२५५४ ०७ ३१ Ravibár 2554-07-31

A todos, Namaste!

sta não é a primeira matéria deste Blog sobre o tema, porém, como é um dos pontos centrais do Buddhismo, voltar a ele nunca é demais.

Costuma-se dizer que o Buddhismo é um Ensinamento pessimista por tratar de SOFRIMENTO. Realmente, ninguém gosta nem desta palavra e, se pudermos passar bem longe até dela, melhor ainda, pois estaremos longe de sofrer, afinal, tem muita gente que acredita cegamente que falar sobre coisas ruins as atrai! Superstições à parte, realmente não é bom falar de sofrimento. Atraindo-o ou não, as pessoas gostam de ouvir somente coisas bonitas e já me disseram até que “Buddhismo é falar sobre paz, amor, coisas bonitas e sedutoras!”. Enfim, traduzir DUKKHA por sofrimento não é uma questão de falar ou não sobre coisas bonitas, antes uma questão de etimologia, de sentido correto ou não da palavra.

Há várias formas de DUKKHA e, certamente, muitas delas incluem sofrimento! Quando vemos o aspecto FÍSICO de Dukkha, a dor física por exemplo, então é válido que usemos sofrimento para defini-la. Uma dor de dente aguda e repentina no meio da madrugada é um caso de sofrimento físico… O mesmo pode ser exemplificado quando alguém é baleado e sangra… Mesmo quem, como eu, nunca foi baleado, não tem dúvida de que é uma grande dor física. Neste ponto, podemos usar o mesmo exemplo para definir DUKKHA como sofrimento psicológico: no caso de ser baleado, além de DUKKHA como dor física, há a tensão PSICOLÓGICA, do medo ficar deficiente físico, de não ser socorrido a tempo e até de morrer. Então, DUKKHA assume seu aspecto mais cruel e preocupante.

Falando de situações mais amenas, um relacionamento amoroso que se transforma em desilusão, separação, perda e causa aquele famoso aperto no coração, aquele nó na garganta que, sei lá por quê, se chama “dor de cotovelo”, também é DUKKHA. A pessoa chora, sofre, se amargura e não consegue parar de pensar na pessoa amada, nos momentos que viveram juntos e na cena da separação! Basta ouvir determinada canção, passar em frente ao restaurante onde costumavam jantar e até ver amigos em comum para que tudo isso cause uma profunda dor, um estado psicológico de mal estar e sofrimento!

Ver feliz e bem sucedido alguém que a pessoa não goste também causa um profundo sentimento de DUKKHA. Especialmente se o outro estiver em posição mais favorável que a pessoa… O sucesso do inimigo pode incomodar muito e causar até efeitos psicossomáticos! Tem gente que se corrói por dentro de tanta inveja, ciúme, raiva e outros sentimentos negativos. DUKKHA!!

Pena de si próprio ou auto-comiseração, é outra forma de DUKKHA que, muitas vezes nem precisa de um motivo real para acontecer. Basta que a própria pessoa imagine ser merecedora de coisas ou estar sendo lesada em algo a que, não necessariamente tinha direito. Pronto! Já é o bastante para um profundo sentimento de inferioridade, de ego atingido, de uma perda ou cultivo de um falso conceito de injustiça… Mais um típico caso de DUKKHA psicológico!

Quando o Buddha se referiu a DUKKHA e identificou o mundo como cenário perfeito para que DUKKHA se multiplique, se referiu a toda uma série de fenômenos e circunstâncias que possam alterar nossa tranquilidade mental! DUKKHA é tudo aquilo capaz de “nos tirar do sério”, de nos causar inquietação… Neste exato momento em que redijo esta matéria e estou me concentrando nas minhas palavras, há vários mosquitinhos, zunindo no meu ouvido, pousando na minha testa e pousando na lente dos meus óculos! Cabe a mim decidir se isto é DUKKHA ou se terei Sabedoria suficiente para entender que estou numa área cercada de mato, com a janela aberta, num dia de sol… Enfim, diversas condições propícias fazem com que o ambiente esteja cheio de mosquitinhos, portanto, não é nenhuma fatalidade ou questão pessoal que os trazem a mim!

O ponto é este: quanto mais ENTENDERMOS DUKKHA A FUNDO, menos a inquietação nos perturbará! Em contrapartida, quanto mais ignorância tivermos a respeito de DUKKHA, mais facilmente nos deixaremos envolver e angustiar! Quando o Buddha nos alertou que TUDO NO MUNDO É DUKKHA, não foi uma declaração pessimista para que nos desesperássemos e rotulássemos o Buddhismo como pessimista ou terror psicológico! Ele nos quis mostrar que devemos estar atentos o tempo todo, cultivando a Sabedoria para não permitirmos que nossa mente se inquiete a todo momento… Para as pessoas que cultivam a Atenção Plena e cultivam a Sabedoria através das práticas virtuosas, a cada instante se torna mais fácil lidar com DUKKHA.

Não se trata de que DUKKHA desapareça do mundo, afinal, o Buddha disse que o mundo é um lugar de constante DUKKHA, portanto, o Nirváña não é eliminar DUKKHA do mundo, mas sim de NÓS MESMOS. O mundo continuará sempre sendo uma fonte inesgotável de DUKKHA, mas o modo como o vemos e o administramos, cada vez mais de acordo com o Dharma é que nos torna capazes de fazer com que DUKKHA não mais nos afete, não mais nos inquiete… Nada há de pessimista no Buddhismo, afinal, um Ensinamento que nos permite continuar vivendo numa fonte inesgotável de DUKKHA sem que isto nos atinja, é extremamente Sábio e totalmente realista!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ