२५५४ ०८ ०३ Budhabár 2554-08-03

A todos, Jwajalapá!

oje ouvi na TV uma pergunta que me despertou a atenção: “Felicidade – um direito de todos ou uma conquista?” Imediatamente respondi: Ambos! É claro!

Não resta dúvida que, não apenas nós humanos, mas todos os seres vivos desejam apenas uma coisa: Felicidade! É em nome de ser (ou tentar ser) feliz que fazemos todas as coisas da vida, incluindo todos “os sapos que engolimos” em nossa vida diária.

Por mais que alguém ame o próprio trabalho e sinta grande prazer na atividade que desenvolve, ninguém passa a vida toda levantando cedo com igual disposição e alegria… De vez em quando, surge aquela preguiça, um mau humor, um dia em que ficar na cama e esquecer do mundo é tudo o que mais queremos! Mas, cientes de que TEMOS QUE pular da cama e começar a mesma rotina, vamos em frente, procurando esquecer o aconchego da cama! Isto porque, no íntimo, queremos ser felizes e, cada vez mais, a felicidade está diretamente ligada ao quanto produzimos e somos capazes de comprar!

Tanto no aspecto financeiro quanto no mental, felicidade é resultado de todo um trabalho para conquistá-la. Se, por uma questão de justiça e equanimidade, teoricamente,  todo ser vivo teria direito à felicidade, realisticamente falando, é feliz  de verdade quem usa de certos expedientes capazes de CONQUISTAR a felicidade. Não basta trabalhar e produzir “rios de dinheiro”, se assim fosse, a felicidade seria monopólio de uma privilegiada e minoritária elite de reis, príncipes e magnatas e, não me parece que eles sejam totalmente felizes e imunes aos problemas que afligem os menos afortunados. Então, o que é realmente preciso para alcançar a tão desejada felicidade? A palavra é CONTENTAMENTO!

O Buddha nos ensinou que somente o CONTENTAMENTO pode nos trazer felicidade. Não é uma questão de quanto nós conseguimos acumular, mas sim de estarmos satisfeitos com o que já temos, não significando isto que não possamos ambicionar algo e continuarmos nos esforçando, desde que sem ganância e obsessão, para conseguirmos isso.

Recentemente, um documentário mostrou o BUTÃO, país buddhista quase que desconhecido do mundo, enterrado no meio dos Himalaias. O pequeno reino é conhecido pelo alto grau de felicidade de seus habitantes, mesmo com a falta de tantas coisas consideradas por nós ocidentais como essenciais – sem elas não vivemos!

Em contrapartida países como a Suécia, Suíça e outros países rotulados de “paraísos” da sociedade ocidental, revelam os mais altos níveis de suicídio, principalmente nas faixas etárias mais jovens de suas populações… Estranho? Não acho! Na verdade, é perfeitamente compreensível quando visto pela ótica buddhista de que é o CONTENTAMENTO que traz a felicidade e não a pressa incontrolável por termos mais e mais bens materiais acumulados. Isso torna um butanês feliz em ter simplesmente uma estradinha que passe na porta de sua casa de pedra e um europeu um suicida em potencial se tiver que passar alguns dias sem Facebook…

Quando estamos interiormente satisfeitos com o que temos, somos capazes de acalmar a mente e, quando acalmamos a mente, somos capazes de perceber que já somos felizes! Assim, nesse círculo (beneficamente) vicioso, vemos que não é tão difícil assim alcançar a felicidade. Mas, se a virmos como um direito que todos já tem, menos nós e, iludidos pela idéia de que temos um EGO constantemente merecedor de ser feliz, custe o que custar, daí a coisa fica feia!

Quanto menos conceito errado de um EGO AO QUAL TUDO É DEVIDO, mais perto estaremos da felicidade. Para atingirmos o contentamento que, como eu disse, é a chave da felicidade, é necessário diminuir, constantemente, a ilusão do EGO. Isso se consegue através da prática de virtudes e muita meditação! Para o desenvolvimento das virtudes, necessitamos de estudo das Escrituras e, acima de tudo, observação constante no dia a dia de que aquilo que lemos e estudamos, realmente se aplica em nossas vidas. Quanto mais estudamos, mais comprovamos a veracidade das Escrituras e isso nos fortalece na prática das virtudes. Solidificadas através da Meditação, as virtudes nos conduzem ao CONTENTAMENTO com o que temos e o que somos e, somente desta forma, somos capazes de encontrar a FELICIDADE. Um processo simples e fácil? Certamente que não! Porém, possível, seguro e confiável, afinal, não foi idealizado por mim, mero caminhante, mas por alguém que, por experiência própria nos deixou como legado – O Buddha!

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ