२५५४ ०८ ०८ Sombár 2554-08-08

A todos, Namaste!

este Sutra, o Buddha, em poucas palavras e de modo bastante objetivo, explica quem ele é e do que trata sua missão. Cabe aqui lembrar que, naquela época, numa região repleta de todo tipo de seitas e crenças das mais estranhas e absurdas, o Buddha era apenas um entre centenas de mestres, muitos deles se considerando iluminados e com milhares de seguidores. Assim, é normal que, de quando em quando, o Buddha fosse procurado por curiosos que queriam saber exatamente quem ele era e que tipo de ensinamento tinha para transmitir.

Surpreendente é que, mesmo nos dias atuais, milhões de pessoas desconheçam o Buddha e o Buddhismo e, causa ainda mais surpresa que tantos “buddhistas” não saibam exatamente o que é um buddha e quem foi O BUDDHA, atribuindo a ele características que não correspondem com a realidade, pedindo a ele milagres e pensando que, como se fosse uma divindade protetora, ele está sempre pronto a nos atender e proteger… Vamos ao Sutra!

Aññatarô Brāhmaṇô Sutra
(O Sutra para uma Certa Divindade)
Traduzido do Inglês, em linguagem simples e explicado entre parênteses
pelo Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ

Assim me foi transmitido oralmente. Certa ocasião, uma divindade aproximou-se do Bhagaván. Após trocar com ele cumprimentos cordiais e encerrar a conversa agradável, sentou-se na posição de respeito. Após sentar-se falou ao Bhagaván da seguinte forma:
– “O que o Venerável Gáutam afirma, o que ele ensina?”

– “Eu sou aquele que afirma o que tem que ser feito, eu afirmo o que tem que ser feito e o que não tem que ser feito.” (No texto original em Páli, o termo usado é “kiriyá” e “akiriyá”, significando ação que deve ser praticada e ação que não deve ser praticada, respectivamente).
– “Mas de que modo é o Venerável Gáutam aquele que afirma o que tem que ser feito e aquele que afirma o que não tem que ser feito?”
– “Eu digo “aquilo que não deve ser feito” quanto às más ações praticadas através do corpo, más ações praticadas através da fala, más ações praticadas através da mente (com pontos de vista errados), más ações manipuladas e também através de pensamentos errados, eu digo “aquilo que não deve ser feito.”

Eu digo “aquilo que deve ser feito”, quanto às boas ações praticadas através do corpo, o bem praticado através da fala correta (gentil, sem gírias pornográficas, sem palavrões, na hora certa de falar, sem ilusões, sem mentiras nem tagarelice), boas ações praticadas através do pensamento correto, boas ações como resultado de bons pensamentos. Eu digo que sou aquele que afirma “aquilo que tem que ser feito”, eu ensino “aquilo que não deve ser feito” e eu ensino “aquilo que não deve ser feito.”

– “Excelente, Nobre Gáutam, excelente é o seu Ensinamento! Como se um homem tivesse desvirado algo que estava de cabeça para baixo, revelado o que estava oculto, apontado a direção para quem estava perdido, trazido uma lamparina a óleo para um local escuro, para que aqueles que têm olhos pudessem ver os objetos. Deste modo, foi o Dharma tão bem declarado de tantas formas pelo Venerável Gáutam!

Hoje eu tomo Refúgio no Venerável Gáutam, no Dharma e na Sangha (Comunidade Monástica) do Venerável Gáutam. Possa o Venerável me aceitar como seu discípulo leigo que nele tomou Refúgio, a partir de hoje, enquanto durar minha vida.”