2554-08-06 Shanibár

A todos, Jwajalapá!

uddha nos disse: “Tudo no mundo foi, é ou será Dukkha!” e, como já vimos em outra matéria, se traduzirmos o termo como “sofrimento”, teremos o Buddhismo como algo pessimista, derrotista e que não nos atrai! Porém, já expliquei o que é Dukkha e as razões pelas quais não devemos traduzir o termo em Páli, mas, simplesmente entendê-lo a fundo e conscientizar-nos do que se trata.

Da mesma forma, o termo SUKHA vem sendo traduzido como “Felicidade” ou o antônimo de Dukkha. Não é bem assim! Portanto, Sukha também merece ser entendido e, feito isso, saberemos exatamente o que é e como encará-lo. Bem, há no mundo coisas belas, agradáveis, tranquilas e que merecem ser percebidas, observadas e apreciadas. São como um oásis de tranquilidade no meio da agitação e inquietação mental de nossas vidas diárias. Assim, observar o por do Sol numa praia, ou o nascer do Sol num dia de céu azul são, inegavelmente, momentos de extrema beleza que podemos apreciar! Os exemplos são inúmeros (felizmente!): O sorriso sincero no rosto de uma criança, o momento em que a pessoa amada dá à luz uma nova vida, um momento de convívio em família, um passeio num parque ou floresta… A tudo isso podemos chamar de SUKHA, porém, devemos ser cautelosos antes de rotularmos tais circunstâncias como sendo FELICIDADE – absoluta e permanente. É preciso notar que tais momentos nos causam “sensações agradáveis”, “agitação positiva na nossa mente”. São momentos de prazer, sensações boas que agitam nossa mente, portanto, são uma forma de ALTERAÇÃO mental, ainda que positiva.

Se não f0rem observados e interiorizados com Sabedoria, tais momentos logo se transformarão em Dukkha, comprovando a citação do Buddha que mencionei no início desta matéria. Isto porque, se Sukha não for encarado como impermanente, temporário, mutável, nos apegaremos a tais momentos e, quando eles se forem, deixarão em nós a desilusão, saudade, nostalgia e todo tipo de inquietação mental negativa que, dentro do Buddhismo, é a definição primordial de DUKKHA! Ponto para o Buddha, que mais uma vez acertou!

Sukha não se resume a prazeres físicos. Também inclui nossas alegrias mentais, nossos bons pensamentos, nossas sensações de que estamos alegres. Sukha não se resume à visão de um filho, mas também à alegria de vê-lo bem, saudável, alimentado e feliz…  Toda e qualquer sensação de alegria, euforia, aconchego, segurança física e mental, tudo isso é Sukha e pode ser individual ou compartilhado. Não importa que tipo, no entanto, será sempre temporário e NÃO-DIGNO de que nos apeguemos a ele, sob pena de ter que enfrentar DUKKHA a partir do momento que Sukkha simplesmente passar!

Sukha, por mais bonito que seja, por mais que nos traga sensações prazerosas e inesquecíveis, é MOMENTÂNEO, é passageiro! Como eu disse, Sukha é um oásis, cercado de Dukkha por todos os lados, portanto, não podemos “viver nesse oásis para sempre”. Nossa missão no mundo é atravessar o deserto escaldante de Dukkha e atingir uma “cidade perfeita”, onde nada mais nos inquieta, chamada Nirváña. Enquanto tentarmos nos esquecer da travessia do deserto e nos apegarmos ao oásis como se fosse nosso destino final, estaremos sujeitos a Dukkha, pois nosso refúgio no oásis é temporário, não definitivo!

Enquanto “antônimo de Dukkha”, Sukha funciona como “alteração mental positiva”, já que Dukkha é alteração negativa, porém, ambos são caracterizados como uma inquietação, uma alteração do estado neutro e calmo da mente. Assim, é correto dizer que Sukha, tanto quanto Dukkha, fazem parte do SAMSÁRA, que é o ciclo de renascimentos sucessivos ao qual todos os seres vivos continuam presos! Se virmos Sukha desta forma – ilusivo, temporário, impermanente e parte da vida na prisão, por mais agradáveis que sejam nossos momentos (e é necessário que os tenhamos!!), saberemos sempre agir com Sabedoria e não nos decepcionaremos toda vez que eles acabarem nem ficaremos eufóricos quando novos momentos de Sukha surgirem em nossas vidas. Somente agindo assim estaremos cultivando a Sabedoria necessária para alcançarmos o Estado Mental de Nirváña.

Fiquem todos em Paz e protegidos!

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ