através da CONVERSÃO, ou seja, um ateu ou seguidor de alguma religião, após ouvir e estudar os Ensinamentos do Buddha, decide se converter ao Buddhismo. Para isto, não “basta a aspiração”, como ouvi recentemente alguém dizer na TV…

O Buddhismo tem PRECEITOS a serem seguidos (vejam a matéria neste mesmo Blog sobre os Cinco Preceitos de um Leigo), é um rígido treinamento disciplinar. Exige esforço contínuo e consciente e, embora não tenha conceitos de castigo divino ou pecado, tem o aspecto de ser uma prática individual e, muitas vezes solitária, o que pode não ser animador para os desavisados! Também é necessário o ritual, que varia de acordo com cada Tradição, no qual o candidato a se tornar budhdista tem que tomar REFÚGIO, o que significa abandonar definitivamente todos os tipos de orientação e passar a seguir UNICAMENTE o Buddha como Mestre, os Ensinamentos do Buddhismo como orientação e a Comunidade Monástica como única fonte de aconselhamento.

Como em qualquer prática disciplinar, é necessário fazer mudanças no estilo de vida e abrir mão de certas coisas. Da mesma forma que alguém que se proponha a fazer ginástica e perder peso deve mudar a dieta, se exercitar, talvez se matricular em uma academia e até consultar um nutricionista ou personal trainner, assim também quem opta pelos Ensinamentos do Buddha tem que se comprometer intimamente com uma mudança de vida, se aprofundando gradativamente num processo de PURIFICAÇÃO MENTAL que implica em evitar o uso de palavras sujas e grosseiras, não falar palavrões, não fofocar e não perder tempo com conversas fúteis e desnecessárias, por exemplo. Também é incompatível com o Buddhismo que a pessoa continue consumindo bebidas alcóolicas e, obviamente, não é admissível o uso de drogas.

Assim, não é possível dizer que “a aspiração é o bastante”, já que todo um trabalho gradativo de mudança de vida é necessário ou não haverá seriedade na prática e isto só ocasionará prejuízo para a imagem do Buddhismo verdadeiro! Claro que eventualmente, o praticante poderá sentir que a VIDA MONÁSTICA – tornar-se monge ou monja – e, desta forma dedicar-se inteiramente ao Buddhismo é o mais certo a fazer. Ao contrário do que as pessoas pensam, ninguém tem que se tornar monge para ser um bom buddhista, da mesma forma que não é necessário se tornar padre ou freira para ser um bom Católico.

O Buddhismo é um modo de vida, um Caminho a ser percorrido. Uma prática que envolve estudo e aplicação no dia a dia do que for aprendido na teoria. Somente através da constatação de que a mensagem do Buddha é válida na vida diária podemos dizer que somos buddhistas. As transformações são gradativas, nada é radical, nada é forçado. Entretanto, à medida que sentimos os benefícios das mudanças, naturalmente queremos mais, porque as entendemos não como um sacrifício, mas como algo bom para nossa própria vida, a das pessoas que nos cercam e, a nível mais amplo, bom para toda a Humanidade.

Ser buddhista é algo sério, não um modismo! Realmente, só a aspiração não basta!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ