२५५४ ०७ २२ Sukrabár 2554-07-22

A todos, Namaste!

ns dias atrás, fui injustamente acusado de usar a palavra “IDIOTA” em minhas matérias, o que, segundo quem disse, torna a minha linguagem muito agressiva, afastando as pessoas, já que o Buddhismo deve “seduzir as pessoas, falando coisas bonitas, sobre paz e amor” . Bem, quem pensa assim, NUNCA leu as Escrituras Buddhistas, porque o Buddha diversas vezes usou o termo “BÁLA” (significa TOLO) para se referir a várias pessoas. “Tolo” e NUNCA idiota, é o termo que, seguindo o próprio Mestre, eu utilizo em minhas matérias.

É justamente sobre a diferença entre um tolo e o Sábio que trata o Sutra que apresento a seguir, na esperança de deixar claro que o Buddhismo mostra o Caminho para a Iluminação, mesmo que, às vezes a realidade deste Caminho não seja exatamente lúdica e não diga o tempo todo as coisas bonitas que alguns querem ouvir. Vamos ao Sutra!


Balapandita Sutra

O Sutra sobre o Tolo (bála) e o Sábio (Pandíta)

Reescrito em linguagem simples e explicado entre parênteses

por Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

Assim me foi transmitido oralmente. Certa ocasião, em Shrávathi, o Bhagaván disse aos seus monges: “Bhikshús, para o TOLO (bála, em língua Páli), obstruído pela ignorância e aprisionado pelo desejo, este corpo surgiu (houve mais um renascimento). Agora, existem ambos, este corpo e a mentalidade (a mente)-materialidade externa (a matéria física). Aqui, na dependência dessa dualidade, existe o contato nas seis bases (os seis órgãos dos sentidos: tato, olfato, paladar, visão, audição e mente). Há apenas seis bases, através das quais pelo contato o tolo se torna sensível ao prazer e à dor.

“Bhikshus, para o SÁBIO, (pandíta, em Páli, significa alguém com completo conhecimento das Escrituras) obstruído pela ignorância e aprisionado pelo desejo, este corpo surgiu. Agora, existem ambos, este corpo e a mentalidade-materialidade externa. Aqui, na dependência dessa dualidade, existe o contato nas seis bases. Há apenas seis bases, através das quais pelo contato o Sábio se torna sensível ao prazer e à dor. Então, Bhikshus, qual a diferença, qual a distinção, qual o fator que distingue a pessoa Sábia do tolo?”

“Venerável Senhor (Bhantê ou Vantê, em língua Páli), os nossos Ensinamentos têm o Bhagaván como origem, como Guia e como Refúgio. Seria bom se o Bhagaván pudesse explicar o significado dessas palavras. Tendo ouvido do Bhagaván, os Bhikshus o recordarão.”

“Nesse caso, Bhikshus, ouçam e prestem muita atenção àquilo que eu vou dizer.” – “Sim, Venerável Senhor,” os Bhikshus responderam. O Bhagaván disse o seguinte:

“Bhikshus, para o tolo, obstruído pela ignorância e aprisionado pelo desejo, este corpo surgiu. Essa ignorância não foi abandonada pelo tolo; esse desejo não foi destruído. Por que isso? O tolo não viveu a vida da Purificação Mental para a completa destruição de Dukkha. Assim, na dissolução do corpo, ele estará destinado a um novo corpo (mais um renascimento). Destinado a um corpo, ele não estará completamente livre do nascimento, envelhecimento, morte, tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero (inicia novamente todo o processo). Eu lhes digo, ele não estará completamente livre de Dukkha. (quando há contato dos órgãos dos sentidos com seus respectivos objetos e prazer ou aversão surgem em forma de apego, isto nos condiciona a renascer)

“Bhikshus, para o Sábio, obstruído pela ignorância e aprisionado pelo desejo, este corpo surgiu (ainda renasceu). Essa ignorância foi abandonada pelo Sábio; esse desejo foi destruído. Por que isso? O Sábio viveu a vida da Purificação Mental para a completa destruição de Dukkha. Assim, na dissolução do corpo (quando morrer), ele não estará destinado a um novo corpo (estará liberto da Roda de Renascimentos). Não destinado a um corpo, ele estará completamente livre do nascimento, envelhecimento, morte, tristeza, lamentação, dor, angústia e desespero. Eu lhes digo, ele estará completamente livre de Dukkha. (o Sábio tem controle de suas sensações e não permite que, mesmo havendo contato dos órgãos dos sentidos com os respectivos objetos, se forme apego nem aversão, portanto não mais renasce, se liberta da Roda dos Renascimentos – Samsára).