२५५४ ०८ ०९ Mangalbár 2554-08-09

A todos, Jwajalapá!

á falei neste Blog sobre o Venerável Ajahn Chah, um dos mais famosos e respeitados monges da Tradição Theravada. Não muita gente no ocidente, porém, conhece o início da Tradição da Floresta, atribuído a dois grandes mestres: Phra Ajah Sáo Kantassilô Mahatherá (falecido em 1942) e seu discípulo – Phra Ajahn Mun (se pronuncia “MÂN”) Bhuridatta Thera (em Tailandês: มั่น ภูริทตฺโต; em Laosiano ຫຼວງປູ່ມັ່ນ ພູຣິທັຕໂຕ), 1870–1949. É sobre Ajahn Mun que vou falar nesta matéria.

O Venerável Mun nasceu no nordeste da Tailândia, reduto tradicional de grandes mestres do Buddhismo Theravada, em 20 de janeiro de 1870. Seu local de nascimento, numa pequena aldeia às margens do Rio Mun (“mân”) é a origem de seu apelido.

Aos 16 anos foi levado por sua família a um templo onde se tornou noviço, seguindo a Seita Mahanikáya, que usa mantos cor de laranja. Lá começou seus estudos, em condições muito precárias, usando folhas de árvores no lugar de papel, para escrever suas lições num alfabeto anterior ao utilizado atualmente na Tailândia e no Laos. Em 1893 recebeu a ordenação superior (como monge), ainda dentro da Seita Mahanikáya. Somente alguns anos mais tarde recebeu nova ordenação monástica, dessa vez dentro da Tradição Thammayút Nikáya (a mesma na qual fui ordenado), tendo ele como Preceptor o Venerável Phra Ajahn Sáo Kantassilô Mahatherá .

Diz a história que o Ven. Mun se ressentia muito da falta de orientação de seu Preceptor. Ajahn Sáo dava pouca ou nenhuma atenção ao seu pupilo, passando longos períodos ausente, “sumido” pelas florestas fechadas da Tailândia e Laos, não deixando a Ajahn Mun outra opção a não ser praticar sozinho e aprender por intuição.

Com o tempo, cansado de esperar por instruções de seu Preceptor, o Ven. Ajahn Mun decidiu, também ele, adotar uma vida de andarilho das florestas, passando longos períodos em cavernas escuras, ruínas de templos e em cemitérios. Assim, nesse modo singular de prática, ele é considerado, junto com o Ven. Ajahn Sáo, o revitalizador da prática chamada de Tradição da Floresta (Kammatthána, em Páli), seguindo práticas ancestrais, que remontam à época do próprio Buddha, com cultivo mental baseado no ascetismo – Thutong, em Tailandês (ou DUTTHANGA, em Páli). Várias vezes cruzou a fronteira com o Laos e mergulhou em matas escuras, cheias de tigres e serpentes venenosas. Sua presença nas matas muitas vezes era confundida com fantasmas e espíritos, sempre presentes na imaginação supersticiosa de tailandeses e laosianos. Lenda ou realidade, há relatos da época de que, diversas vezes o Ven. Ajahn Mun foi visto nas clareiras no meio da floresta, sentado em posição de meditação, cercado de tigres, calmamente deitados em torno dele.

De expressão séria e até assustadora, seus principais discípulos – o Ven. Ajahn Chah e seu colega de manto – recentemente falecido Ven. Ajahn Mahá Búa tinham tanto medo de Ajahn Mun que chegavam a ter pesadelos onde a figura dele aparecia de repente!

Na Tailândia há várias obras literárias e biográficas do Ven. Ajahn Mun. Em algumas delas pode-se ver fotos do que sobrou do corpo dele após a cremação: vários fragmentos de cristais, inteiramente puros o que, na crença dos tailandeses e asiáticos em geral, é uma característica de um ser totalmente iluminado. Tais cristais são conservados como relíquias, dignas de veneração e visitação.

(O Venerável Phra Ajahn Mun Bhuridátta Therá – Fundador da Tradição da Floresta)

Fiquem todos em Paz e protegidos!

सुनन्थो भिक्षु

Vantê SUNANTHÔ BHIKSHÚ