२५५४ ०८ ०२ Mangalbár 2554-08-02

A todos, Jwajalapá!

e considerarmos o Buddhismo como uma Religião, na qual praticamos rituais do tipo acender varinhas de incenso, fazer prostrações e recitar mantras, estaremos negligenciando a parte realmente importante do Buddhismo – a Atenção Plena e constante, no cultivo mental. Porém, se dissermos que os rituais não são importantes e que somente o cultivo mental é o que conta no Buddhismo, estaremos sendo incorretos e renegando uma parte importante da prática budista.

O fato é que o Budismo é um conjunto de práticas, interligadas e importantes, desde que tomemos o devido cuidado de sabermos exatamente o que estamos fazendo. Eu explico: Rituais buddhistas são importantes e parte integrante do Buddhismo, mas, se os levarmos à beira do fanatismo, só estaremos criando apego e ilusões, só nos afastando do Caminho do Meio, sempre aconselhado pelo Buddha.

Quando praticamos rituais, devemos entender profundamente o significado de cada elemento, cada objeto, cada simbolismo e origem do que estamos fazendo. Com a mente aberta e conhecimento histórico-cultural, somos capazes de ver se é realmente válido praticar este ou aquele ritual e se estão de acordo com o Ensinamento verdadeiro do Buddha. Muitos rituais nem são buddhistas e foram incorporados à Tradição Budista somente por razões culturais, portanto, nem deveriam mais ser praticados! Há os de origem Confucionista, Taoísta, Hindú e das crenças e práticas Xamânicas do Tibete pré-budista. Examinados à luz da Sabedoria e bom-senso, devemos ver se realmente devemos praticá-los ou simplesmente descartá-los.

Um ritual é válido se realmente nos conduz à tranquilidade mental e desenvolve em nós virtudes e Sabedoria. Se nada nos acrescentar ou se não puder ser explicado e comprovado quanto à sua utilidade, de nada adianta. É importante destacar que o Buddhismo é chamado de “O Caminho do Solitário”, exatamente por ser minoritário, não ter uma crença em Deus e ser capaz de conduzir cada praticante, sem ajuda superior, à Iluminação. Por isso, muitos rituais têm o aspecto congregacional, pois fazem com que nós budistas nos reunamos em um templo ou centro de Budismo para, juntos, fazermos algo representativo para todos. Com isto, mantemos vivo um sentimento de que não estamos “sozinhos no mundo”, pois há outras pessoas que compartilham de nossas mesmas idéias.

Mais “misticamente” falando, rituais, quando praticados em conjunto por pessoas sinceras e bem intencionadas, também são capazes de criar uma energia positiva, forte e compartilhável com todos os seres do planeta e até do Universo, o que gera um campo energético protetor e também um equilíbrio entre as forças positivas e negativas que afetam nosso mundo.

A nível de cultivo mental, temos todo um simbolismo associado a cada ritual. Na Tradição Theravada, por exemplo, acender velas nos relembra de que nós mesmos somos LUZ e devemos ser luz nas vidas dos que nos cercam, ajudando-os a dissipar a escuridão da ignorância. Ainda, ao vermos uma imagem do Buddha, não devemos idolatrá-la mas sim ver a nós mesmos refletidos na imagem e simplesmente demonstrar respeito e reverência a um grande Mestre, que nos deixou o “mapa da mina”, o Caminho para a Iluminação.

A verdadeira prática do Budismo, consiste em associarmos a parte ritualística às demais práticas que conduzem à Iluminação.  O cultivo da Atenção Plena, a prática da compaixão, equanimidade, amor incondicional, rejeição às diversas formas de violência e cultivo das virtudes mais sublimes do ser humano como trabalho de Purificação Mental.

É essa associação de práticas ritualísticas que necessitam de um local específico onde se reunir a outras pessoas e uma constante e consciente, inteiramente individual que podemos chamar de Budismo – eficiente, prático, realista e capaz de mudar para melhor a vida diária do praticante, realmente conduzindo-o a uma lucidez e quietude mentais que tornam a mente capaz de, se não nesta vida, em outra existência, atingir o Estado Mental do Nirváña.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ